A PARÁBOLA da rede de pesca: Encontra-se somente em Mateus. A maior parte dos intérpretes considera que esta parábola (a sétima) é a última, ficando assim preservado o número «sete», no qual vêem diversos símbolos místicos; porém, notaremos que não há apenas sete parábolas acerca do reino dos céus, mas talvez até mesmo doze. Os vss. 51 e 52 deste capítulo também apresentam outra parábola, a do pai de família, ou, conforme alguns a chamam, a parábola «das coisas novas e velhas». Portanto, neste décimo terceiro capítulo de Mateus temos oito, e não apenas sete parábolas do reino dos céus.

 

A mensagem desta parábola não difere muito da do joio, porque o resultado final é o julgamento, a separação entre os bons e os maus. No grego, a palavra aqui traduzida como «rede» não é a rede pequena, que um homem sozinho podia usar, e, sim, a rede grande, manejada por diversos homens, e que podia recolher grande número de peixes de uma vez só. Por causa dessa capacidade, como é natural, muitas variedades de peixes eram colhidos por ela. Alguns peixes eram usados como alimento, para fornecer óleo "ou outro produto de valor no mercado, enquanto que outros peixes eram inúteis, destituídos de qualquer valor. Era mister que os pescadores separassem os peixes bons dos peixes maus ou sem valor. Lembremos-nos que as leis judaicas referentes à alimentação não permitiam que certos peixes fossem consumidos, a despeito de seu valor aparente. Os pescadores judeus deviam devolver tais peixes ao mar.

 

A parábola ilustra os efeitos a pregação do evangelho no mundo. Alguns aceitam a mensagem e assim desenvolvem uma fé autêntica, tornando-se discípulos legítimos de Cristo. Outros parece que são somente «recolhidos» pela rede da mensagem de Cristo, mas finalmente mostram que são falsos discípulos. Alguns possuem verdadeiramente a vida espiritual, conferida em face da fé verdadeira, enquanto que outros só aparentemente têm a vida espiritual. Alguns, segundo os propósitos de Deus, estão prontos para cumprir os alvos divinos, ao passo que outros não são aptos para cumprir os alvos de Deus no tocante ao destino determinado para os seres humanos.

 

É o dever da Igreja lançar a rede do Evangelho tão largamente quanto possível, para que haja o maior número de pessoas possível dentro do limite de suas malhas. Assim, é inevitável que sejam trazidos alguns cristãos não genuínos. Todavia, não há de se preocupar o cristão com a mistura na Casa de Deus, porque está além do poder humano o purificá-la. A seu tempo, Deus retirará da Igreja seus membros indignos, deixando-a sem mancha ou ruga.

 

Não podemos esperar uma igreja perfeita deste lado do céu. As parábolas do joio e da rede advertem-nos da presença de elementos bons e maus dentro da igre­ja. Na parábola do joio, atribui-se à ação do inimigo a introdução de pessoas mundanas entre o povo de Deus. A parábola da rede descarta a possibilidade de seleção prévia; a separação dos peixes ocorre mais tarde. Da mesma forma, a rede do Evangelho, lançada em esfor­ços evangelísticos, reúne todo tipo de pessoas, o que não exclui os elementos ruins. Até o evangelista Filipe pescou um "peixe" que se estragou logo ao sair da água! (At 8.13-24).

 

Zelosos idealistas proclamam: "Vamos purificar a igre­ja!" As intenções são boas e há lugar para a disciplina na igreja. Todavia somos falíveis em nossa pressa, e poderemos arrancar trigo juntamente com o joio, ou lançar fora bons peixes (Mt 13.28,29).