Lição 11

 

12 de Março de 2006

 

O cristão deve buscar as riquezas espirituais

 

Texto Áureo

 

"Exorta aos ricos do presente século que não sejam orgulhosos, nem depositem a sua esperança na instabilidade da riqueza, mas em Deus, que tudo nos proporciona ricamente para nosso aprazimento". lTm 6.17

 

Verdade Aplicada

 

As riquezas materiais deste mundo têm por objetivo socorrer os menos favorecidos para erradicar as injustiças sociais.

 

Objetivos da Lição

 

Enfatizar a transitoriedade das riquezas e dos bens materiais;

Saber que a notabilidade do homem não está no ter, mas no ser;

Mostrar que o descaso para com o sofrimento alheio é um grave pecado.

 

Textos de Referência

 

Tg 5.1 Atendei, agora, ricos, chorai lamentando, por causa das vossas desventuras, que vos sobrevirão;

Tg 5.2 As vossas riquezas estão corruptas, e as vossas roupagens, comidas de traça;

Tg 5.3 O vosso ouro e a vossa prata foram gastos de ferrugens, e a sua ferrugem há de ser por testemunho contra vós mesmos e há de devorar, como fogo, as vossas carnes. Tesouros acumulastes nos últimos dias;

Tg 5.4 Eis que o salário dos trabalhadores que ceifaram os vossos campos e que por vós foi retido com fraude está clamando; e os clamores dos ceifeiros penetraram até aos ouvidos do Senhor dos Exércitos;

Tg 5.5 Tendes vivido regaladamente sobre a terra; tendes vivido nos prazeres; tendes engordado o vosso coração, em dia de matança;

Tg 5.6 Tendes condenado e matado o justo, sem que ele vos faça resistência.

 

Ajuda Versículos

 

Ajuda 1

 

Ajuda 2

 

A forma de expressão do primeiro século, que usava figuradamente os ter­mos rico e pobre para se referir ao ímpio e ao justo (cf. o comentário sobre 1:9-11), é a chave para se entender toda esta seção, que anuncia a destruição dos ímpios em um estilo que faz lembrar Amós, o profeta do Velho Testamento. A primeira parte desta unidade anuncia o julgamento (v. 1-3), e a segunda apre­senta as razões para a condenação do rico ímpio (v. 4-6).

 

"Livrai o pobre e o necessi­tado; tirai-os das mãos dos ímpios" (Sl 82.4).

 

A Palavra de Deus condena a opressão e a corrupção, exor­tando quanto à defesa dos pobres, desvalidos e necessitados.

Deus se preocupa com as rela­ções sociais. Ele criou riquezas imensas e capacitou os homens a produzirem ainda mais. O propósito de Deus era que os homens vivessem em harmonia,, repartindo uns com os outros seus bens. Porém, na realidade, muitas vezes a riqueza acumulada por determinada pessoa, é fruto da miséria de alguém. Deus condena radicalmente a opressão do pobre sobre o rico.

A Bíblia não condena a riqueza em si, nem o rico que adquire bens de modo lícito e honesto. Em Tiago vemos a condenação daqueles que, por serem ricos, tornam-se opresso­res e corruptos. Tal condenação é mais severa, ainda, quando tais pes­soas se dizem crentes em Jesus, e agem de modo injusto para com seus empregados, assemelhados e outras pessoas de status inferior.

 

A origem das riquezas

 

1. Criadas por Deus. O planeta Terra, em sua situação original, foi contemplado com riquezas imensas em todas as partes. Entretanto, com a queda do homem, a Terra passou a ser maldita e a produzir cardos(Planta da família das compostas (Centaurea melitensis), considerada praga da lavoura, de flores amarelas, folhas com espinho, acinzentadas, e caule ereto, revestido de pêlos.) e es­pinhos (Gn 3.17,18). Mesmo assim, a bondade de Deus foi tão grande, que deixou para o homem pecador riquezas naturais enormes, capazes de assegurar a sobrevivência condig­na por períodos de tempo incalculá­veis (ver Sl 33.5; 104.24). Todas as riquezas naturais foram postas à dis­posição para o bem de todos e não apenas de alguns. A Terra é de Deus (Lv 25.23; Sl 24.1) e Ele a deu "aos filhos dos homens" (Sl 115.16b).

2. Produzidas pelo homem.

a) Homens de Deus ricos. Na Bíblia, há homens crentes ricos è exaltados por Deus. Abraão possuía muita riqueza, fruto da bênção de Deus sobre seu trabalho (Gn 13.6; 24.35). Jó possuía muitos bens, è muita gente a seu serviço, sendo o homem "maior do que todos os do Oriente" (Jó 1.3). Davi, rei de Isra­el, era rico. Seu herdeiro, Salomão, era riquíssimo (1 Rs 4.21-28; 7.1-12; 11.14-29). Nos tempos modernos, há homens de Deus que são muito ri­cos, contribuindo com seus dízimos e ofertas para a obra do Senhor.

b) Descrentes ricos. Deus tem permitido que incrédulos também produzam riquezas, utilizando di­nheiro, trabalho e tecnologia para o bem-estar dos povos. Em todas as áreas da vida humana, há riquezas que são benéficas ao homem. Essas não são condenadas por Deus, embora nem todas resultem do trabalho de algum cristão.

 

O uso iníquo das riquezas

 

1. Ricos miseráveis. A Bíblia brada alto contra os ricos opresso­res, dizendo: "chorai e pranteai por vossas misérias, que sobre vós hão de vir" (v.l). O apóstolo emprega aqui uma linguagem profética, que vê o futuro como se já fosse presen­te. Ao que tudo indica, tais ricos estavam entre os judeus convertidos ao Cristianismo. Hoje, há homens cristãos a quem Deus concedeu rique­zas. Entre estes, há os bons empre­sários, que cumprem seus deveres legais e sociais. Há outros, no entan­to, que procedem como os ímpios. A Bíblia adverte os que querem ser ricos e também a respeito do amor ao dinheiro (cf. 1 Tm 6.9,10).

2. Acumulação iníqua de rique­zas. As riquezas humanas são fruto da utilização do capital, que são as máquinas e os equipamentos, do uso dos recursos financeiros, da terra, da mão-de-obra e da tecnologia. Entre­tanto, há muita riqueza injusta. Em nosso país, com mais de oito milhões e quinhentos mil quilômetros qua­drados de terras, a maior parte delas está nas mãos de cerca de dez por cento de proprietários. "Há tanta gente sem terra e tanta terra sem gen­te". A exploração dos "bóias-frias" daquele tempo, foi objeto da epísto­la de Tiago, quando diz: "Eis que o salário dos trabalhadores que ceifaram as vossas terras e que por vós foi diminuído clama; e os clamores dos que ceifaram entraram nos ou­vidos do Senhor dos Exércitos" (v.4). Será que não há fazendeiro, proprietário, empregador e empresário crente, hoje, que estão debaixo dessa condenação ?

3. Sistemas econômicos injus­tos. O comunismo, graças a Deus, fracassou (apesar de estar vivo) Através da luta de classes, jogou pobres contra ricos e vice-versa. Acabou gerando a exploração de todos pelo "todo-poderoso" Estado marxista-leninista, que se fez "deus", oprimindo as mentes, a ponto de não permitir a pregação do evangelho, matando milhões de pessoas O ca­pitalismo, em sua ganância pelo lu­cro, não fica atrás, na opressão e na iniqüidade Chegou a ponto de, não só apropriar se da maior parte dos bens, mas até de pessoas. Inclui, também, a exploração sexual de crian­ças para fins de turismo, o trabalho infantil forçado, o comércio das dro­gas, as bebidas, o fumo. a prostitui­ção, a fraude, a extorsão, a sonega­ção, etc. São riquezas apodrecidas e enferrujadas. Tiago diz: "As vossas riquezas estão apodrecidas o vosso ouro e a vossa prata se enferruja­ram; e sua ferrugem dará testemu­nho contra vós... Entesourastes para os últimos dias" (vv.2.3).

4. Uma opção que não tem dado certo. Um sistema que aten­deria, talvez, os princípios cristãos seria o cooperativista. Infelizmente, pelo egoísmo, infidelidade, omissão e corrupção, não tem tido o êxito es­perado na maior parte das experiên­cias

5. A má distribuição de renda. A maior parte da riqueza gerada na maioria dos países é apropriada por pequena parcela da população. Em nível mundial, isso é bem patente. Mais da metade da população do mundo ainda passa fome; muitos a beira da miséria absoluta, em que as pessoas só comem uma vez por dia, não tendo roupa, calçados, saúde, saneamento, energia, habitação, ou o mínimo para um viver condigno, o nosso bispo falou numa reunião que participei em Areia Branca a esse respeito.

6. Quais as causas disso? As in­justiças sociais, incluindo-se a exploração e opressão dos ricos sobre os pobres, têm causas diversas, de or­dem sociológica, econômica, e his­tórica. Mas a causa-mãe de toda a opressão é o pecado. Se o homem não tivesse dado lugar ao Diabo, não haveria pobres e ricos. O homem viveria eternamente feliz. Só há duas soluções para que não haja exploração nem corrupção: a verdadeira conversão a Deus, na presente dispensação, ou quando chegar o reino milenial de Cristo, época em que fin­darão os sistemas iníquos.

 

A igreja e as riquezas

 

1.O papel profético ante as in­justiças. No sentido espiritual, a Igreja, como a noiva do Cordeiro, é perfeita sem faltas ou defeitos (Ef 5.27). No humano, infelizmente, tem falhas e defeitos, que são próprios da condição humana. Ante as injustiças sociais, a Igreja precisa tomar posi­ção acerca da ação dos ricos opres­sores contra os pobres. E uma posi­ção bíblica e profética. A Palavra de Deus ordena que os servos de Deus ajam assim. "Informa-se o justo da causa dos pobres, mas o ímpio não compreende isso" (Pv 29.7). “Os patrões devem tratar com os servos como quem trata a Cristo, servindo de boa vontade como ao Senhor e não aos homens” (Ef 6.7), e os empregados e subordinados devem cumprir o que toda a Bíblia tão bem preceitua, principalmente nas epístolas do Novo Testamento.

2. Com base no Antigo Testa­mento. Nesta parte da Bíblia lemos sobre o dever de ajudar o irmão po­bre (cf. Dt 15.7,8). Mais enfático é o que o Senhor diz a Jerusalém e Judá: "Aprendei a fazer o bem; praticai o que é reto; ajudai o opri­mido; fazei justiça ao órfão; tratai da causa das viúvas" (Is 1.17). No Salmo 82.3.4 está escrito: "Defendei o pobre e o órfão; fazei justiça ao aflito e necessitado. Livrai o pobre e o necessitado; tirai-os das mãos dos ímpios". Outros textos sobre o tema: Is 3.13-15; 58.6-8; Jr. 22.3-6; Mq 6.8; Ez 16.49,50; Zc 7.9.

3. Com base no Novo Testa­mento. Jesus cuidava do homem in­tegral. Prova disso é que multiplicou o pão duas vezes (Mt 14.13-21; 15.29-38). Em Atos, vemos homens sendo escolhidos para cuidar dos carentes (At 6.1 -6); entre os primei­ros crentes, não havia opressão nem exploração (At 2.44,45; 4.34). Quando disserta sobre os dons de Deus, a Bíblia fala sobre "o que reparte" (Rm 12.8); em Tiago está escrito que a verdadeira religião é "visitar os órfãos e  viúvas" (ação social) e "guar­dar-se da corrupção do mundo" (Tg 1.27), repreendendo severamente os que se deleitam (v.5), condenando e matando o justo (v.6).

4. A visão cristã. A Igreja, mesmo no sentido humano, não pode agir como o fazem os partidos e os sindi­catos, deixando se levar por um ativismo(Filosofia Doutrina que faz da atividade a essência da realidade; atualismo. Doutrina que admite algum tipo de oposição entre a ação (q. v.) e os domínios diversos do conhecimento, e que dá primazia à ação, primazia que comporta diferentes graus e definições.) somente político, empunhando bandeiras, e fazendo atos de protestos Mas deve pregar e agir. pelos meios legais, lícitos, oportunos, convenientes e com fundamento bíblico, contra a opressão e a corrupção. Para tanto, precisa administrar corre­tamente os recursos financeiros de que dispõe, aplicando inteligente e honestamente os dízimos e ofertas, investindo em missões locais, nacionais e transculturais, cuidando dos necessitados, dos órfãos e das viúvas. Defendendo-os dos ímpios ou dos crentes opressores Não deve­mos ter "visão de avestruz", que enterra o pescoço na areia para não ver o mal. Não adianta combater usos e costumes, quando se fecha os olhos e fica em silêncio quanto às injustiças e á opressão dos ricos sobre os pobres. Que Deus nos faça pregoeiros da justiça.

Ainda que seja difícil um rico entrar no céu (Mt 19.23), Deus não condena a riqueza adquirida lícita e honestamente. Entretanto a Palavra de Deus é firme e veemente contra os bens adquiridos através da opressão e da corrupção. Crentes que procedem assim, já colhe­ram ou estão a colher os amargos frutos do seu iníquo procedimen­to. Na lição já estudada, vemos que tais bens são chamados de rique­zas apodrecidas e enferrujadas. Os servos de Deus devem dar o exem­plo, tanto no trato com os bens materiais quanto no relacionamen­to com as pessoas e, em especial, com os mais pobres, que estão a seu serviço.

 

Bibliografia De Lima