DOXOLOGIA

 

Vem dos termos gregos doxa, «louvor», «honra», «glória», e logos, «palavra», ou seja, algo dito que expressa louvor, atribuindo glória e honra a alguém, a alguma circunstância ou a algum estado.

1. Algumas Doxologias Bíblicas. Todos os cinco livros que compõem os Salmos, terminam em doxologias. O último salmo de cada série é uma doxologia. Ali o termo aparece por cinco vezes. Ver Sl 41:13; 72:18 ss; 89:52; 106:48; 150:1-6. Em Lc 2:14 há o registro de uma doxologia entoada pelos anjos, em celebração ao nascimento de Jesus. O Domingo de Ramos incluía uma doxologia por parte da multidão (Lc 19:37). A oração do Pai Nosso termina com uma linda doxologia: «...pois teu é o reino, o poder e a glória para sempre. Amém». No entanto, essas palavras não aparecem nos manuscri­tos gregos mais antigos. Era, contudo, uma doxologia comum nos tempos pré-cristãos, tendo aparecido pela primeira vez em I Cr 29:11, e então foi usada tanto pelos judeus quanto pelos cristãos. Nos escritos de Paulo há várias doxologias. Ver Rm 11:36; 16:27; Ef 3:21; I Tm 1:17. Judas tem a mais longa e abrangente de todas as doxologias do Novo Testamen­to, os versículos 24 e 25 de sua epístola: «Ora, àquele que é poderoso para vos guardar de tropeços e para vos apresentar com exultação, imaculados diante da sua glória, ao único Deus, nosso Salvador, mediante Jesus Cristo, Senhor nosso, glória, majestade, império e soberania, antes de todas as eras, e agora, e por todos os séculos. Amém».

 

Uma outra notável doxologia é a de Hebreus 13:20,21, onde se lê: «Ora, o Deus da paz, que tornou a trazer dentre os mortos a Jesus, nosso Senhor, o grande Pastor das ovelhas, pelo sangue da eterna aliança, vos aperfeiçoe em todo bem, para cumprirdes a sua vontade, operando em vós o que é agradável diante dele, por Jesus Cristo, a quem seja a glória para todo o sempre. Amém».

 

No Apocalipse também encontramos doxologias celestiais. Ver Ap 5:13 e 19:1.

 

2. Usos das Doxologias. Uma doxologia, antes de tudo, é uma entusiástica e emocional declaração de agradecimentos a Deus, com base em certo senso de admiração, em face de sua pessoa e de suas obras. Quando lemos as doxologias, também aprendemos que as mesmas contêm material didático. Na liturgia cristã (ver o terceiro ponto, abaixo), as doxologias são usadas como porções do culto em ocasiões especiais, a fim de enfatizar a necessidade de exaltarmos a Deus, ou como porções divisórias da liturgia, pondo fim a um pensamento para introduzir algum outro. As doxologias também são usadas por indivíduos particulares.

 

3. Na Liturgia Cristã,

 

a. A Doxologia Menor. Essa pode envolver uma única sentença, como: «Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo, para todo o sempre. Amém». Mais tarde, foram acrescentadas as palavras: «Como no princípio, agora e para sempre». O quarto concilio de Toledo adicionou a palavra «honra», pelo que a doxologia passou a ser : «Glória e honra ao Pai...» Isso foi tomado por empréstimo do salmo de ação de graças de Davi, em I Cr 16:27. Não há certeza, porém, acerca de quando isso foi inserido. Alguns supõem que a inserção data de antes do concilio de Nicéia. Seja como for, tornou-se comum, e apareceu no segundo concilio de Vaison (529 D.C.).

 

b.  A Doxologia Maior ou hino angelical, o Gloria in Excelsis, utilizando-se das palavras da doxologia que houve por ocasião do nascimento de Jesus (ver Lc 2:14): «Glória a Deus nas maiores alturas», etc. Essa doxologia era usada principalmente no culto de comunhão, mas também nas devoções particulares diárias. Na liturgia moçarábica, essa doxologia é cantada antes das lições sobre o dia de Natal. Crisóstomo informa-nos de que os ascetas que se retiravam da sociedade humana reuniam-se diaria­mente para entoar esse hino. Alguns supõem que essa doxologia surgiu na época de Luciano (começo do século II D.C.), mas não há certeza quanto à questão.

 

c. O Trisagion era usado no século II D.C. Começava com as palavras: «Portanto, com os anjos e os arcanjos, e com toda a hoste celestial, louvamos e magnificamos   o   Teu   glorioso   nome»,  

 

d. Uma doxologia comum protestante, entoada todos os domingos em muitas igrejas, é o hino do bispo Thomas Ken (anglicano), e que termina com as seguintes palavras:

«Louvado seja Deus, de quem fluem todas as bênçãos;

Louvai-O, todas as criaturas cá debaixo;

Louvai-O nas alturas, vós, exércitos celestiais;

Louvai ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo».

 

 

Todas as doxologias acima são utilizadas por alguns segmentos da Igreja cristã atual, em várias adaptações e circunstâncias. Nas igrejas protestantes, tornou-se comum ouvir o uso de doxologias bíblicas como encerramento do culto de adoração.

 

Bibliografia AM E SZ