Lição 07

 

12 de fevereiro de 2006

 

O cristão deve guardar-se da maledicência

 

Texto Áureo

 

"De uma boca procede bênção e maldição. Meus irmãos, não é conveniente que estas coisas sejam assim". Tg 3.10

 

Verdade Aplicada

 

Uma língua desgovernada é um "mundo de iniqüidade", mas uma conversa sadia e inteligente é de valor inestimável.

 

Objetivos da Lição

 

Enfatizar que a conversa proveitosa é fruto de bons pensamentos e desejos;

Compreender que as palavras apenas revelam o que está no coração;

Reiterar o potencial de destruição da língua descontrolada.

 

Texto de Referência

 

Tg 3.1 Meus irmãos,   não vos torneis,   muitos de  vós,   mestres, sabendo   que  havemos  de  receber maior juízo;

Tg 3.2 Porque todos tropeçamos em muitas coisas. Se alguém não tropeça no falar, é perfeito varão, capaz de refrear também todo o corpo;

Tg 3.3 Ora, se pomos freio na boca dos cavalos, para nos obedecerem, também lhes dirigimos o corpo inteiro;

Tg 3.4 Observai, igualmente, os navios que, sendo tão grandes e batidos de rijos ventos, por um pequeníssimo leme são dirigidos para onde queira o impulso do timoneiro;

Tg 3.5 Assim, também a língua, pequeno órgão, se gaba de grandes coisas. Vede como uma fagulha põe em brasas tão grande selva!

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Ajuda Versículos

Ajuda 1

Ajuda 2

 

 

Na lição anterior aprendemos que Devemos praticar boas obras, não para sermos salvos, mas porque somos salvos. Nesta lição somos exortados a respeito do mal uso das palavras. Tiago nos aconselha a manter nossa língua sob irrestrita vigilância. É muito difícil dominar a língua. Muitos são os crimes cometidos com ela. Tanto podemos, com ela, bendizer como também amaldiçoar. Mas se quisermos atingir o perfil de varão perfeito (v.2), teremos que controlar nosso ímpeto e evitarmos o tropeço na palavra. Que Deus nos ajude a disciplinarmos nossa língua para que sirva de instrumento à Sua exaltação.

É muito difícil alguém não tropeçar em palavras. Às vezes, dizemos algo que não gostaríamos que saísse de nossos lábios. Quando percebemos, é tarde. É o que se, chama de ato falho, pois revela o que está no interior da pessoa e, muitas vezes, causa sérios problemas a quem diz e a quem ouve. Por isso, precisamos vigiar, santificando a língua, para que não venhamos a tropeçar por palavras.

 

A dificuldade em dominar a língua

 

a. Mais duro juízo aos mestres. Tiago aconselha que muitos não devem querer ser mestres, pois para estes está reservado "mais duro juízo" (v.l). Os mestres são "os pastores, dirigentes de igreja, missionários, pregadores da Palavra ou qualquer pessoa que ensine às congregações. O professor precisa compreender que ninguém na igreja tem uma responsabilidade maior do que aqueles que ensinam as Sagradas Escrituras. No juízo, os mestres cristãos serão julgados com mais rigor e mais exigência do que os demais crentes". Bom assunto para o nosso fórum.

b. O mestre tem que ser exemplo. É tarefa difícil ensinar na Igreja do Senhor. As pessoas empolgam-se com os ensinos bem ministrados, fundamentados e ilustrados, mas, depois, olham para a vida do pregador. "Assim falai e assim procedei, como devendo ser julgados pela lei da liberdade" (Tg 2.12).

c. O varão perfeito (v.l). O apóstolo diz que "todos tropeçamos em muitas coisas". Ele se incluía entre os que falhavam em muitas coisas, acrescentando que "se alguém não tropeça em palavra, o tal varão é perfeito e poderoso para também refrear todo o corpo". E isso não é fácil. Contudo, entregando nosso eu ao controle do Espírito Santo, Ele pode refrear nossos impulsos, inclusive a compulsão no falar.

d. É mais fácil dominar animais e navios (vv.3,4). Tiago diz que os cavalos e navios são dominados pelo homem e que, "toda a natureza, tanto de bestas-feras como de aves, tanto de répteis como de animais do mar, se amansa e foi domada pela natureza humana". Enquanto isso, "nenhum homem pode domar a língua" (v. 8). há uma solução: santificar a língua dizendo como Davi: "Põe, ó Senhor, uma guarda à minha boca; guarda a porta dos meus lábios" (SI 141.3).

 

Os males provenientes da língua

 

a. A língua é um fogo (v.6a). Tiago usa essa figura para mostrar que, assim, como um pequeno fogo pode incendiar um grande bosque (v. 5), "a língua também é um fogo; como mundo de iniqüidade", posta entre os nossos membros, "e contamina todo o corpo", "inflamada pelo curso do inferno". Realmente, na vida quotidiana, vemos que a língua serve de instrumento para propagação da mentira, das falsas doutrinas, da intriga, da inveja, das agressões verbais, dos impropérios, da fofoca, que tantos males têm causados às igrejas.

b. A dubiedade da língua (vv.9, 10). A língua "está cheia de peçonha mortal" (v.8c). Por isso, é preciso muito cuidado no falar, pois com a mesma língua com que "bendizemos a Deus e Pai", "amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus". Ainda que de uma mesma fonte não possa sair água doce e água amarga (Tg 3.11), ou de uma figueira sair azeitona, ou da videira sair figos (Tg 3.12), infelizmente, da mesma língua podem sair a bênção e a maldição. Não nos esqueçamos de que um dia cada um dará contas a Deus até das palavras ociosas. Jesus advertiu: "Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim; não, não, porque o que passa disso é de procedência maligna" (Mt 5.37).

 

Os crimes cometidos com a língua

 

a. A calúnia. Pode ser feita através da mentira, falsidade e invenção contra alguém. A lei jurídica brasileira prevê pena contra os caluniadores. É de admirar que, em muitas igrejas, quem calunia não sofre qualquer ação disciplinar e com isso o mal se avoluma, pois o caluniador é assim estimulado na sua tarefa maligna e destruidora dos valores alheios. Outros, da mesma índole, têm prazer em relembrar, comentar e espalhar fraquezas, imperfeições e pecados dos outros, servindo-se da língua. A Bíblia condena a calúnia (ler o SI 101.5). "Não dirás falso testemunho contra teu próximo" (Êx 20.16). (Ver Êx 23.7; Dt 5.20; Pv 19.9.) Hoje, há pessoas que estão desviadas dos caminhos do Senhor, porque foram vítimas de calúnia de algum irmão.

b. A difamação. Da mesma forma, é crime contra a honra, previsto no Código Penal Brasileiro. É perigoso o tropeço na palavra, falar contra a honra de alguém. Muitas vezes, o obreiro "passa a mão por cima" do difamador para nãoescândalo. Se alguém fuma é "cortado" da comunhão. Fumar é pecado contra o corpo, mas será isso mais grave que difamar alguém? Uma jovem contou que seu pastor excluiu-a da igreja, porque um irmão disse que ela estava namorando com um incrédulo, quando isto não era verdade. Nem sequer teve oportunidade de defesa. Enquanto isso, o difamador ficou normalmente nas atividades da congregação. A Bíblia diz: "Irmãos, não faleis mal uns dos outros" (Tg 4.11a).

c. A injúria. Jesus, no Sermão da Montanha, disse: "...e qualquer que chamar a seu irmão de raca (Termo injurioso empregado no Evangelho de S. Mateus. Significação primitiva: 'vazio', 'chocho' ou 'conspurcado'.) será réu do sinédrio; e qualquer que lhe chamar de louco será réu do fogo do inferno" (Mt 5.22b). Há uma atitude de dois pesos e duas medidas, em muitas igrejas, quando são punidos aqueles que adulteram ou roubam, mas ficam totalmente impunes os caluniadores, injuriadores e difamadores. Alguém responderá por isso no juízo de Deus.

 

Outros tropeçam na palavra

 

a. O boato. Originariamente, boato vem do latim boatu, significando "mugido ou berro de boi". Hoje, significa "notícia anônima, que corre publicamente sem confirmação; balela; rumor, zun zun zum". Há um demônio espalhando esse tipo de coisa em muitas igrejas. É o "ouvi dizer...", o "disse-me-disse", sinônimos de mexerico. é conhecida a história do homem que espalhou boato contra outro. Este, abatido, ficou doente. Depois, ficou provado que o fato não era verdade. O boateiro foi pedir perdão ao atingido pelanotícia. Este lhe disse: "Eu perdôo se você fizer duas coisas". O outro indagou: "O que?" Primeiro, que você pegue este saco de penas, suba o monte e deixe o vento levá-las". O boateiro disse: "Sim, isto é fácil. Faço logo". E o fez. Ao retornar, o homem doente lhe disse: "Agora, peço que faça a segunda coisa: vá e junte todas as penas que espalhou". O mentiroso disse: Ah! Isso é impossível! A Palavra de Deus condena esse tipo de mal uso da língua (ler Lv 19.16; Êx 23.1). Tenhamos cuidado com esse "mugido de boi" do Diabo!

b. A murmuração. Murmurar significa "dizer em voz baixa; segredar; censurar disfarçadamente; conversar, difamando ou desacreditando". Os demônios da murmuração estão soltos no meio de muitas igrejas. É crente falando contra o pastor e sua família e vice-versa; é obreiro falando contra outro; é esposa de obreiro murmurando contra esse ou aquele crente; quem gosta disso é o Diabo, causando tristeza e dissensões nas igrejas. Devemos ter cuidado, pois Deus ouve as murmurações (Êx 16.7,8; SI 31.13). A Bíblia ordena: "Fazei todas as coisas sem murmurações nem contendas" (Fp 2.14).

c. As palavras torpes. "Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, mas a que for boa para promover a edificação, para que graça aos que a ouvem?" (Ef 4.29). São palavras chulas, ou grosseiras; pornofonias (Palavra ou expressão obscena; palavrão); pornografias. Ou seja: aquilo relativo à prostituição, a coisas obscenas, (sejam por revistas, filmes, etc.), piadas grosseiras; anedotas que ridicularizam as coisas de Deus. Tudo isso leva o crente a tropeçar na palavra, usando a língua para agradar ao Diabo e entristecer o Espírito Santo.

Diante do que temos visto, o crente pode combater o tropeço na palavra, lendo a Palavra de Deus, deixando-se dominar pelo Espírito Santo, vigiando e disciplinando o falar. Usemos a língua para o bem (ler Ef 4.29), pois somos cidadãos dos céus e não devemos descer a linguagem ao nível diabólico. Devemos usar a língua para encorajar outros, louvar a Deus, e levar a mensagem do evangelho aos perdidos. Assim fazendo, dificilmente tropeçaremos em palavras.

 

Bibliografia De Lima