Semeando e colhendo Gl 6.6-10

 

Mas aquele que está sendo instruído na palavra faça participante de todas as cousas boas aquele que o instrui. 7Não vos enganeis: de Deus não se zomba; pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará. 8Porque o que semeia para a sua própria carne, da carne colherá corrupção; mas o que semeia para o Espírito, do Espírito colherá vida eter­na. 9E não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo ceifaremos, se não desfalecermos. 10Por isso, enquanto tivermos oportunida­de, façamos o bem a todos, mas principalmente aos da família da fé.

 

O apóstolo Paulo está chegando ao final de sua carta. Seus temas principais já foram apresentados. Tudo o que resta são algumas advertên­cias finais. À primeira vista, essas instruções e exortações parecem es­tar muito frouxamente ligadas entre si, quase totalmente desconexas. Um exame mais detalhado, no entanto, revelará o elo de ligação. É o grande princípio da semeadura e da colheita, apresentado de forma epigramática no versículo 7: Aquilo que o homem semear, isso tam­bém ceifará. Este é um princípio de ordem e coerência que se acha ins­crito em toda vida, material e moral.

 

A agricultura, por exemplo. Depois do dilúvio, Deus prometeu a Noé que, enquanto houvesse terra, haveria "sementeira e ceifa", isto é, a semeadura e a colheita não teriam fim (Gn 8:22). Se um lavrador deseja ter colheita, deve semear a semente no seu campo; caso contrá­rio, não haverá colheita. Além disso, o tipo de colheita que ele vai ob­ter é determinado de antemão pelo tipo de semente que ele semeia. Is­so acontece com a natureza, a qualidade e a quantidade. Se ele semear cevada, vai colher cevada; se semear trigo, colherá trigo. Semelhantemente, uma boa semente produz uma boa colheita, e uma semente ruim produz uma colheita ruim. Além disso, se ele semeia com abundância, pode esperar uma colheita abundante; mas se semeia parcamente, tam­bém vai colher parcamente (cf. 2 Co 9:6). Reunindo tudo, podemos dizer que se um lavrador deseja uma safra abundante de uma determi­nada semente, então, além de semear a semente adequada, esta deve ser boa e tem de ser semeada com abundância. Só assim ele pode espe­rar uma boa colheita.

 

Exatamente o mesmo princípio opera na esfera moral e na espiri­tual. Aquilo que o homem semear, isso também ceifará. Quem decide como será a colheita, não são os que colhem, mas os semeadores. Se um homem é fiel e consciencioso em sua semeadura, então pode confiantemente aguardar uma boa colheita. Se ele "semeia ventos", como costumamos dizer, só pode "colher tempestades"! Por outro la­do, "os que lavram a iniqüidade e semeiam o mal, isso mesmo eles segam" (Jó 4:8). Ou, como Oséias advertiu os seus contemporâneos (8:7), "porque semeiam ventos, segarão tormentas" (referindo-se ao juízo divino).

 

Este princípio é uma lei divina imutável. A fim de enfatizá-lo, o apóstolo o prefacia com uma ordem ("Não vos enganeis") e uma de­claração ("de Deus não se zomba").

 

A possibilidade de se enganar é mencionada diversas vezes no No­vo Testamento. Jesus disse que o diabo é um mentiroso e o pai da mentira, e advertiu os seus discípulos contra a possibilidade de serem enga­nados. João nos adverte, na sua segunda epístola, que "muitos enga­nadores têm saído pelo mundo fora". Paulo nos roga, em sua carta aos Efésios: "Ninguém vos engane com palavras vãs." Já em Gálatas ele pergunta aos seus leitores: "Quem vos fascinou?" (3:1) e fala da pessoa que "a si mesma se engana" (6:3).

 

Muitos se enganam acerca desta inexorável lei da semeadura e da colheita. Semeiam impensadamente, indiferentemente, cegos ao fato de que as sementes que estão lançando inevitavelmente produzirão uma colheita correspondente. Ou, então, semeiam semente de um tipo e aguardam uma colheita de outro tipo. Imaginam que de alguma for­ma vão se safar. Mas isso é impossível. Então Paulo acrescenta: de Deus não se zomba. A palavra grega aqui (muktērizō) é chocante. Deriva de uma palavra que significa nariz e quer literalmente dizer "torcer o na­riz para" alguém e, portanto, "zombar" ou "tratar com desprezo". A partir daí pode significar "brincar" ou "passar a perna" (Arndt-Gingrich). O que o apóstolo diz aqui é que os homens podem enganar a si mesmos, mas não podem enganar a Deus. Embora pensem que podem escapar desta lei da semeadura e colheita, eles não podem. Po­dem até continuar semeando suas sementes e fechando os olhos às con­seqüências, mas um dia o próprio Deus vai fazer a colheita.

 

Do princípio passamos para a aplicação. Há três esferas da expe­riência cristã nas quais Paulo vê o princípio operando.

 

1. Ministério Cristão (v. 6)

 

Mas aquele que está sendo instruído na palavra faça participante de todas as cousas boas aquele que o instrui. A palavra grega para "aquele que está sendo instruído na palavra" é ho katēchoumenos, o catecúmeno, alguém que "está aprendendo o Evangelho" (BLH). É assim que Lucas descreve Teófilo no prefácio do seu Evangelho (1:4).

 

Quer a instrução dada seja em particular, ou numa aula de catequese, na qual os convertidos são preparados para o batismo, ou a to­da uma congregação pelo seu pastor, o princípio é o mesmo: aquele que está sendo instruído na palavra deve ajudar a sustentar o seu mes­tre. Assim um ministro pode esperar ser sustentado pela congregação. Ele semeia a boa semente da Palavra de Deus e colhe o sustento.

 

Há pessoas que acham isso embaraçoso. Mas o princípio bíblico é enfatizado muitas vezes. O Senhor Jesus disse aos setenta que en­viou: "Digno é o trabalhador do seu salário" (Lc 10:7). E Paulo apli­ca explicitamente a metáfora da semeadura e da colheita para ensinar a mesma verdade: "Se nós vos semeamos as cousas espirituais, será muito recolhermos de vós bens materiais?" (1 Co 9:11).

 

Se o princípio for devidamente aplicado, mantém-se por si só. Ape­sar disso, devemos considerar seus dois possíveis abusos.

 

a. Abuso por parte do ministro

 

Lutero viu, no seu tempo, o perigo de obedecer a esta injunção apostólica com excessiva facilidade, pois a Igreja Católica Romana era muito rica devido ao dinheiro do povo, e "por causa dessa excessiva liberalidade dos homens, a avareza do clero aumentou". Semelhantemente, hoje, embora de poucos ministros se possa dizer que são excessivamente bem pagos, a imagem popular do ministro cristão (pelo menos no mun­do ocidental) parece ser que o seu emprego é confortável e seguro. Na linguagem moderna, ele fez "um bom negócio". E há uma certa ver­dade nisso. Alguns ministros cristãos são tentados pela preguiça, e al­guns sucumbem à tentação. Na Inglaterra os ministros são classifica­dos como "autônomos". Ninguém exatamente supervisiona o seu tra­balho. Por isso acontece freqüentemente eles se tornarem indolentes. É compreensível, portanto, que Paulo, embora declarasse a ordem do Senhor "aos que pregam o evangelho, que vivam do evangelho" (1 Co 9:14), tenha renunciado o seu próprio direito pregando o evange­lho de graça e ganhando o seu sustento como fabricante de tendas. Quem sabe maior número de ministros devesse tentar fazer o mesmo hoje, a fim de corrigir a impressão de que os ministros entram para o ministério "apenas pelo que podem tirar dele". Mas o princípio bí­blico é claro, que o ministro deve ficar livre do trabalho secular para se dedicar ao estudo e ao ministério da Palavra e para cuidar do reba­nho que lhe foi confiado. Como disse Lutero: "É impossível que um homem trabalhe dia e noite para ganhar o seu sustento e, ao mesmo tempo, se dedique ao estudo das sagradas letras, como exige o ofício do pregador".

 

Haverá algum jeito de proteger-se desse abuso? Vejamos o que é dito em 1 Timóteo 5:17: "Devem ser considerados merecedores de do­brados honorários os presbíteros que presidem bem, com especialida­de os que se afadigam na palavra e no ensino. Pois a Escritura declara: Não amordaces o boi, quando pisa o grão. E ainda: O trabalhador é digno de seu salário." Não é uma coisa particularmente lisonjeira, tal­vez, comparar o pregador a um boi que pisa o grão! Mas ele também é chamado de "trabalhador", ou operário. A palavra grega é forte e indica aquele que "labuta" na Palavra com todas as suas forças e meios, procurando entendê-la e aplicá-la. Talvez a pregação esteja em declí­nio na igreja de hoje porque nós fugimos do trabalho duro que ela en­volve. Mas se o ministro se entrega ao ministério com a energia de um trabalhador, semeando a boa semente nas mentes e nos corações da congregação, então ele pode esperar a sua subsistência material.

 

b. Abuso por parte da congregação

 

Se o princípio de a congregação pagar o ministro pode incentivá-lo a se tornar preguiçoso e negligente, da mesma forma a congregação po­de se sentir tentada a controlar o ministro. Algumas congregações exer­cem uma positiva tirania sobre o seu pastor e quase o chantageiam a pregar o que querem ouvir. Ele é pago para isso, dizem; portanto deve dançar de acordo com a música. E, se o ministro tem esposa e família para sustentar, sente-se tentado a ceder. Naturalmente ele não deve ce­der a tais pressões, mas a congregação também não deve colocá-lo em tal situação. Se o ministro semeia com fidelidade a boa semente da Pa­lavra de Deus, por mais desagradável que a congregação possa achá-lo, ele tem o direito de receber o seu sustento. A congregação não tem autoridade de reduzir o seu salário só porque ele se recusa a reduzir suas palavras.

 

O relacionamento certo entre mestre e discípulo, ou entre ministro e congregação, é o de koinōmia, "comunhão" ou "sociedade". Por isso Paulo descreve: "Mas aquele que está sendo instruído na palavra faça participante (koinōneitō) de todas as cousas boas aquele que o instrui." Ele partilha as coisas espirituais com seus discípulos, e estes partilham as coisas materiais com ele. O Bispo Stephen Neill comenta: "Isso não deve ser considerado um pagamento. A palavra 'partilhar' é uma excelente palavra cristã que é usada para a nossa comunhão no Espírito Santo".

 

2. Santidade Cristã (v. 8)

 

Porque o que semeia para a sua própria carne, da carne colherá corrupção; mas o que semeia para o Espírito, do Espírito colherá vida eter­na. Esta é uma outra esfera na qual opera o princípio da "semeadura e colheita". Paulo passa do particular para o geral, dos ministros cris­tãos e o seu sustento para o povo cristão e o seu comportamento mo­ral. Ele retorna ao tema da carne e do Espírito, o qual examinou em certa extensão em Gálatas 5:16-25. Ali, em Gálatas 5, a vida cristã é comparada a um campo de batalha, e a carne e o Espírito são dois com­batentes em guerra um contra o outro. Mas aqui, em Gálatas 6, a vida cristã é comparada a uma propriedade rural, e a carne e o Espírito são dois campos em que nós semeamos. Além disso, a nossa colheita de­pende de onde e o quê nós semeamos.

 

É um princípio de santidade vitalmente importante e muito negligenciado. Não somos vítimas indefesas de nossa natureza, tempera­mento e ambiente. Pelo contrário, o que nos tornamos depende prin­cipalmente de como nos comportamos; nosso caráter é formado pela nossa conduta. De acordo com Gálatas 5, o dever do cristão é "andar no Espírito"; de acordo com Gálatas 6, é "semear para o Espírito". Assim o Espírito Santo é comparado ao caminho pelo qual andamos (Gl 5) e ao campo no qual semeamos (Gl 6). Como podemos esperar colher o fruto do Espírito se não semeamos no campo do Espírito? O velho adágio é verdadeiro: "Semeie um pensamento, colha um ato; se­meie um ato, colha um hábito; semeie um hábito, colha um caráter; semeie um caráter, colha um destino." Isso é bom e é bíblico.

 

Vamos examinar os dois tipos de semeadura possíveis, isto é, "se­mear para a carne" e "semear para o Espírito".

 

a. Semeando para a carne

 

Vimos que a nossa "carne" é a nossa natureza caída, "com as suas paixões e concupiscências" (5:24), a qual, se não for controlada, manifesta-se nas "obras da carne" (5:19-21). Essa natureza caída existe em cada um de nós e permanece em nós, mesmo depois da conversão e do batismo. É um dos campos de nossa propriedade rural humana em que podemos semear.

 

"Semear para a carne" é trabalhar para ela, acariciá-la, aconchegá-la e afagá-la, em vez de crucificá-la. As sementes são principalmente pensamentos e atos. Toda vez que permitimos que a nossa mente abrigue um ressentimento, acalente uma queixa, entretenha uma fantasia impura ou chamafurde na autopiedade, estamos semeando para a car­ne. Toda vez que permanecemos em má companhia a cuja influência insidiosa sabemos que não poderemos resistir, toda vez que permane­cemos na cama quando deveríamos nos levantar para orar, toda vez que lemos literatura pornográfica, toda vez que assumimos um risco que cria dificuldades para o nosso autocontrole, estamos semeando, semeando, semeando para a carne. Há cristãos que semeiam para a carne todos os dias e ficam se perguntando porque não colhem santi­dade. A santidade é uma colheita; colher ou não colher depende quase inteiramente do que e onde semeamos.

 

b. Semeando para o Espírito

 

"Semear para o Espírito" é o mesmo que "o pendor do Espírito" (Rm 8:6) e "andar no Espírito" (Gl 5:16,25). Além disso, as sementes são nossos pensamentos e atos. Devemos "buscar" as coisas de Deus e "pensar" nelas, "cousas lá do alto, não nas que são aqui da terra" (Cl 3:1,2; compare com Fp 3:19). Com os livros que lemos, a compa­nhia que desfrutamos e o lazer que buscamos, podemos "semear para o Espírito". Devemos, então, incrementar hábitos disciplinados de de­voção na vida particular e pública, na oração e leitura diária da Bíblia, e no culto junto com o povo do Senhor no dia do Senhor. Tudo isso é "semear para o Espírito"; sem isso não pode haver colheita do Espí­rito, ou "fruto do Espírito".

 

Paulo traça uma diferença entre as duas colheitas, como também entre as duas semeaduras. Os resultados são apenas lógicos. Se semear­mos para a carne, "da carne colheremos corrupção", isto é, vai haver um processo de decaimento moral. Iremos de mal a pior e finalmente pereceremos. Se, por outro lado, semearmos para o Espírito, vamos "do Espírito colher vida eterna": vai iniciar-se um processo de cresci­mento moral e espiritual. A comunhão com Deus (que é a vida eterna) vai se desenvolver agora até que se aperfeiçoe na eternidade.

 

Portanto, se desejamos colher santidade, nosso dever é duplo. Pri­meiro, devemos evitar semear para a carne, e, segundo, devemos continuar semeando para o Espírito. Devemos eliminar sem piedade a pri­meira, concentrando nosso tempo e energias no segundo. É uma outra forma de dizer (como em Gl 5) que devemos "crucificar a carne" e "andar no Espírito". Não há outro meio de crescer em santidade.

 

3. A Prática do Bem do Cristão (vs. 9, 10)

 

E não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo ceifaremos, se não desfalecermos. Por isso, enquanto tivermos oportunidade, faça­mos o bem a todos, mas principalmente aos da família da fé. O assunto muda um pouco da santidade pessoal para a prática do bem, a ajuda aos outros, as atividades filantrópicas na igreja ou na comunidade. Mas o apóstolo trata disso também sob a metáfora da semeadura e colheita.

 

Certamente é preciso algum incentivo para a prática do bem. Paulo reconhece isso, pois ele insiste com os seus leitores em que "não se cansem" nem desanimem (cf. 2 Ts 3:13). O serviço cristão ativo é um tra­balho cansativo e exigente. Somos tentados a desanimar, a relaxar e até mesmo a desistir.

 

Por isso o apóstolo nos dá este incentivo, ao dizer-nos que fazer o bem é como semear. Se perseverarmos semeando, então "a seu tempo ceifaremos, se não desfalecermos". Se o lavrador se cansar de semear, deixando metade do seu campo sem sementeira, vai colher apenas a me­tade. O mesmo acontece com as boas obras. Se desejamos uma colhei­ta, então temos de concluir a semeadura e temos de ser pacientes, como o lavrador que "aguarda com paciência o precioso fruto da terra,.." (Tg 5:7). Como disse John Brown: "Os cristãos freqüentemente agem como crianças com referência a essa colheita. Gostariam de semear e colher no mesmo dia."

 

Se a semeadura é a prática das obras na comunidade, o que será a colheita? Paulo não nos diz; ele nos deixa adivinhar. Mas a paciente prática do bem na igreja ou na comunidade sempre produz bons resultados. Pode produzir consolo, alívio ou assistência a pessoas necessi­tadas. Pode levar um pecador ao arrependimento e à salvação; o pró­prio Jesus falou dessa obra, chamando-a de semeadura e colheita (Mt 9:37; Jo 4:35-38). Pode ajudar a deter a deterioração moral da socie­dade (esta é a função do "sal da terra") e até mesmo torná-la um lugar mais doce e mais saudável de se viver. Pode aumentar o respeito dos homens pelo que é bonito, bom e verdadeiro, especialmente nos nos­sos dias, quando os padrões estão baixando. Trará igualmente o bem ao que o pratica: não a salvação (pois esta é um dom livre de Deus), mas alguma recompensa no céu pelo seu trabalho fiel, que provavelmente assumirá a forma de serviço de ainda maior responsabilidade.

 

Por isso, prossegue Paulo (versículo 10), considerando que a se­meadura da boa semente resulta em uma boa colheita, enquanto tiver­mos oportunidade (e a nossa vida na terra está cheia de tais oportuni­dades), façamos o bem a todos, mas principalmente aos da família da fé. Esta família consiste de nossos companheiros crentes, que compar­tilham conosco a "fé igualmente preciosa" (2 Pe 1:1) e que são nossos irmãos e irmãs na família de Deus. Como diz o velho ditado, "a cari­dade começa em casa", para com os que reivindicam nossa primeira atenção; também a caridade cristã nunca deve parar aí. Devemos amar e servir os nossos inimigos, disse Jesus, não apenas os nossos amigos. Assim, "a perseverança em fazer o bem" é uma característica do ver­dadeiro cristão, uma característica tão indispensável que será conside­rada como evidência de fé salvadora no dia do juízo (veja Rm 2:7).

 

Conclusão

 

Consideramos as três esferas da vida cristã às quais Paulo aplica o seu inexorável princípio de que "aquilo que o homem semear, isso tam­bém ceifará". Na primeira, a semente é a Palavra de Deus, semeada pelos mestres nas mentes e corações da congregação. Na segunda, a semente são nossos próprios pensamentos e atos, semeados no campo da carne ou do Espírito. Na terceira, a semente são as boas obras, se­meadas nas vidas de outras pessoas na comunidade.

 

E, em cada caso, embora a semente e o solo sejam diferentes, a semeadura é seguida pela colheita. O mestre que semeia a Palavra de Deus vai colher o seu sustento; é propósito de Deus que seja assim. O pecador que semeia para a carne vai colher corrupção. O crente que semeia para o Espírito vai colher vida eterna, uma comunhão cada vez mais profunda com Deus. O filantropo cristão que semeia boas obras na comunidade vai fazer uma boa colheita nas vidas daqueles a quem serve e terá uma recompensa para si mesmo na eternidade.

 

Em nenhuma dessas esferas podemos zombar de Deus. Em cada uma delas opera o mesmo princípio, invariavelmente. E, consideran­do que não podemos enganar a Deus, somos tolos se tentarmos nos enganar a nós mesmos! Não devemos ignorar nem resistir a esta lei, mas aceitá-la e cooperar com ela. Devemos ter o bom senso de permi­tir que ela governe as nossas vidas. "Aquilo que o homem semear, isso também ceifará." Devemos esperar colher o que semeamos. Portanto, se queremos ter uma boa colheita, devemos semear e continuar semean­do a boa semente. Então, no devido tempo, a colheita virá.

 

Bibliografia J. Stott