Lição 09

 

26 de fevereiro de 2006

 

O cristão deve resistir às paixões mundanas

 

Texto Áureo

 

"E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas". 2Co 5.17

 

Verdade Aplicada

 

Onde houver um relacionamento conturbado, dilacerado, somos chamados a promover reconciliação.

 

Objetivos da Lição

 

Saber que amar as pessoas é a principal maneira de ser semelhante a Cristo;

 

Compreender que é impossível adorar a Deus com ressentimento, ódio e má vontade;

 

Entender que as atitudes de vingança só servem para corroer e destruir a nossa fé.


 

Texto de Referência

 

Tg 4.1  De onde procedem guerras e contendas que há entre vós ? De onde, senão dos prazeres que militam na vossa carne?

Tg 4.2  Cobiçais e nada tendes; matais, e invejais, e nada podeis obter; viveis a lutar e a fazer guerras. Nada tendes, porque não pedis;

Tg 4.3  Pedis e não recebeis, porque pedis mal, para esbanjardes em vossos prazeres;

Tg 4.4  Infiéis, não compreendeu que a amizade do mundo é inimiga de Deus? Aquele, pois, que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus;

Tg 4.5  Ou supondes que em vão afirma a Escritura: É com ciúme que por nós anseia o Espírito, que ele fez habitar em nós?

Tg 4.6  Antes, ele dá maior graça; pelo que diz: Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes.

Ajuda

 

Reprimenda contra os Desejos Mundanos (4:1-12).

 

A sabedoria falsa é força poderosa em favor do mal, conforme ficou demonstrado na lição anterior. Porém, mais prejudicial ainda para a inquirição espiritual é o desejo maligno e descontrolado; e esse é o tema que o autor sagrado agora passa a abordar e a repreender. Esta secção não demonstra qualquer unidade especial, pois o autor sagrado mistura muitas idéias, embora, de alguma maneira, alguma forma de desejo distorcido apareça por detrás de cada versículo.

Os versículos l-2b introduzem uma espécie de aforismo estóico, sendo bem possível que essas palavras foram tomadas por empréstimo de algum outro escritor. O que se segue, entretanto, é puramente religioso, no estilo judaico. Os homens que têm desejos conflitantes, nenhum deles santificados pela influência do Espírito de Deus, criam confusão em suas próprias vidas, bem como na vida da congregação local a que pertencem. Desejos conflitantes provocam guerras, entre nações ou indivíduos, ou mesmo entre facções de uma igreja local. Aqueles que se envolvem em tais dissensões, esquecem-se da grande chave mestra da conduta cristã: «Buscai primeiramente o Reino de Deus...» Mas buscam zelosamente as coisas de mero valor temporal, que são coisas inteiramente prejudiciais para a alma,, quando substituem os valores espirituais. É um dos elementos do paradoxo que é a natureza humana, que aquele que se esquece de seu bem estar espiritual, termina por anelar por coisas que são prejudiciais para sua alma. Contenta-se em seguir algo que lhe dá prazer imediato, e age como se os valores eternos não existissem, ou como se fossem secundários, sem importância. Sempre temos sido ensinados, e professados a crer que a vida digna de ser vivida é aquela que traz o bem para outros, que é expressão de amor e altruísmo. Porém, freqüentemente, vivemos exclusivamente para nós mesmos, e mesmo quando fazemos algo em favor de outrem, é porque temos algum motivo egoísta ulterior. Dessa maneira, não vivemos segundo a lei do amor, que exige que tomemos sempre em consideração a dimensão eterna.

É o desejo mau e egoísta que nos leva a olvidar e a ignorar os verdadeiros motivos da vida. O primeiro mandamento consiste em amar a Deus; o segundo mandamento nos ordena amar ao próximo e o trecho de Mt 25:35 e ss. mostra-nos que amamos a Deus quando amamos ao próximo, o que é realizado por feitos de generosidade em favor de nossos semelhantes. Porém, quando buscamos os próprios interesses e agimos somente em proveito próprio, dificilmente podemos viver segundo essa regra. Por conseguinte, os maus desejos, egoístas que o, frustram a lei do amor; e o resultado natural disso é o espírito contencioso.

 

"E os que são de Cristo crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscências" (Gl 5.24).

O servo de Deus precisa estar orando e vigiando para não se deixar dominar pelas paixões carnais.

Na lição 09, temos pesadas exortações contra os crentes que cedem às paixões carnais. Em muitas igrejas ocorre a situação que havia na igreja de Corinto, onde, não obstante os dons espirituais, havia muitos crentes carnais, que promoviam disputas entre eles, gerando um clima de baixo nível espiritual. Que Deus nos guarde desse espírito maligno.

 

Origem das guerras e pelejas nas igrejas

 

1. O Diabo. Ele tentou Jesus (Lc 4.2; Mt 4.1) e continua tentando os servos de Deus, provocando guerras e pelejas entre os crentes que dão lugar à sua ação. Ele anda "em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar" (1 Pe 5.8). Havendo guerras e pelejas, não há união e, sem esta, não há bênção. Devemos prevenir-nos contra as "astutas ciladas do diabo" (Ef 6.11).

2. A carne. Tiago, indagando de onde vêm as guerras e pelejas entre os crentes, responde que vêm dos deleites que guerreiam nos seus membros (v. 1). Paulo diz que os pecados "operavam em nossos membros" (Rm 7.5). Essas paixões ou deleites que operam nos nossos membros (a natureza carnal), tanto podem ser de origem sexual, como emocional e moral, as quais geram contendas. Alguém pode deleitar-se, em ver o mal ou a queda do outro. E prazer diabólico.

3. Desejo de poder. Esse desejo carnal de poder tem origem em Lúcifer, que, ao desejar tomar o lugar de Deus, imaginou-se grande (cf. Ez 28.2,17). Há muitos que, para "subir" nos cargos, procuram passar por cima dos outros, gerando guerras e pelejas desnecessárias. O melhor é humilhar-se sob a potente mão de Deus e ser exaltado por Ele a Seu tempo (Tg 4.10, 1 Pe 5.6).

4. Cobiça. O apóstolo diz: "Cobiçais e nada tendes" (v.2a). Cobiça é a "ambição desmedida de riquezas". E irmã da avareza. É o desejo incontrolável e malsão(Não sadio; doentio; insalubre) de obter dinheiro e outros bens materiais, não importando como. Isso é pecado. A Bíblia diz que "...o amor ao dinheiro é a raiz de toda espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé e se traspassaram a si mesmos com muitas dores" (1 Tm 6.10).

5. Invejas, "...sois invejosos e cobiçosos e não podeis alcançar" (v.2b). A inveja é prima da cobiça e da avareza. Esta palavra vem do la­tim invídia, (significando "desgosto ou pesar pela felicidade de outrem; desejo violento de possuir o bem alheio") (Dicionário Aurélio). Na Bíblia, inveja é "obra da carne" (Gl 5.21). Seja qual for o sentido, inveja é sentimento carnal e diabólico, sendo causa de guerras e contendas entre pessoas nas igrejas. O invejoso é um fraco, um escravo de si mesmo. Que Deus tenha misericórdia dessa gente, despertando-as para a conversão do seu eu.

 

Conseqüências das paixões humanas

 

1. Carência de bens espirituais. "Nada tendes, porque não pedis" (v.2c). O apóstolo falava a crentes que, ao invés de buscarem a Deus, em oração sincera, ficavam a guerrear entre eles, cobiçar o que era dos outros. Tudo isso gerava um clima de inquietação, que não motivava a adoração a Deus. Paulo, escrevendo aos filipenses, diz que devemos orar, suplicar e apresentar ações de graças, em lugar de inquietar-nos. Assim, teremos a paz de Deus (Fp 4.6,7).

2. Orações não respondidas. "Pedis e não recebeis" (v.3). No versículo anterior, o apóstolo diz que eles não pediam. Aqui, diz que pediam mas não recebiam. Por quê? A resposta é dada em seguida: “... porque pedis mal, para o gastardes em vossos deleites" (v.3). Em meio às guerras e pelejas internas, na igreja local, seus pedidos não tinham valor. Temos o direito de pedir o que quisermos ao Senhor, desde que o objetivo não seja egoísta, e, acima de tudo, seja para a glória de Deus. Jesus ensinou os discípulos a orar (ver Mt 6. 5-13).

3. Infidelidade espiritual. Tiago chamou aqueles crentes de "adúlteros e adúlteras" (v.4a). Podemos entender que se tratava de infidelidade espiritual, pois o apóstolo acentua que "a amizade do mundo é inimizade contra Deus". Entre aqueles crentes, não havia lugar para o Espírito de Deus. João diz que "Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele" (1 Jo 2.15). Esse amor ao mundo configura adultério ou infidelidade espiritual. Deus não aceita isso, em hipótese alguma. Jesus disse que "ninguém pode servir a dois senhores..." (Mt 6.24).

 

O relacionamento com Deus prejudicado

 

1. O Espírito tem ciúmes (v.5b). Apesar de certos estudiosos da Bíblia acharem que o versículo é ambíguo quanto ao termo Espírito, o cuidadoso e amplo estudo do contexto, acrescido das demais passagens correlatas, deixa claro tratar-se do Espírito Santo, que, ante a amizade do crente com o mundo, tem zelo extremo, entristecendo-se com esse "adultério" espiritual. As guerras e pelejas, próprias de carnais, sufocam a comunhão com o Espírito Santo.

2. "Deus resiste aos soberbos" (v.6a). O soberbo é o mesmo que orgulhoso. Este, na verdade, não tem nada de positivo em sua vida. De acordo com a Psicologia, orgulho é medo. O orgulhoso tem medo de não ser respeitado, de não ser reconhecido. Por isso, exalta-se a si mesmo, buscando a qualquer custo "honra e estima dos outros a fim de satisfazer o seu orgulho". Assim, em sua exaltação, perde a oportunidade de ser abençoado por Deus. E pior: encontra pela frente a resistência da poderosa mão de Deus. Ao contrário disso, diz Tiago que Deus "dá, porém, graça aos humildes".

 

Como evitar as paixões humanas

 

1. Sujeitando-se a Deus e resistindo ao Diabo (v.7). O apóstolo diz que devemos sujeitar-nos a Deus, resistindo ao Diabo, e este fugirá de nós. Sem a ação diabólica na igreja, não haverá lugar para guerras, pelejas e contendas.

2. Chegando-se a Deus (v.8). Estando perto de Deus, pela oração e comunhão, os crentes adquirem intimidade com o Senhor. Os sentimentos maus são afastados pela presença do Espírito de Deus.

3. Purificando o coração (v.8c). Davi disse que o jovem purifica o seu caminho e não peca, observando a Palavra de Deus e escondendo-a no coração (SI 119.9-11). Tiago exorta aos crentes pecadores a limparem seus corações e, aos de duplo ânimo, a purificar o coração. Isso afugenta as paixões humanas.

4. Sentindo as misérias (v.9). O apóstolo exorta a que os crentes carnais, cheios de inveja e cobiça, ao invés de pelejarem entre si, devem converter-se, sentindo suas misérias, através do lamento e do choro, tornando o riso da carne em pranto interior, e o gozo mundano em tristeza, atitudes essas que significam mudanças perante Deus.

5. Humilhando-se perante o Senhor (v.10). Já vimos que Deus dá graça aos humildes (v.6). Se os crentes se humilharem, Deus os exaltara. Se eles se exaltarem, serão humilhados. A humildade é a arma por excelência contra o orgulho, a inveja, a cobiça, as pelejas e guerras nas igrejas.

6. Não falar mal uns dos outros (v.11). Tiago ensina-nos que não devemos falar mal uns dos outros. Se o fizermos, passamos à condição de juizes da lei, tomando o lugar de Deus, o que é perigoso. Finalmente, o apóstolo conclui: "Tu, porém, quem és, que julgas a outrem?" (v,12b). Todos os meses, tomamos a Ceia do Senhor e o texto básico de 1 Co 11.31 diz que ali temos um momento apropriado em que devemos julgar a nós mesmos e não aos outros.

Fica bem claro que as guerras e pelejas entre os crentes, como manifestações das paixões humanas, têm sido utilizadas como instrumento de perturbação da obra do Senhor. O Adversário sabe que a igreja só marcha mais rápido, quando há união, amor, humildade, oração sincera e comunhão com Deus. Se ele conseguir prejudicar o clima espiritual, o caminho está aberto para o fracasso. Que Deus nos ajude a evitar esses males em nós mesmos e ao mesmo tempo combatê-los.