A IMPORTÂNCIA DA EPÍSTOLA AOS GÁLATAS NA ATUALIDADE

 

De início, pode-se considerar difícil achar muita relevância atual nu­ma Epístola dirigida a uma situação específica num grupo de igrejas cris­tãs do primeiro século, ameaçado por um perigo que pertencia essencial­mente ao mundo daqueles tempos: o perigo de o cristianismo tornar-se estultifícado como um ramo do judaísmo. Por mais direto e poderoso que tenha sido o apelo histórico de Paulo a fim de libertar os cristãos da circuncisão judaica, esta questão já é assunto liquidado. Em poucas das de­mais Epístolas de Paulo, ou talvez em nenhuma delas, o argumento é tão estreitamente ligado a uma questão historicamente superada quanto nes­ta Epístola. Mesmo assim, a despeito do seu cenário histórico local, sua apresentação de princípios cristãos eternos tem sido reconhecida. Esta foi, sem dúvida, o motivo de sua conservação e de sua inclusão incondicio­nal no cânon cristão. Antes de discutir a importância da Epístola para o século XX, será valioso considerar três exemplos históricos notáveis da sua aplicação a condições alteradas, a fim de ilustrar a busca contínua de rele­vância, sob vários pontos de vista.

Foi na primeira metade do século II que Márciom lançou seu grande desafio à igreja cristã ao estabelecer tema organização rival, que mesmo assim alegava estar mais perto da verdadeira posição apostólica. Este não é o lugar adequado para discutir a natureza da heresia marcionita, mas é digno de nota que ele colocou a Epístola aos Gaiatas encabeçando sua lis­ta de Epístolas paulinas, por formar a base da sua abordagem anti-judaica. Márciom, portanto, considerava a questão da circuncisão como sendo típica de um antagonismo geral ao judaísmo. A despeito do fato de que a exegese de Márciom era falha, sua alta estima por esta Epístola é um tes­temunho relevante à necessidade sentida, não apenas pelos ortodoxos, mas também pelos hereges, de compreenderem a Epístola de modo a en­contrar nela uma aplicação geral ou contemporânea.

De muito maior relevância é o papel desempenhado por esta Epís­tola na Reforma, especialmente no pensamento e nos escritos de Martinho Lutero. Seu comentário da Epístola é uma exposição notável da doutrina da Reforma, e em muitas das suas outras obras a influência desta Epísto­la é inegável. Na sua batalha feroz contra as doutrinas papistas ele via nes­ta Epístola uma ilustração do seu próprio papel na situação. Considerava os judaizantes como exemplos dos legalistas na religião; e, portanto, como exemplos de qualquer sistema religioso em que a aproximação de Deus ti­nha como base exigências legalistas. Lutero sabia por experiência própria que o sistema monástico representava uma escravidão tão grande quanto a situação confrontada pelos gálatas. A justificação pela fé foi a resposta de Paulo à situação deles e veio a ser igualmente a resposta de Lutero. Não é de admirar que este se tornasse o tema principal da sua pregação. O trata­mento dado a esta Epístola por Lutero, embora fortemente condiciona­do pelos seus próprios problemas contemporâneos, aponta o caminho pa­ra a relevância moderna da Epístola. O cristianismo legalista tem-se ma­nifestado de muitas formas desde os dias de Lutero, mas o exegeta moder­no não pode achar outra maneira mais eficaz para tratar do mesmo. Permanece tão verídico hoje quanto era naquela época que qualquer forma de legalismo leva à escravidão e toda e qualquer forma de escravidão é estranha ao cristianismo conforme Paulo o entendia. O estudante moder­no da Epístola aos Gálatas deve ficar profundamente agradecido a Marti­nho Lutero por ter descoberto sua verdadeira relevância.

Nosso terceiro exemplo pertence à era da crítica moderna. O críti­co de Tübingen, F. C. Baur, assim como Márciom, achou esta Epístola muito a seu gosto, a ponto de fornecer-lhe um padrão eficaz, conforme pensava, para medir a autenticidade das demais Epístolas paulinas. Sua premissa fundamental de uma antítese entre o cristianismo paulino e petrino, uma vez adotada, foi ilustrada basicamente por meio desta Epís­tola. Esta abordagem, no entanto, estava muito distante da interpretação tradicional, e pode ser citada como representando a crítica radical do século XIX que continua ainda a ter certa repercussão em nosso próprio século. A teoria de antítese, desenvolvida por Baur, não é mais pratica­mente considerada hoje, mas foram poucos os que durante todo o perío­do da crítica moderna não concordaram com sua opinião elevada da car­ta de Paulo aos Gálatas. Vale a pena notar que uma abordagem recente às Epístolas de Paulo, muito semelhante ao tipo de crítica de Baur, tam­bém estabelece Gálatas como a norma para medir a autenticidade. A. Q. Morton começa seu estudo das cartas de Paulo (cf. Christianity and the Computer (1964) 24ss.), asseverando que a Epístola aos Gálatas é dema­siadamente individualista para ser uma falsificação, e, portanto, fornece um exemplo admirável para o estudo estatístico do estilo de Paulo. Como resultado desse estudo, Morton declara que dentre todas as Epístolas de Paulo, somente cinco são autênticas. Seu método e suas conclusões podem ser questionados, mas sua alta opinião desta Epístola não será dis­cutida.

Estas ilustrações da adaptação da nossa Epístola segundo pontos de vista totalmente diferentes nos lembram do perpétuo interesse que há nela, e fornecem em alguns casos uma advertência contra o uso de pressu­posições errôneas na sua exegese.

É apropriado considerar se esta Epístola tem qualquer relevância especial para os meados do século XX e se pode ser ainda considerada uma das maiores âncoras da fé cristã. Este estudo nos levará a uma considera­ção da aplicação moderna dos princípios mais importantes enunciados por Paulo na Epístola.

 

(a) Uma advertência séria contra o legalismo. Não há dúvida que os judaizantes na Galácia eram pessoas sinceras, acreditando honestamente que o melhor procedimento possível para os gentios era serem circuncidados de modo a se tornarem membros genuínos do povo da Aliança e leais seguidores do sistema legal judaico. Isto era tanto mais confirmado em suas mentes pelo fato de os cristãos gentios reconhecerem como suas as Escritu­ras judaicas e pelo apelo constante a essas Escrituras na exegese da Igreja primitiva. Para os cristãos judaicos sinceros parecia, portanto, natural, que os gentios devessem ser absorvidos pelo judaísmo. Estavam tão condi­cionados a uma abordagem legalista que não enxergavam os seus perigos e nem mesmo a ameaça fatal que ela representava para a existência do pró­prio cristianismo.

Os legalistas modernos não são menos sinceros nem menos errados. Esta Epístola deve ser considerada um desafio para todos os que fazem parte da Igreja Crista professa, no sentido de examinarem seus princípios básicos. Ninguém negaria que na sua história passada a igreja tenha sido seriamente enfraquecida pelo formalismo, e não há razão para duvidar que o formalismo religioso continua como uma ameaça básica à prospe­ridade da Igreja. Qualquer abordagem do cristianismo que dependa da ob­servância rígida de regras externas como meio de salvação, não está em melhores condições do que aquela que os gálatas corriam o perigo de ado­tar. O rápido declínio na freqüência à igreja na Grã-Bretanha durante o sé­culo XX tem sido parcialmente devido à insatisfação cada vez maior com uma abordagem simplesmente formalista. Se o cristianismo não consiste em mais do que a presença formal no lugar de culto, sua deficiência no mundo complexo da segunda metade do século XX torna-se imediatamen­te aparente. O declínio na freqüência à igreja é na maior parte das vezes uma condenação da Igreja e não da presente geração. Que mensagem o apóstolo Paulo teria dado numa situação dessas? Visto existir uma ligação estreita entre a questão da circuncisão e o formalismo religioso em qual­quer época, pode ser seguramente esperado que sua resposta seria a mesma. Na sua maneira de pensar, a salvação só poderia resultar da fé pessoal, o que tornava o cristianismo um fator vivo e poderoso. Sempre que a doutri­na da justificação pela fé é tanto proclamada como aceita, o cristianismo torna-se uma influência dinâmica nos afazeres humanos, tanto individual como coletivamente.

Mesmo assim, o método legalista tem seus atrativos. Se o caminho para a justiça consiste em deveres bem definidos que podem ser verifica­dos, é uma questão mais simples para o indivíduo aplicar-se de todo o coração a semelhante procedimento fixo, do que exercer a disciplina de uma fé pessoal. Além disto, forçosamente surgirá confusão se a consciên­cia individual for sobrecarregada com assuntos em demasia. Os judaizantes na Galácia podiam indicar a Lei como seu padrão e esperar obediência à mesma. Paulo substitui tal conceito com o fruto do Espírito, e já não apela para um código legal, mas, sim, a um organismo vivo. Para o após­tolo, havia uma forte antítese entre eles, mas na Igreja moderna as antíte­ses fortes tendem a ser enfraquecidas na tentativa de encontrar uma base comum para a unidade eclesiástica. Paulo não conseguia conceber como uma abordagem formalista pudesse fazer parte de uma fé pessoal. É mui­to provável que uma das tarefas mais urgentes da Igreja moderna seja con­siderar a relevância da doutrina da justificação pela fé como uma base para a unidade eclesiástica.

Um estudo desta Epístola, devido à tendência moderna cada vez maior de desconsiderar a obra dos Reformadores, é de especial importân­cia. No caso de a doutrina dos Reformadores não ter lugar na teologia mo­derna, esta Epístola, na mesma conformidade, terá menor significado. A totalidade do seu argumento doutrinário é tão integrante à doutrina dos Reformadores que se torna impossível reter a Epístola e rejeitar a doutri­na. Não há dúvida alguma de que qualquer tentativa no sentido de trans­por o abismo entre as Igrejas Protestantes e a Igreja de Roma deverá ine­vitavelmente começar com a desvalorização da obra dos Reformadores. Seria bastante difícil realizar tal coisa com integridade do ponto de vista histórico, mas é impossível fazê-lo caso a importância permanente da Epístola deva ser mantida. A não ser que a justificação deixasse de ser in­teiramente pela fé e fique provado que Paulo estava enganado, não pode haver união essencial entre os grupos de cristãos que acreditam que a acei­tação diante de Deus é mediada pela fé em Cristo e aqueles que impõem exigências tais como a da absolvição sacerdotal.

 

(b) Outra tendência dos tempos modernos é o crescimento da libertinagem. A idéia de um código ético ao qual se possa razoavelmente esperar que os membros da sociedade se conformem está sendo despresti­giada. A liberdade do indivíduo tornou-se mais importante do que o bem-estar da sociedade como um todo. Até que ponto esta Epístola transmite uma mensagem para uma época que está sendo cada vez mais dominada pela nova moralidade? À primeira vista, pode parecer que as referências de Paulo à liberdade que obtivemos em Cristo apóiam a reivindicação da liberdade individual. Paulo não está porém nesta Epístola do lado dos no­vos moralistas. Ele deixa perfeitamente claro que a liberdade não deve ser usada como ocasião para a carne (5:13). Pelo contrário, o ensino de Paulo acerca da carne é uma resposta suficiente para aqueles que desejam abolir restrições morais consagradas pelo tempo. Muita coisa pode ter-se alterado no padrão das realizações intelectuais e culturais do homem, mas a "car­ne", como Paulo a compreendia, ainda permanece sem mudança. O con­ceito da verdadeira liberdade para a era espacial não é diferente daquele que satisfazia as necessidades dos tempos de Paulo. Por esta razão, a rele­vância moral desta Epístola não pode ser ressaltada em demasia.

Ao invés de afrouxar os padrões, o apóstolo favorece o inverso. O tipo de cristianismo que ele defendia faz exigências rigorosas ao homem, a despeito do seu antilegalismo. A exigência principal é o exercício do amor. É o primeiro entre os frutos do Espírito (5:22). E o antídoto às obras da carne (5:19ss.). É a salvaguarda contra o uso errado da liberdade cristã, uma vez que considera o serviço prestado aos outros de maior valor do que a auto-satisfação (5:13-14). Está disposto a carregar os fardos dos outros (6:2) e a dedicar-se à prática do bem em benefício do próximo (6:9-10). Ele é além disto acompanhado por outros frutos do Espírito (5:22). A total negação da carne é expressa vividamente por Paulo na sua declaração: "Estou crucificado com Cristo" (2:19). Não se trata, pois, de qualquer padrão ético incompleto, já superado pelo homem moderno, a ponto de não mais precisar de tais exortações. A situação é bem diversa. O desafio de Paulo à sua época aplica-se melhor ainda à nossa. Se menos liberdade de auto-expressão e mais das tremendas exigências e responsa­bilidades da vida cristã conforme retratadas nesta Epístola fossem ensina­das aos adolescentes, os problemas que nossa sociedade enfrenta seriam drasticamente reduzidos. A falta de disciplina moral não pode deixar de produzir uma colheita cada vez maior daquilo que o apóstolo chama de "obras da carne". Não há outra resposta à delinqüência crescente em nossos dias senão a resposta encontrada por Paulo — a crucificação da carne, com as suas paixões e concupiscências (5:24).

 

(c) Uma pesquisa importante é descobrir até que ponto o modo como Paulo tratou da situação dos gálatas foi ditatorial e se sua atitu­de pode fornecer qualquer padrão para o século XX. Quanto à primei­ra pergunta, não se pode negar que Paulo mostrou-se incisivo. Não ha­via questão de complacência ou meios-termos no caso. Paulo vê o assun­to como uma questão de vida ou morte, e não hesita em empregar a fran­queza de linguagem. Não havia dúvida em sua mente quanto à impossi­bilidade de coexistência pacífica dentro da Igreja gentia entre um partido que exigia a circuncisão e outro que prescindia dela. Ele via claramente que o primeiro grupo não representava de modo algum o cristianismo pu­ro, devendo ser portanto, vigorosamente excluído. O movimento moder­no pró união da Igreja faria bem em refletir, antes de mostrar-se demasiadamente generoso na sua atitude para com grupos de pontos de vista dife­rentes, se existe qualquer perigo de comprometer a posição cristã verdadei­ra conforme o conceito da Igreja apostólica. O apóstolo Paulo acreditava na necessidade de adotar uma atitude firme nas questões de doutrina bem como nas de disciplina, pois somente assim uma Igreja forte poderia ser edificada. Como é natural, há uma diferença entre a geração de Paulo e a nossa no que diz respeito à autoridade. Ele podia reivindicar uma auto­ridade apostólica que nenhum líder moderno pode reivindicar. Mesmo assim, a única base segura para a liderança teológica e moral na Igreja do século XX é uma confirmação da autoridade do testemunho apostólico.

 

(d) Outro fator de interesse considerável é o uso feito por Paulo do Antigo Testamento nesta Epístola, e sua importância para as aborda­gens modernas. O uso de Paulo pode ser resumido em três categorias. A primeira é a citação direta. Ele faz isso um pouco menos freqüentemen­te na Epístola aos Gálatas do que em algumas das suas outras Epístolas, mas quando o faz fica evidente que cita o mesmo com autoridade. Ao dis­cutir a posição de Abraão, Paulo personifica a Escritura (3:8), consideran­do que ela possuía o poder da previsão. Esta transferência da presciência de Deus para a Escritura é altamente relevante por revelar o conceito de Paulo de que quando a Escritura fala, fala com a voz de Deus. Há algo desta autoridade por detrás da fórmula: "Está escrito" (ou "permanece escrito", conforme a tradução de Lutero). Ela é usada em 3:10 para uma citação de Deuteronômio 27:26, referindo-se à maldição da lei. Outra pas­sagem do mesmo livro (Dt 21-23) é introduzida por meio da mesma fór­mula (3:13). Ocorre outra vez em 4:21 e 4:27 no decurso da exposição da alegoria acerca de Agar e Sara, e nesta última ocasião para uma cita­ção de Isaías 54:1. No mesmo contexto o apelo é feito àquilo que a Es­critura diz (4:20) numa citação de Gênesis 21:10-12. Na parte prática da Epístola há um só citação direta (5:14 de Lv 19:18). Às vezes a Escritu­ra é citada sem qualquer fórmula introdutória, como, por exemplo, em 3:6,11.

O segundo uso do Antigo Testamento é visto nas alusões indiretas. Às vezes, não passa de um possível eco da linguagem do Antigo Testa­mento como em 1:15, onde a linguagem relembra Isaías 49:1 e Jeremias 1:5; ou 2:16 onde as palavras são um eco de Salmos 143:2. Nas deduções feitas do uso do singular ao invés do plural, em 3:15-16, Paulo toma por certo que seus leitores terão conhecimento da promessa veterotestamentária a Abraão e ao seu descendente (singular). Em Gálatas 6:16 parece ha­ver uma alusão à linguagem de Salmos 125:5. Estes exemplos são evidên­cia da alta estima que Paulo tinha pela linguagem da Escritura, e da manei­ra como ela influenciava a linguagem dele.

O terceiro uso da Escritura é aquele da alegoria, da qual o inciden­te de Sara e Agar é um exemplo. O método de Paulo de deduzir princípios espirituais de incidentes do Antigo Testamento ao tratá-los como sendo alegóricos realmente acha aqui o seu exemplo mais notável. Na verdade, ele quase não faz uso dele em outras partes das suas Epístolas, o que deve le­var à cautela antes de chegar à conclusão de que o método era normal no ensino de Paulo. Mesmo assim, o fato de ele tê-lo usado é evidência suficiente de que o considerava válido. É importante, no entanto, notar uma clara distinção entre o uso que Paulo fazia da alegoria e o de Filo, porque, diferentemente deste último, Paulo trata as personagens desta alegoria como sendo históricas. De fato, a discussão depende mais do relaciona­mento histórico entre Sara e Agar e Isaque e Ismael do que do significa­do alegórico deduzido.

Surge o problema de até que ponto o uso que Paulo fez do Antigo Testamento deve ser normativo para a exegese moderna. Há uma tendên­cia para desconsiderar a alegoria por ser um método não-científico, e o apelo ao Antigo Testamento como autoridade é igualmente rejeitado. Mas, será o método de Paulo assim tão antiquado? No caso de existir qualquer continuidade entre o cristianismo e a antiga ordem — e não se pode negar que Cristo e seus apóstolos acreditavam que havia — o exegeta moderno deve ficar tão certo quanto Paulo acerca do método de interpretação a seguir. Na base em que Paulo trata o incidente de Sara e Agar, fica evidenciado que em sua opinião a Escritura transmitia uma interpre­tação tanto literal quanto alegórica. Em certo sentido, a relevância do evento histórico deve ser encontrada numa repetição de circunstâncias análogas, também na história, mas com um grupo diferente de persona­gens. Não há dificuldade em ver o relacionamento entre Isaque e Ismael como sendo uma representação daquele que havia entre o espírito de li­berdade da abordagem de Paulo e o espírito de escravidão dos judaizantes. Este método está muito removido da alegorização altamente imagina­tiva daqueles Pais primitivos que se deixaram influenciar pelo pensamen­to grego. Na epístola de Barnabé, por exemplo, o número dos servos de Abraão torna-se simbólico de um modo completamente estranho ao con­texto histórico.

 

CONCLUSÃO

 

Caso a igreja moderna deva ter qualquer associação com a igreja apostólica, não é necessário dizer que o conteúdo desta Epístola conti­nua sendo tão importante hoje quanto o foi sua contribuição à igreja do primeiro século. Ela tem sido descrita, com razão, como sendo a carta magna da liberdade cristã, e enquanto seus ensinamentos forem obedeci­dos, o cristianismo jamais ficará sujeito a qualquer tipo de servidão.

 

Bibliografia D.Guthrie