Nínive

 

1. Nome

 

Essa é a transliteração hebraica do nome assírio Ninus, um dos nomes da deusa Istar. O sinal cuneiforme consistia em um peixe dentro de um cercado. O termo hebraico nun significa «peixe», embora não haja conexão real entre esses dois vocábulos. O termo grego Nínos, como designação dessa cidade, ocorreu por assimilação ao nome de um herói grego. Essa palavra era comum nos antigos registros em escrita cuneiforme, na época do reinado de Gudea (século XXI A.C.) e de Hamurabi (cerca de 1700 A.C). Após o século XII A.C., Nínive tornou-se uma das residências reais da Assíria. O antigo título da cidade, conforme já afirmamos, era Ninus.

 

2. Localização e Fundação

 

Os cômoros que assinalam o antigo local de Nínive ficam situados à margem oriental do rio Tigre, diante da moderna cidade de Mosul, no norte do Iraque (Mesopotâmia superior). A Bíblia informa-nos de que foi Ninrode quem fundou essa cidade, após ter fundado o mais antigo império babilônico sobre o qual se tem conhecimento. Ver Gn 10:8-10.

 

3. Esboço Histórico

 

a. 4500 A.C. Evidências arqueológicas mostram-nos que já havia ocupação humana do local antes da fundação tradicional de Nínive, por Ninrode.

b. 2450 A.C. Os eruditos pensam que Nínive foi fundada por Ninrode, por volta dessa data. As datas remotas são inseguras, mas é certo que não podemos ampliar as datas de Ninrode para antes de 4500 A.C. Assim, supõe-se que a fundação da cidade ocorreu em algum ponto mais tarde que o tempo em que a área começou a ser ocupada, o que ocorreu, de fato, nada menos que dois mil anos depois.

c. 2300 A.C. Nínive era um lugar florescente, ao tempo de Sargão e seus filhos. Essa família restaurou o templo de Istar (Inana), em Nínive.

d. 2200 A.C. Gudea, de Lagase, — encetou campanhas militares na área.

e. 1800 A.C. Nínive tornou-se um centro de culto religioso e de comércio, na época de reis assírios, como Sansi-Adade I. Ele restaurou o templo de Istar, tal como o fez Hamurabi, de Babilônia. Hamurabi conseguiu predominar sobre a Assíria cerca de vinte anos após Sandi-Adade I. Foi por essa época que ele publicou seu famoso código legal, «que glorificou o nome de Istar».

f. 1400 A.C. Os reis de Mitani exerciam pelo menos 'alguma forma de controle sobre Nínive, nessa época. Dusrata enviou uma estátua de Istar, de Nínive, ao «Egito, com o propósito de curar o enfermo Faraó. Dessa época é que se originou o famoso hino a Istar, ao idioma hurriano.

g. 1300 A.C. Nínive voltou ao poder assírio. Assur-Ubalite I reconstruiu o templo de Israel. Salmaneser I e Tuculti-Ninurta I ampliaram e fortificaram a cidade.

h. 1100 A.C. Tiglate-Pileser I construiu seu palácio em Nínive.

i. 800 A.C. Assurnasirpal II construiu seu palácio em Nínive.

j. 860 A.C. O profeta Jonas evangeliza Nínive com sucesso. Jonas é o João 3:16 do Antigo Testamento.

l. 722 A.C. Sargão II construiu seu palácio em Nínive. Menaém, rei de Israel (744 A.C), paga tributo à Assíria (ver II Reis 15:20). Teve lugar, nessa data, o cativeiro do reino do norte, Israel. Em Nínive houve cortejos celebrando a vitória (ver Is 8:3).

m. 704-681 A.C. Nesse período, Nínive tornou-se a capital do império assírio, por instigação de Senaqueribe. Como capital do império assírio, Nínive tornou-se a mais importante cidade do mundo oriental da época. Senaqueribe adornou Nínive a um estado de magnificência. A arqueologia tem descober­to provas sobre isso, e também há muitos informes históricos que o confirmam. O palácio de Senaqueribe tinha 9.178 m(2), com paredes que tinham relevos retratando as suas vitórias, incluindo o cerco de Laquis e a cobrança de tributos a Judá. Ele construiu ou ampliou muralhas na cidade; introduziu um novo sistema de suprimento de água, com canais que vinham desde o rio Gomel, em Baviã. Nínive dispunha de quinze portões principais (cinco dos quais os arqueólogos têm escavado com sucesso). Cada um desses portões era guardado por um touro gigantesco. Senaqueribe também construiu parques, jardins botânicos e um jardim zoológico, além de haver edificado a muitos edifícios. O trecho de II Reis 18:15 revela-nos que ele cobrou tributo de Ezequias, rei de Judá.

n. 681 A.C. Senaqueribe foi assassinado, e seu filho caçula e sucessor, Esar-Hadom, subiu ao trono, após ter derrotado aos rebeldes, que haviam conseguido controlar por algum tempo a coroa. Esar-Hadom construiu em Nínive um palácio, embora preferisse passar a maior parte de seu tempo em Cala.

o. 669-627 A.C. Durante os governos dos filhos de Esar-Hadom, Assur-Etil-Ilani e Sin-Sar-Iscum, a economia da nação declinou, e a nobreza assíria revoltou-se.

p. 612 A.C. Uma força combinada de medos e babilônios atacou e capturou a cidade de Nínive, e assim desapareceu para sempre o cruel império assírio. Esse acontecimento foi eloqüentemente referido pelos profetas Naum e Sofonias (ver especialmente Sf 2:13-15). O local foi subseqüente­mente habitado, mas nunca mais adquiriu qualquer significação especial.

Na época do profeta Jonas, Nínive contava com uma população de cerca de cento e vinte mil habitantes; Calá (Nonrude) tinha cerca de setenta mil habitantes. Ver Jonas 1:2 e 3:2 quanto a descrições.

 

4. Arqueologia

 

Nínive tem sido intermitentemente escavada por expedições arqueológicas inglesas, através de um período de mais de cem anos. As principais descobertas têm sido magníficas esculturas, porções da cidade antiga, muralhas, templos, palácios e residências; mas, acima de tudo, a maior biblioteca de tabletes em escrita cuneiforme que jamais foi descoberta, pertencente aos tempos antigos. As muralhas da cidade, claramente vistas em esboço, estendem-se por quase treze quilômetros em redor, encerrando dois importantes cômoros. Um desses cômoros chama-se Nebi Yunus. De acordo com as lendas locais (provavelmente incorretas), esse cômoro contém o túmulo do profeta Jonas. No local há uma moderna aldeia, com um cemitério e uma mesquita, razão pela qual não é possível fazerem-se ali muitas escavações. Porém, o cômoro da parte norte é um dos maiores da Mesopotâmia. Mais de catorze milhões de toneladas de terra já foram removidas da área. Três palácios reais foram desenterrados, além de dois templos. Os palácios de Senaqueribe e de Assurbanipal II, o templo de Istar e o templo de Nabu. Porções de várias outras edificações têm sido, igualmente, trazidas à luz.

 

Além dessas ruínas relativamente recentes, uma prospecção profunda mostrou que o homem vem habitando naquele lugar desde tempos pré-históricos. Desde o ano de 1966, o Departamento de Antigüida­des do Iraque reabriu o palácio de Senaqueribe, tendo aberto áreas adicionais para a investigação arqueoló­gica. Um trabalho de alargamento de estradas, em Nebi Yunus, descobriu estátuas egípcias, trazidas por Assurbanipal, após ter capturado a cidade egípcia de Mênfis, em duas campanhas militares no Egito.

 

5. A Biblioteca Real de Nínive

 

Mais de dezesseis mil tabletes de argila, inteiros ou em fragmentos, representando dez mil textos diferen­tes, foram encontrados em Quyunjiq. Por esse motivo, a coleção recebeu o nome de Coleção Quyunjiq. Esses tabletes estão ligados, principalmente a Assurbani­pal, que pode ser considerado um dos poucos monarcas literatos do mundo antigo. A maior parte desse material representa originais trazidos da Babilônia, ou, então, cópias de textos encontrados na Babilônia, mas que receberam nova forma, por parte de escribas aptos, em Nínive. Uma grande variedade de gêneros literários está ali representada; épicos bem conhecidos, como aqueles da criação e do dilúvio (Gilgamés), e versões do mesmo; lendas, explicações de ritos religiosos e literatura religiosa, hinos, orações, listas de divindades a serem honradas, cartas pessoais, textos históricos, documentos bilíngües que mostra o uso tanto do acádico quanto do sumério. Esses textos têm servido de prestimoso auxilio lingüístico e histórico, lançando alguma luz sobre as narrativas bíblicas da criação e do dilúvio. Essa biblioteca tornou a literatura assíria melhor conheci­da que a de qualquer outro antigo povo semita, excetuando, naturalmente, os hebreus, cuja Bíblia (o Antigo Testamento), destaca-se como uma obra

incomparável nesse sentido.

6. A História de Jonas

Nenhuma descoberta histórica secular tem confirmado o registro bíblico a respeito da missão bem-sucedida do profeta Jonas em Nínive. Não obstante, esse livro é a melhor evidência de que dispomos, no Antigo Testamento, acerca do amor de Deus pelos povos de todas as nações. O livro de Jonas é o João 3:16 do Antigo Testamento.

Bibliografia (AM ND PAR(1955) TH THU Z)