Lição 09

 

26 de Fevereiro de 2012

 

Jacó sobe a Betel e edifica um altar a Deus

 

Texto Áureo

 

“E edificou ali um altar, e cha­mou aquele lugar El-Betel; porquanto Deus ali se lhe tinha manifestado, quando fugia da face de seu irmão”. Gn 35.7

 

Verdade Aplicada

 

Não haverá nenhuma virtude em nosso despertamento se ele não nos levar a obedecer a Deus.

 

Objetivos da Lição

 

      Ensinar o poder da Palavra de Deus;

      Mostrar que Deus sempre alcança seu objetivo; e

      Acrescentar o desejo da busca do avivamento.

 

Textos de Referência

 

Gn 35.1     Depois, disse Deus a Jacó: Levanta-te, sobe a Betel e habita ali; faze ali um altar ao Deus que te apareceu quando fugiste diante da face de Esaú, teu irmão.

Gn 35.2     Então, disse Jacó à sua família e a todos os que com ele estavam: Tirai os deuses estranhos que há no meio de vós, e purificai-vos, e mudai as vossas vestes.

Gn 35.3     E levantemo-nos e subamos a Betel; e ali farei um altar ao Deus que me respon­deu no dia da minha angústia e que foi comigo no caminho que tenho andado.

Gn 35.4     Então, deram a Jacó todos os deuses estranhos que tinham em suas mãos e as ar­recadas que estavam em suas orelhas; e Jacó os escondeu debaixo do carvalho que está junto a Siquém.

Gn 35.5     E partiram; e o terror de Deus foi sobre as cidades que estavam ao redor deles, e não seguiram após os filhos de Jacó.

 

Ajuda Versículos

 

Ajuda 1 Visão da Escada

 

Jacó Volta a Betel (35.1-15)

 

Jacó tinha permanecido por alguns anos em Siquém como vimos na lição anterior, talvez por causa de vantagens econômicas. Mas parece que foi preciso outra profunda experiên­cia (mística) espiritual, para fazê-lo voltar à sua terra, Hebrom (Gn 37.1). Voltaria para casa, mas antes faria uma parada em Betel, onde edificaria outro altar e receberia mais instruções divinas. Quase trinta anos antes, Jacó tinha feito um voto e uma promessa em Betel (Gn 28.20,21). Agora, ele deveria renovar seus votos e seus propósitos espirituais. Jacó havia comple­tado um ciclo, indo de Berseba a Padã-Arã, e, então, voltou à área de Berseba ou Hebrom, lugares esses onde Abraão e Isaque tinham residido, os quais ficavam a cerca de sessenta quilômetros um do outro. Ver Gn 28.10 quanto à partida de Jacó de Berseba. Jacó havia completado suas peregrinações pelo estrangeiro, e agora era instruído a voltar para casa, cena de uma nova missão.

 

“Dois temas percorrem o capítulo trinta e cinco: término e correção. Temos aqui uma história de término, porque Jacó estava de volta à Terra Prometida, com sua família e com todas as suas riquezas; a vitória tinha sido ganha, o alvo tinha sido atingido, e a promessa divina tinha tido cumprimento. Mas também temos aqui uma história de correção, porquanto seus familiares não se tinham apegado completamente ao andar de acordo com a fé: ídolos tiveram de ser enterrados, e Rúben precisou ser disciplinado” (Allen P. Ross, in loc.).

 

Parece que Betel se tinha tornado um santuário, um lugar de peregrinação, e que era um dos centros da crescente nova fé, o Yahwismo.

 

35.1  Disse Deus. Isso pode ter ocorrido de várias maneiras: 1. por meio de um sonho; 2. mediante algum tipo de experiência mística ou extática, como uma visão; 3. através de uma experiência intuitiva; 4. ele vira o Anjo do Senhor; 5. ou como uma manifestação do Logos, no Antigo Testamento. Por diversas vezes, no decorrer da vida de Jacó, a orientação divina lhe foi dada sob a forma de uma intervenção, por estar ele na linha do Pacto Abraâmico (ver em Gn 15.18). Depois dele, Judá (filho de Lia) tornar-se-ia o próximo elo na corrente que resultou no Messias. O que sucedia a Jacó, pois, era importante para o surgimento da nação de Israel e da linhagem messiânica. Daí por que ele foi homem de muitas visões e de uma iluminação divina específica, alguém que recebia uma orientação toda especial.

 

As palavras-chave, “disse Deus”, são reiteradas por muitas vezes no livro de Gênesis, provendo um dos motivos mais centrais desse livro, o qual destaca continuamente a providência divina. O nome divino, aqui usado, é Elohim.

 

Uma Obediência Tardia. Jacó tinha descido de Padã-Arã a fim de voltar para sua terra. Mas acabou demorando-se em Siquém, talvez por razões pecuniárias vantajosas. Então ocorreu o infeliz episódio que envolveu Diná, bem como a horrenda matança dos súditos de Hamor, pelos filhos de Jacó. Jacó poderia ter evitado esse triste lance de sua vida, se tivesse obedecido prontamente, voltando diretamente para sua terra, depois que deixara o territó­rio de Labão.

 

De Volta a Betel. Ver Gn 12.8; 13.3; 28.19 e 31.13 quanto a referências anteriores a Betel, neste primeiro livro da Bíblia. Jacó tivera uma poderosa experiência mística ali, quando deixava sua terra para ir ter com Labão (Gn 28.11 ss.). Talvez o lugar se tivesse tornado um santuário e lugar de peregrinações. A volta de Jacó ao lugar foi uma espécie de volta às suas raízes espirituais. Foi ali que ele recebeu a confirma­ção do Pacto Abraâmico, e agora haveria de receber outra confirmação desse pacto. Mui provavelmente, Betel se tinha tornado um centro de promoção da nova fé, o Yahwismo. A fé messiânica estava em desenvolvimento, juntamente com a nação de Israel.

 

Agora, Jacó corria perigo em Siquém, motivo pelo qual era sábio, mesmo à parte de qualquer diretiva divina, abandonar aquele lugar. Jacó havia feito um voto solene em Betel, e embora já se tivessem passado quarenta e dois anos desde então, ele não o esquecera (Gn 31.13). Jacó pode ter caído em um lapso em Siquém, mas nem por isso abandonara o seu propósito. Betel ficava a apenas vinte e quatro quilômetros de distância de Siquém. A indiferença de Jacó para com seu voto (pelo menos por algum tempo) pode ter sido a causa espiritual do incidente que envolveu Diná (Gn 34).

 

Jacó Tinha Fugido de Esaú. Jacó tinha deixado o lar paterno, em Berseba, por ter furtado de Esaú a bênção de Isaque, e correra o perigo de ser assassinado pelo indignado Esaú (Gn 27.43 ss.). Aquela tinha sido uma crise da qual Jacó escapara sem sofrer represálias, porquanto a presença do Senhor estava com ele. Cada marco importante de sua vida ficou assinalada pela presença de Deus.

 

35.2  Disse Jacó à sua família. Foi o patriarca, sob orientação do Senhor, que exigiu que houvesse mudanças para melhor. E também foi ele quem disse: “Va­mos a Betel". Deus estava transformando cada vez mais Jacó, para que ele pudesse avançar espiritualmente.

 

Lançai fora os deuses estranhos. Terá, pai de Abraão, tinha sido um ho­mem idólatra (Js 24.2). Raquel furtara os terafins ou ídolos do lar de Labão (Gn 31.19). Assim, formas de idolatria prosseguiram paralelamente à adoração a Elohim, a despeito do surgimento gradual da nova fé, o Yahwismo. Porém, haveria de chegar o tempo de romper definitivamente com os costumes antigos. Esses costumes só morrem aos poucos, lentamente. A Reforma Protestante foi uma época em que certos segmentos da Igreja abandonaram certas formas de idolatria, embora novas formas não tivessem demorado a tomar o lugar das mais antigas.

 

Purificai-vos, e mudai as vossas vestes. Isso serviu de símbolo da renova­ção espiritual que estava prestes a ocorrer. Houve um novo começo em Betel. Todo ser humano, sem importar quão espiritual já seja, e sem importar seus empreendi­mentos espirituais, precisa de renovações ocasionais, de novos votos, de um zelo renovado, de uma nova determinação, de novos projetos, de novos costumes e de novas ideias. É fácil para o homem ficar estagnado em velhos costumes, velhas ideias, velhas bases, velhas realizações. Algumas vezes, o que é novo requer uma mudança de localização geográfica, conforme foi o caso de Jacó, neste passo bíblico. Declarou Sêneca: “O que precisamos é de uma mudança de mentalidade, e não de uma mudança de ares (ou seja, de uma nova localização geográfica)”. Todavia, algumas vezes o que é novo também requer uma mudança de ares.

 

Purificai-vos. Talvez indicando a necessidade de alguma espécie de rito puri­ficador, o que, sem dúvida, fazia parte das práticas religiosas de Jacó. Um costu­me do hinduísmo é que as pessoas devem mudar de roupa antes de adorarem. As roupas de trabalho são trocadas por roupas de adoração.

 

As coisas aqui mencionadas foram institucionalizadas sob a legislação mosaica. Ver Êx 19.10; Jz 8.24.

 

A renúncia aos deuses estranhos (Js 24.14-18,23) incluía os terafins ou ído­los do lar (Gn 31.19). É natural que incorporemos costumes e ideias à nossa religião. O sincretismo sempre fará parte da fé religiosa, e todos estamos envolvidos nessa prática, reconheçamos ou não esse fato. A fé religiosa no Brasil é um exem­plo significativo de várias formas de sincretismo. Mas fatalmente chega o dia em que os estrangeirismos, injetados em nossa fé religiosa, precisam fenecer. As roupas precisam ser trocadas. Corpo, alma e espírito (mente) precisam ser purificados.

 

35.3  Subamos a Betel. Ver Gn 28.11 ss. quanto às experiências passadas de Jacó naquele lugar. Fora em Betel, nos dias de sua pior aflição, que ele teve o sonho-visão da escada cujo topo chegava ao céu (veja na ajuda 1), por onde subiam e desciam anjos de Deus. Jacó tinha erigido ali um altar naquele dia, jurando que se dedicaria ao Senhor. Mas isso havia acontecido muitos anos atrás. As primeiras intenções tinham-se tornado vagas. Ele tinha ido residir no território de Labão; mas, apesar disso, segundo se supõe, não havia abandonado a sua fé. Contudo, não se importara muito com a pureza da fé entre seus familiares, a ponto de tolerar a existência de ídolos. “E quando voltou à sua terra, não foi para Betel, e, sim, para Siquém, um lugar mais ameno” (Walter Russell Bowie, in loc.). Mas agora ele partia para Betel; agora partia para casa; agora haveria purificação e mudança. Se isso tivesse acontecido sete ou oito anos antes, talvez Diná tivesse sido poupada da desgraça pela qual passou, e nunca tivesse havido a matança de Hamor e sua gente, uma desgraça para Jacó e toda a sua família.

 

No dia da minha angústia. Uma alusão aos dias em que Esaú queria matá-lo, se tivesse permanecido em Berseba, por haver-lhe furtado a bênção de Isaque, por meio de um golpe astucioso (Gn 27.6 ss.). Jacó tinha fugido de Berseba em grande angústia de alma, mas não demorou a ser encorajado por meio de seu encontro com a presença divina, em Betel (Gn 28.11 ss.).

 

35.4  Os deuses estrangeiros... e as argolas. Ou seja, os terafins que Raquel havia furtado (Gn 31.19), juntamente com os amuletos, os objetos mágicos (as argolas faziam parte da coleção). Alguns estudiosos dizem que não se tratava de argolas usadas pelas mulheres (e por alguns homens hoje em dial), pois seriam argolas para serem postas nas imagens, ou então argolas especiais, usadas pelos idólatras quando se ocupavam em suas cerimônias, mediante as quais honravam a certas divindades. O Targum de Jonathan alude às “argolas usadas nas orelhas dos habitantes da cidade de Siquém, que tinham formas parecidas com os seus ídolos”. Nesse caso, na casa de Jacó tinham sido adotadas essas formas de idolatria. Alguns eruditos incluem aqui cartas astrológicas, mas a astro­logia pertencia mais ao Egito e à Babilônia, requerendo habilidades matemáticas que a família de Jacó dificilmente possuiria.

 

Agostinho (Epist. 73) mencionou brincos (argolas) tanto de homens quanto de mulheres, que eram usados em certas formas de idolatria e de demonismo.

 

Aarão fabricou o bezerro de ouro a partir de brincos (e, sem dúvida, de outros objetos), segundo se lê em Êxodo 32.2-4, e a idolatria, eliminada em uma época, é renovada em outra. Israel nunca se viu inteiramente livre, nem está livre a Igreja atual, nem mesmo os crentes individuais.

 

Debaixo do carvalho. O próprio carvalho (ou um carvalhal) fora transforma­do em lugar de adoração idolátrica, onde presumivelmente se reuniam as divinda­des e onde poderiam ajudar os homens a resolver os seus problemas. É provável que esteja em pauta o carvalho ou carvalhal de Moré, ver em Gn 12.7. Ver também Dt 11.30. Alguns estudiosos não identifi­cam os carvalhos de Gn 12.6,7 com o deste texto. Não há como ter certeza sobre a questão. O carvalho era uma árvore que “com frequência permanecia por muitos anos, antes de ser cortado e usado com propósitos religiosos; pois, como eram tidos em grande veneração, raramente eram cortados” (John Gill, in loc.).

 

35.5  O terror de Deus. Jacó e seus familiares fugiram, como que para poupar a vida, por haverem os filhos de Israel liquidado os heveus de Siquém. O trecho de Gn 34.30 mostra-nos que Jacó temia ataques, por ter-se tornado “odioso” aos olhos de seus vizinhos. Mas a providência de Deus havia trazido alguma forma de terror sobrenatural que impunha temor aos habitantes da região, os quais também não atacavam a Jacó. Cf. Gn 23.6 e 30.8. Quão frequentemente precisamos de jornadas misericordiosas, mediante a proteção de Deus.

 

O terror de Deus é “uma expressão derivada da guerra santa (Êx 23.27; Js 10.10), e era um pânico misterioso que paralisava o inimigo” (Oxford Annotated Bible).

 

35.6  Luz. Esse era o nome antigo de Betel.

 

Terra de Canaã. Ver Gn 23.19 quanto à experiência anterior de Jacó naquele lugar. O trecho de Juízes 1.26 mostra que os hititas ou heteus tinham ali um centro seu.

 

Em Betel, Jacó fora livrado de ataques por parte de seus inimigos, e agora estava passando para uma nova fase de sua vida. A obediência aos seus votos haveria de produzir um novo dia.

 

35.7  E edificou ali um altar. Essa questão de altares tem grande importância no Gênesis. Ver Gn 8.20; 12.7,8; 13.4,18; 22.9; 26.25; 33.20; 35.1,3,7. Mais de quarenta anos antes, Jacó havia erigido um altar naquele lugar. Teria ele soerguido o mesmo altar, ou erigido um novo altar? Tal pergunta fica sem resposta.

 

El-Betel. No hebraico, Ei-Beth-el, ou seja, “o Deus da casa de Deus”. Jacó havia sido admitido à casa de Deus, e ali viu as maravilhas de Sua graça e providência, além de ter recebido os alicerces para a nova fé. Esse título Deus adotara para Si mesmo (Gn 31.13).

 

Deus. No hebraico, Elohim. Ali o Senhor tinha aparecido a Jacó. Temos aqui um plural de majestade, que não tem por intuito apontar para o politeísmo.

 

35.8  Morreu Débora. Ela figura pela primeira vez na Bíblia, sem a menção de seu nome, em Gn 24.59. Ela foi uma escrava de Rebeca, que lhe fora dada para acompanhá-la, desde que viera para casar-se com Isaque. A história de Débora tinha começado em algum ponto não mencionado. Vinha acompanhando a jovem Rebeca, talvez desde o nascimento desta. Nunca se separaram. E, então, ela acompanhou a família patriarcal à Terra Prometida, e, talvez, tivesse sido incorporada à casa de Jacó. É estranho que não tenha sido registrada a morte de Rebeca (embora o seja o seu sepultamento, em Gn 49.31). No entanto, o autor sacro inseriu esta nota sobre a morte de Débora na história da segunda visita de Jacó a Betel. Por quê? Porque ela era amada por todos, porquanto era grande em sua posição humilde.

 

Débora esteve com a família patriarcal por nada menos de duas gerações completas. Assim, fizera sua contribuição e cumprira a sua missão. Se Débora estivesse presente, talvez Raquel não tivesse morrido no parto de Benjamim.

 

A ama de Rebeca. Uma ama cuidava das mulheres e de seus filhos.

 

Uma ama ou enfermeira treinada é o coração mesmo dos cuidados médicos; elas recebem ordens e cuidam dos enfermos e dos moribundos. Essa ocupação tem-se profissionalizado, mas o espírito de serviço humilde (por muitas vezes com pagamento insuficiente) faz-se presente até hoje. Cuidar das pessoas, quando estão doentes e até infectadas, é um ato de amor, de obediência à lei do amor.

 

Alom-Bacute. No hebraico, esse nome significa “carvalho do pranto”. Era a árvore ao pé da qual Débora, a ama de Rebeca, foi sepultada (Gn 35.8), e, depois, Raquel. Alguns eruditos pensam que temos aqui alguma deslocação de material, e que a juíza Débora é que estaria em foco, ou seja, que o memorial era dela. Mas esse seria um erro grosseiro demais para um compilador ter feito. Pessoas humildes também têm um papel humilde a desempenhar no registro sacro. A fidelidade delas é relembrada, embora não trouxessem as marcas que os homens pensam que os grandes devem ter.

 

Betel Novamente (35.9-15)

 

Alguns críticos veem aqui alguma “mistura de tradições”, supondo que a história original de Betel (Gn 28.11 ss.) teria sido combinada (neste ponto) com elementos do relato sobre a luta de Jacó com o anjo (Gn 32.24 ss.), quando seu nome foi mudado de Jacó para Israel. Os estudiosos conservadores não veem por que novas experiências não poderiam conter elementos de antigas experiên­cias. Seja como for, o material desta pequena seção é uma duplicação essencial de coisas sobre as quais já tínhamos comentado, incluindo certas provisões do Pacto Abraâmico (ver em Gn 15.18). “Em Betel, Deus confirmou a promessa que tinha feito antes (Gn 32.28). A mudança do nome de Jacó serviu de prova da bênção prometida" (Allen P. Ross, in loc.).

 

35.9  Vindo Jacó de Padã-Arã. Ou seja, a caminho de volta para casa, especificamen­te, em Betel (vss. 14 e 15). Sua experiência anterior em Betel teve lugar quando ele estava indo para Padã-Arã. E esta experiência ocorreu quando ele estava saindo dali. Ambas as ocasiões foram marcos em sua vida.

 

Outra vez lhe apareceu Deus. Jacó era homem de muitas experiênci­as místicas. A presença de Deus guiava Jacó em todos os marcos importantes de sua vida. A providência de Deus acompanhava Jacó de uma maneira especial.

 

35.10         E lhe chamou Israel. Ver Gênesis 32.28 quanto à mudança do nome de Jacó para Israel.

 

35.11         O Deus Todo-poderoso. El-Shaddai é aquele que nos supre quanto a todas as necessidades, conforme parece ser uma das implicações desse nome. A primeira parte do nome, El, mostra que há poder capaz de fornecer um suprimento abundante. “O Senhor é meu Pastor; nada me faltará.” As promessas são confirmadas. O nome divino, El-Shaddai, é aquele que prefacia a repetição do Pacto Abraâmico a Abraão (Gn 17.1 ss.). Esse mesmo Deus garantia agora, a Jacó, a continuação do pacto.

 

Multiplicação e Grandeza. Uma companhia de nações descenderia de Abraão, o que é dito por diversas vezes nas repetições do Pacto Abraâmico. Ver Gênesis 28.3, onde a expres­são usada é “uma multidão de povos”. Ali, a declaração faz parte da bênção dada a Jacó por Isaque. Além disso, reis descenderiam de Jacó, como Saul, Davi, Salomão etc. (cf. Gn 17.6), culminando no Rei-Messias, descendente de Judá, através de Lia, uma das esposas de Jacó. Nesse ponto, seria atingida a dimensão espiritual do pacto, de tal modo que aquilo que era bênção material tornar-se-ia em bênção espiritual, incluindo a questão da salvação da alma (Gl 3.14).

 

35.12         A terra. A aquisição de um território pátrio era necessária para que se desen­volvesse a nação de Israel, o que levaria ao cumprimento maior do próprio pacto. As notas em Gn 15.18 mostram as dimensões desse território.

 

35.13         Elevando-se do lugar. Provavelmente devemos pensar no “céu”, em algum lugar acima da terra, como se vê em Gn 11.4; 21.17; 22.11,15; 28.12. Tendo-se manifestado, vindo dali, Deus agora para ali voltava. A presença divina algumas vezes manifesta-se aos homens de uma maneira que eles são capazes de com­preender, pelo menos em parte, e de uma forma que possam suportá-la. Isso sucede mediante as experiências místicas como as visões, os sonhos, as visitas angelicais etc.

 

Os trechos de Gn 17.22 e 18.33 têm a mesma expressão que se vê neste versículo. Deus “elevou-se de onde estava Abraão”. Mas Gn 18.33 diz algo levemente diferente: “retirou-se o Senhor”.

 

35.14         Este versículo é parecido com o de Gn 28.18, exceto pelo fato de que aqui temos a primeira menção a uma libação na Bíblia. Provavelmente foram empregados vinho, água ou mesmo ambas as coisas. Mas alguns eruditos pensam que foi usado azeite. Também é possível que o “azeite” entornado em Gn 28.18 fosse uma libação, embora isso não seja dito especificamente. As oferendas, como as deste versículo, reconheci­am o poder divino e a visitação da presença divina. Era uma espécie de participa­ção dos bens materiais de alguém, em reconhecimento da graça e do suprimento divino, na esperança de maior recebimento dessa graça e suprimento.

 

As libações eram algo comum em muitos países. As libações originais eram feitas com água, mas depois passou-se a usar o vinho. Ver Lv 7.1. Gratidão e devoção eram expressas por meio desses atos. Ademais, sem dúvida, essas oferendas serviam de pedidos quanto à continuação do suprimento e do poder divinos junto ao adorador, por estar sendo reconhecida, por este, a presença divina. As libações, acima de tudo, eram atos de adoração que reconheciam a providência de Deus.

 

Colunas Memoriais. Naturalmente, essas colunas tornaram-se objetos vene­rados pelos descendentes dos patriarcas, motivo pelo qual a legislação mosaica veio a proibir tal prática. Ver Lv 26.1 e Dt 16.22. Cerca de quarenta anos separavam as duas colunas erigidas por Jacó. Ele continuava a ser um homem de altares e de devoção espiritual.

 

35.15

 

Esse lugar chamava-se Betel, pois o trecho é paralelo a Gn 28.17-19. Betel tornou-se um dos santuários da nova religião, a fé de Abraão, um lugar de pere­grinação do Yahwismo. Estava sendo formada a fé religiosa distintiva da nação de Israel.

 

Bibliografia R. N. Champlin