Lição 07

 

18 de Agosto de 2013

 

Fugindo do método farisaico de educação

 

Texto Áureo

 

“Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Pois que dais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho e desprezais o mais importante da lei, o juízo, a misericórdia e a fé; deveis, porém, fazer essas coisas e não omitir aquelas”. Mt 23.23

 

Verdade Aplicada

 

O Lar Cristão é um lugar onde vivem filhos de Deus que devem criar e formar outros filhos de Deus e para Deus, portanto, os métodos disciplinares devem ser aplicados com justiça, misericórdia e fé.

 

Objetivos da Lição

 

      Insistir na necessidade de haver no lar coerência entre dis­curso e prática;

      Alertar sobre os riscos e perigos de sobrecarregar o cônjuge e os filhos com exigências excessivas;

      Ensinar que qualquer pes­soa, inclusive as criancinhas, precisam receber a Cristo como Salvador e Senhor para poderem viver como filhos de Deus.

 

Textos de Referência

 

Mt 23.1      Então, falou Jesus à multidão e aos seus discípulos,

Mt 23.2      dizendo: Na cadeira de Moisés, estão assentados os escribas e fariseus.

Mt 23.3      Observai, pois, e prati­cai tudo o que vos disserem; mas não procedais em conformidade com as suas obras, porque dizem e não praticam.

Mt 23.4      Pois atam fardos pe­sados e difíceis de suportar, e os põem sobre os ombros dos homens; eles, porém, nem com o dedo querem movê-los.

Mt 23.5      E fazem todas as obras a fim de serem vistos pelos ho­mens, pois trazem largos filactérios, e alargam as franjas das suas vestes.

 

Ajuda Versículos

 

Ajuda 1

 

Ajuda 2

 

Ajuda 3

 

Ajuda 4

 

 

Jesus Denuncia a Hipocrisia Mt 23

 

Cerca de trezentos anos antes do nascimento de Cristo, as conquistas de Alexandre Magno trouxeram a cultura grega à Palestina. No decorrer do tempo, escolas, teatros e ginásios gregos começaram a aparecer pelo país afora. Modos de vida gregos tornaram-se populares, especial­mente entre as classes mais altas.

 

Ao mesmo tempo, o espírito grego, com seus padrões e pontos de vista mundanos, ameaçava sufocar a religião de Israel e obliterar as distinções entre judeus e pagãos. Para interromper esta maré de paganismo, grupos de pes­soas reuniam-se para sustentar os padrões da lei de Moisés. Eram os chamados “hasidim”, ou “povo da santidade”. Mais tarde vieram a ser chamados “fariseus”, ou seja, “povo separado”. No tempo de Cristo, reuniam-se já em fraternidades com iniciações e graus. Cada cidade tinha sua fraternidade de fariseus.

 

No começo, inspiravam-se em puro zelo pela glória de Deus. Mas, como tantas organizações religiosas, foram finalmente se deteriorando até merecerem fortes denúncias, estudadas nesta lição.

 

Devemos mais acautelar-nos contra o espírito dos fariseus que estudarmos os seus pecados. Ver Lc 18.9 16 e Gl 6.1. O partido dos fariseus não existe mais, porém o espírito do farisaísmo ainda anda solto. As inconsistências denunciadas nesta lição podem ser achadas em qualquer grupo que faça alta profissão de espiritualidade e santidade. A humildade deve levar cada um a perguntar-se: “Será que meu comportamento está à altura daquilo que professo?

 

O Espírito dos Fariseus (Mt 23.1-12)

 

“Na cadeira de Moisés estão assentados os escribas e fariseus. Observai, pois, e praticai tudo o que vos disse­rem”. Os escribas eram os ensinadores oficiais da lei e, nesta situação, deviam ser obedecidos. Os discípulos de Cristo devem obedecer às autoridades. São elas por Deus instituídas. Se não podemos respeitar o homem, respeite­mos seu cargo.

 

Jesus acrescenta uma palavra de cautela: “Mas não procedais em conformidade com as suas obras”. Eram inconsistentes, “porque dizem e não praticam”. Pregavam os severos requerimentos da lei e sequer davam exemplo de ajudar os outros a carregar o fardo. A melhor pregação é uma vida abnegada.

 

Amavam as aparências. Praticavam boas obras para “serem vistos pelos homens”, não por amor a Deus. Con­fira Mateus 6.1-18. Amavam a posição e o louvor (v. 6). O honroso título, Rabi, soava-lhes como música.

 

Os versos 8-11 devem ser entendidos à luz do verso 12. Jesus não proíbe o devido respeito a líderes e ensinadores; “rabi”, “mestre” e “pai” eram formas antigas e comuns de tratamento a certos líderes (2 Rs 2.12; At 22.1). Jesus critica o amor à eminência, a paixão por tais títulos. Ver 1 Pe 5.3.

 

Ensina-nos Jesus que o autêntico serviço é a verdadei­ra dignidade. Um antigo soberano, no seu leito de morte, disse a seu filho: “Tome este cetro. Lembre-se de que você é pai do seu povo e deve tratar os súditos como a filhos; as pessoas não nasceram para servir você, mas a você foi destinado servi-las; o rei fica só, destacado aos demais, a fim de que possa servir a todos”. Ler Lc 22.22-27; Jo 13.1-13; Fp 2.5-11.

 

O Ensino dos Fariseus (Mt 23.13-22)

 

Jesus lança oito “ais”, como relâmpagos, contra aque­les líderes religiosos. São pronunciados não com amargu­ra, mas com tristeza. Lastima o Senhor a sorte dos peca­dores, mesmo quando forçado a condená-los. Ver verso 37. Além disso, são os “ais” advertências proféticas, cla­ros avisos das consequências dos seus atos e caráter.

 

1. Um empecilho à verdade (v. 13). Os fariseus adota­ram a atitude do cachorro na manjedoura. Não somente se recusaram atender o convite do Evangelho, como procu­ravam impedir a outros. Qual o pior pecado dos judeus? Ver 1 Ts 2.16; confira At 13.44,45.

 

2. Motivos mercenários (v. 14). Alguns dos escribas eram como os ensinadores descritos em 2 Timóteo 3.6. Tiravam vantagens da sua reputação de santidade para extorquir dinheiro de mulheres ingênuas, referência pro­vável aos subterfúgios usados para obter heranças de ricas viúvas. Este mau costume infiltrou-se até na Igreja, no século quinto, de tal modo que o imperador romano Justiniano viu-se obrigado a decretar leis proibindo aos clérigos de terem posses.

 

3. Zelo fanático (v. 15). Os fariseus eram proselitistas fanáticos. Mas nenhum rio surge mais alto que sua fonte. Os convertidos tornaram-se iguais àqueles que os chama­ram à conversão: estreitos, superficiais, hipócritas. Ou piores. Porque novos convertidos muitas vezes mostram- se mais extremados que os seus ensinadores. Certo co­mentarista estabeleceu diferença entre “prosélito” e “con­vertido”. O primeiro termo sugere associação externa com algum grupo; o segundo indica renovação interior.

 

4. A perversão da lei (vv. 16-22). Ao aplicarem a lei aos problemas humanos, os fariseus eram culpados de evasivas e falsas distinções; podem ser comparados com habilidosos advogados que procuram evitar a força da lei claramente entendida através de artifícios técnicos e lacunas. Esta maneira de enfrentar as leis de Deus é chamada “casuística”.

 

Por exemplo, um israelita acusado de violar um jura­mento solene pode responder: “Você não se lembra que jurei pelo Templo? Segundo os nossos ensinadores, tal juramento não me obriga. Tivesse jurado pelo ouro do Templo, e a situação teria sido diferente”. Ver Mt 15.1-9.

 

“Há muitos hipócritas na igreja!” Quem não tem ouvi­do esta acusação de pessoas não-convertidas que recusam aceitar o Evangelho? A desculpa, no entanto, contém frequentemente tanta insinceridade, que nos sentimos ten­tados a responder: “Não seja isso problema para você - sempre há lugar para mais um!” Afinal de contas, quem faz a objeção sabe que nenhuma organização é livre de membros indignos. A imperfeição da política não o impe­de de votar; a existência de “curandeiros” não o impede de procurar ajuda médica; os complôs de advogados de­sonestos não desencorajam a sua busca de conselho legal. E o fato de um dia alguém ter-lhe passado uma cédula falsa não diminuiu seu desejo pelo dinheiro!

 

A despeito de possuir membros indignos, a Igreja é instituição divina, e tem sido uma bênção para a raça humana. O fato de haver um Judas no grupo dos apósto­los não é argumento contra as reinvindicações de Cristo. Por outro lado, as vidas piedosas dos demais e sua fideli­dade até à morte são um forte argumento em prol da realidade do Evangelho. E homens assim nunca têm falta­do à Igreja. Os trens expressos melhor indicam a excelên­cia dos serviços de um caminho de ferro do que o vagão descarrilado. As multidões de pessoas piedosas perten­centes à Igreja são a melhor evidência de sua natureza do que algum caso de colapso espiritual.

 

A prática dos Fariseus (Mt 23.23-36)

 

A prática dos fariseus caracterizava-se pelo formalismo. Um rei judeu do primeiro século a.C. descreveu-os como “homens pintados”, ou seja, o que mostravam externa­mente não revelava a sua verdadeira natureza.

 

1. Quanto aos dízimos. A lei dos dízimos era aplicada somente aos produtos mencionados em Deuteronômio 14.23: azeite, trigo e vinho. Mas os fariseus, ávidos por mérito adicional, aplicavam Levítico 27.30 às menores ervas: hortelã, endro e cominho. Não eram, porém, tão escrupulosos quanto à observância de fundamentos tais como a justiça, a misericórdia e a fé. Note que Jesus não lhes condena o dizimar: “Deveis, porém, fazer estas coi­sas, e não omitir aquelas”.

 

“Condutores cegos! que coais o mosquito e engolis um camelo [animal impuro, segundo a lei]”. Para os fariseus, coar o vinho era um ato religioso; engolir um mosquitinho torná-los-ia impuros. Daí, a expressão “coar um mosquito” veio a representar escrupulosidade cerimonial. O extremo zelo dos fariseus acerca de ninharias, entretanto, prestava-se muitas vezes a cobrir sua carnalidade. Na véspera da Páscoa, os sumos sacerdotes não queriam entrar no pretório de Pilatos porque já se tinham purificado cerimonialmente e receavam contaminar-se (Jo 18.28). E intentavam praticar ali um assassinato, pelas mãos dos romanos!

 

“As coisas primeiras no primeiro lugar” é uma boa regra. “Coar o mosquito e engolir o camelo” caracteriza as pessoas muito preocupadas com detalhes e negligentes quanto às questões de importância. Na índia, um provér­bio fala de engolir um elefante e engasgar-se com uma pulga. Este mau hábito pode ser visto em muitas formas. Há os zelosos pela etiqueta social e relapsos à verdadeira bondade. Outros criticam o vestir e o lazer, mas vivem eles mesmos a engordar suas próprias vontades e a prati­car a cobiça.

 

Nas igrejas, existem pessoas que minuciosamente ob­servam o ritual, mas negligenciam o espírito da devoção; lutariam contra a mínima infração à ortodoxia, mas não têm fé viva. Tais pessoas, enquanto engolem camelos, cuidam de coar mosquitos nos copos dos outros.

 

Pessoas que falsamente professam religião são escru­pulosas acerca das formas porque pensam obter assim reputação de santidade sem pagar o preço. Necessitam elas que se lhes revelem a hipocrisia. Precisam de uma visão maior da vida espiritual, que os engaje na luta contra os grandes pecados. Infrutíferas contendas acerca de ninharias dariam lugar a grandes vitórias.

 

Lembre-se que Jesus tomou o cuidado de acrescentar: “Não omitir aquelas”, para fechar o escape àqueles dese­josos por ver-se livres de responsabilidades secundárias. Um aluno com nota baixíssima desculpou-se, dizendo que seus atrasos deviam-se às suas devoções particulares. O professor corrigiu-o: “É seu dever planejar as ativida­des de modo que uma não venha a interferir na outra. A frequência ao culto não é justificativa para deixar de fazer os deveres escolares, nem estes desculpa para faltar ao culto”. Quem leciona a uma grande classe não está isento de instruir os filhos em casa. Uma vida cristã consistente vale mais que a frequência nos cultos. Mas deve-se frequentar a igreja. Os deveres religiosos, grandes e peque­nos, devem ser combinados. EBDAREIABRANCA

 

2. Quanto às cerimônias. “Limpais o exterior do copo e do prato, mas o interior está cheio de rapina e de iniquidade” (v. 25). Não está Jesus a censurar a limpeza externa ou as lavagens cerimoniais exigidas pela lei de Moisés. Insiste Ele na verdadeira santidade, a limpeza do coração. A higiene, por mais excelente virtude que seja, não substitui a piedade.

 

Segundo o declarado no livro de Levítico, o contato com um cadáver causava impureza cerimonial. Nos dias de Cristo, os túmulos eram regularmente caiados, para serem evitados pelos piedosos (vv. 27,28).

 

Há forte ironia nas palavras do Senhor. Imaginavam os fariseus lhes desse sua escrupulosa observância cerimoni­al aparência de santidade. Jesus, todavia, mostra que o exagerar de atos piedosos externos era evidência de corrupção. O coração do homem é enganoso!

 

Na maioria dos casos, não eram os fariseus conscien­temente hipócritas: enganavam-se a si mesmos. Daí a repreensão: “Fariseu cego!” Podem as igrejas de hoje abrigar pessoas assim. A longa familiaridade com coisas religiosas pode levá-las a considerar sua profissão externa real espiritualidade.

 

Conta-se que certo evangelista colocava sua Bíblia em cima das outras coisas, na mala de viagem, a fim de que o inspetor da alfândega visse que ele era um homem “religio­so” e não procurasse os artigos não declarados embaixo, sobre os quais incidiriam multas. Sem dúvida, o evangelista continuava a pregar, mas não sabemos como podia fazê-lo em sinceridade. A hipocrisia mina o poder espiritual e intro­duz no testemunho da pessoa uma nota dissonante. A nossa espiritualidade está por fora ou por dentro?

 

3. A respeito de honrar os profetas (vv. 29-63). Os fariseus honravam os antigos profetas que morreram, en­quanto sua atitude para com Jesus demonstrava estarem prontos a assassinar os profetas vivos.

 

Os fariseus enfeitavam os túmulos dos profetas e fala­vam com reverência acerca deles. Em tom piedoso, decla­ravam: “Se tivéssemos vivido nos dias de nossos pais, não teríamos sido seus cúmplices no sangue dos profe­tas”. Diante de Jesus, porém, demonstravam não serem melhores que seus pais.

 

Olhando o futuro, Jesus percebe a fúria perseguidora dos fariseus dirigida contra os discípulos, trazendo sobre o povo castigo divino. E tudo aconteceu conforme a pro­fecia do Mestre. Certo estudioso judeu percebe em Jesus amargura e dureza na sua condenação aos fariseus: “Com entusiasmo predizia a sua chegada no inferno”. Mas esta ideia é contrária aos fatos! Os versos 37-39 comprovam virem as palavras de um coração partido.

 

A melhor maneira de honrar os profetas é obedecê-los. A julgar pelas atitudes do povo judeu nos dias de Jesus, é de se imaginar que julgavam profeta bom o profeta mor­to. Nos dias de Moisés, os heróis da fé eram Abraão, Isaque e Jacó; mas não Moisés, a quem o povo queria apedrejar. Perguntando-se ao povo, nos dias de Samuel, quais os verdadeiros servos do Senhor, responderiam: “Moisés e Josué”, mas não Samuel. Nos dias de Cristo, todos os profetas eram reverenciados, mas não o próprio Filho de Deus com os seus discípulos. Honramos hoje grandes pregadores do passado: Edwards, Finney, Moody, Spurgeon e outros. Mas, como tratamos os pregadores vivos, que nos repreendem pelos nossos pecados e exor­tam-nos a avançar a um nível mais alto de espiritualida­de? Afinal, é mais fácil edificar túmulos do que seguir de coração os ensinamentos espirituais.

 

Bibliografia Myer Pearlman