Barnabé um homem de larga visão
“E os que foram dispersos pela perseguição que
sucedeu por causa de Estêvão caminharam até à fenícia, Chipre e Antioquia, não
anunciando a ninguém a palavra, senão somente aos judeus. E chegou a fama
destas coisas aos ouvidos da igreja que estava em Jerusalém; e enviaram Barnabé a Antioquia. O qual quando chegou, e viu a
graça de Deus se alegrou, e exortou a todos a que permanecessem no Senhor, com
propósito de coração; Porque era homem de bem e cheio do Espírito Santo e de
fé. E muita gente se uniu ao Senhor"
(At 11:19; 22:24).
“O
futuro tem muitos nomes. Para os fracos é o inatingível. Para os temerosos, o
desconhecido. Para os valentes é a oportunidade”. Victor Hugo
Problemas
é tudo que vemos quando não olhamos para Jesus. Uma vontade enérgica é a alma
de um grande caráter. Onde ela existe, há vida; onde não existe, ha desânimo,
impotência e depressão. Conseguimos da vida aquilo que nela pomos. O mundo tem
para nós exatamente o que temos para ele. É como um espelho que reflete os
gestos que fazemos.
Entre
as frases mais citadas, nenhuma é mais sutil, e mais repleta de adamantina
verdade do que esta que tantas vezes é proferida pelos lábios humanos: “QUERER
É PODER”. Quem decide fazer uma coisa, por força dessa mesma decisão bate todas
as barreiras e assegura a realização dessa coisa. “Assim como o homem pensa em seu coração, assim ele é”. Pensar que
somos capazes é quase sê-lo; decidir sobre uma realização é muitas vezes própria
realização.
Gosto
de Barnabé não somente pelo que realizou, mas porque, embora não haja muitas
coisas escritas sobre seus feitos, eles estão presentes por onde passou.
Conhecemos pessoas tão famosas que contribuíram tão pouco para o avanço do
cristianismo, mas vemos em Barnabé alguém que de modo simples e produtivo se
destacou de forma singular entre os apóstolos do Senhor. Agora, em Antioquia,
vamos observar suas qualidades, habilidades e sua larga visão do Reino.
ANTIOQUIA
“As pessoas fracas esperam as oportunidades,
as fortes, as criam”.
Antioquia
da Síria era a terceira maior cidade do mundo romano, ficava cerca
de 25 quilômetros do mar, às margens do rio Orontes.
A cidade era um magnífico exemplo de planejamento e arquitetura, testemunho da
supremacia da civilização grega realçada pela paz romana. Os habitantes de
Antioquia tinham reputação de imoderada exuberância, em parte por causa do seu
humor satírico e senso vivo do ridículo, mas, principalmente, pela vida sexual
que até a Roma antiga achava excessiva.
Oito quilômetros ao sul, na
passagem para os montes, estava
o extenso Bosque de Dafne, dominado por uma enorme estátua do deus Apolo. Nesse
lugar, centenas de prostitutas ofereciam o corpo a qualquer homem que desejasse
adorar a deusa do amor. Entre as árvores e os templos, vivia uma ralé humana
composta de escravos fugidos, criminosos, endividados e outros que iam
procurar refugio ali.
As
vielas e os bosques de Dafne eram terrenos férteis, Antioquia possuía uma
grande variedade racial e social. Foi em Antioquia que os do Caminho, foram
chamados de cristãos pela primeira vez, significando este termo aqueles que se
assemelhavam a Cristo. Antioquia era uma cidade onde, desde tempos remotos,
havia muitos judeus, abrigando nos dias de Barnabé e Paulo uma colônia muito
numerosa com várias sinagogas espalhadas. Era também um lugar de idolatria e
licenciosidade, e Barnabé foi visto pelos apóstolos como a pessoa ideal a ser
enviada para lá, a fim de liderar, fazer crescer a igreja.
HERÓIS DESCONHECIDOS ROMPEM EM ANTIOQUIA
“E os que foram dispersos pela perseguição que sucedeu
por causa de Estêvão caminharam até à Fenícia, Chipre e Antioquia, não
anunciando a ninguém a palavra, senão somente aos judeus. E havia entre eles
alguns homens cíprios e cirenenses;
os quais entrando em Antioquia falaram aos gregos, anunciando o Senhor Jesus. E
a mão do Senhor era com eles; e grande número creu e se converteu ao Senhor” (At 11.19-21).
A
igreja de Antioquia nasceu com uma característica muito especial, ela surgiu
do sobrenatural. Ficamos perplexos com métodos utilizados por Deus para
realizar grandes feitos. Primeiro, Ele não usou gente famosa, os pioneiros de
Antioquia até hoje são desconhecidos; segundo, escapando da morte, esses homens
espalhavam vida por onde passavam; terceiro, a mensagem que pregaram aos sábios
de Antioquia era a mais simples do mundo: “eles
anunciavam o Senhor Jesus” (At 11.20).
Outro
fato importante na vida desses desconhecidos era que “a mão do Senhor era com eles” (At 11.21). Quando a mão do Senhor
governa vidas, ou uma igreja, as notícias que o vento leva a seu respeito não
são de dissensão, ciúmes ou escândalos. Aquela era uma obra
do Espírito Santo, e Ele se utilizou de homens de Chipre e de Cirene, pessoas de pele negra, que venceram preconceitos
e, no poder do Espírito Santo, abriram a porta para que Barnabé administrasse e
desse seguimento.
Foi
em Antioquia que as barreiras raciais ruíram. Alguns judeus helenistas, não
contentes de pregar a Jesus nas sinagogas aos seus companheiros igualmente
helenistas, puseram-se a pregar também aos gentios gregos, resultando em que
muitos deles abraçaram a nova fé, de modo que a segunda igreja cristã a ser
fundada contava com numerosos membros de origem gentílica.
Era
uma época de muito preconceito, pois os gentios eram vistos pelos judeus como
pessoas impuras e indignas de relacionarem-se com Deus, mesmo que o evangelho
já tivesse alcançado os gentios através da pregação de Pedro na casa de Cornélio.
O vento da dispersão impulsionou os que fugiam do Imperador romano para
Antioquia. Esses que até hoje não são conhecidos, incendiaram aquela cidade
impura, de cerca de meio milhão de habitantes, com a pregação do evangelho.
Como
um fogo que incendeia uma floresta seca, esses intrépidos e desconhecidos
homens de pele negra pregaram com ousadia, quebraram barreiras e preconceitos
raciais, inaugurando uma grande igreja num ambiente totalmente idólatra e
imoral. Existem pessoas que precisam se tornar renomadas e conhecidas da
mídia, para assim, anunciar o evangelho com mais alcance. Estes, até hoje não
foram conhecidos, não têm nomes, não possuíam credenciais, não eram apóstolos,
mas uma coisa se diz com relação a eles: “a
mão do Senhor era com eles”. Se a mão do Senhor for conosco, já é
suficiente.
Como
o evangelho é poderoso. Enquanto os apóstolos estavam em Jerusalém, os frutos
da pregação já haviam florescido entre os gregos. “E chegou a fama destas coisas aos ouvidos da igreja que estava em Jerusalém”
(At 11.22). A fama que chegou não era como a fama que ouvimos hoje em
determinadas igrejas. Quando a mão do Senhor governa, os ventos espalham
grandezas e maravilhas realizadas pelo Senhor no meio do seu povo. Não há
espaços para fofocas ou coisas que nada edificam.
BARNABÉ CHEGA À ANTIOQUIA
“E enviaram Barnabé à Antioquia. O qual, quando
chegou, e viu a graça de Deus, se alegrou, e exortou a todos a que
permanecessem no Senhor, com propósito de coração; Porque era homem de bem e
cheio do Espírito Santo e de fé. E muita gente se uniu ao Senhor” (At 11. 22b-24).
Os
apóstolos parecem não ter compreendido que deveriam ficar em Jerusalém apenas
até o momento do revestimento (Lc 24.49). Mesmo assim, Deus não deixou de
trabalhar, não contou com nenhum deles, e a igreja de Antioquia foi fundada.
Ainda sem sentir o calor de uma nova experiência, enviaram Barnabé à Antioquia
para que fortalecesse a igreja e administrasse segundo a unção e graça que
estavam sobre sua vida.
Deus
tem projetos guardados em sem coração para frustrar os mais sábios dos homens.
Ele nunca está desprevenido e havia um propósito por Ele desenhado para que
Barnabé assumisse o controle daquela missão. Primeiro, manteve os apóstolos em
Jerusalém, depois fez com que Barnabé fosse enviado por eles. Nada é por acaso
no Reino de Deus.
Barnabé
tinha algumas vantagens, e também desafios para enfrentar em Antioquia. Era
nativo de Chipre, conhecia a língua grega e compreendia a cultura da época.
Todavia, Antioquia era uma cidade moralmente imunda e de péssima reputação. A
Fenícia seguia uma religião pagã, e Antioquia, o seu centro, era uma cidade
espalhada, com cerca de meio milhão de habitantes, conhecida pelas corridas de bigas, jogo, prostituição, sistema de governo corrupto.
Outro
fato importante é que o templo da deusa Diana ficava a 8 quilômetros da cidade
e era um antro daquelas que eram chamadas de prostitutas sagradas. Para Barnabé
era um grande desafio, pois os novos convertidos poderiam ser seduzidos pela
imoralidade da cidade, visto que não possuíam qualquer conhecimento sobre a rica
herança religiosa do judaísmo. Eles não conheciam a Deus e não haviam aprendido
as Escrituras.
As
vantagens de Barnabé se concentram em conhecer a cultura, falar a língua grega,
e acima de tudo, por suas qualidades morais, pessoais e espirituais. Pois não
existe nenhum outro homem citado no Novo Testamento que reunisse em si as qualidades
que Barnabé possuía. “Ele era homem de
bem, cheio do Espírito Santo e de fé”. Qualidades que raramente encontramos
combinadas nos servos de Deus, inclusive em nós mesmos (At 11.24).
Às
vezes encontramos pessoas cheias do Espírito Santo que nem sempre são pessoas
de bem; é possível encontrar pessoas de fé que não são cheias do Espírito
Santo; ou pessoas de bem, cheias dos Espírito Santo,
cuja fé é baixíssima e destoante.
Na
verdade, ter essas qualidades combinadas na época de Barnabé era muito
diferente do que ocorre em nossos dias. Hoje uma pessoa cheia do Espírito Santo
é a que salta, dança e faz piruetas; observemos a vida de Barnabé e veremos o
que realmente era ser cheio do Espírito Santo; ser de bem e ser cheio de fé.
Era realmente um conceito muito superior ao que existe hoje em dia
BARNABÉ, UM LÍDER DE LARGA VISÃO
“A águia gosta de pairar nas alturas, acima
do mundo, não para ver as pessoas de cima, mas para estimulá-las a olhar para
cima”. Elisabeth Klüber – Ross
Existem
muitas pessoas que não têm visão para a vida nem sabem como obtê-la. Existem outras
que até têm uma visão, mas estão presas na lama da confusão, sem saber o que
fazer. Existem também aquelas que um dia tiveram uma visão, mas a abandonaram
por causa de desânimo, desilusão ou por conta do fracasso e da frustração. Mas
a grande verdade é que todos nascemos com um propósito
individual. Todavia, o aspecto trágico dessa realidade, é que muitos de nós
vivemos toda uma vida sem jamais identificar para que nascemos.
Visão
é a habilidade de enxergar além do que nossos olhos físicos conseguem ver. A
capacidade de não apenas ver como é, mas também de como pode vir a ser uma
realidade. Visão é um conceito inspirado por Deus no coração de um ser humano.
A vista é uma função dos olhos, mas a visão é uma função do coração. Nós
podemos enxergar e ao mesmo tempo não ter visão.
É
simples. Deus deu à humanidade o dom da visão para que não vivêssemos somente
por aquilo que podíamos ver. As palavras visão e revelação são, às vezes,
usadas de maneira intercalada. Revelar significa desvendar. Algo que é desvendado
estava lá o tempo todo, mas não podia ser visto exteriormente.
Por
exemplo: o destino de um fruto do carvalho é ser uma árvore. Pela fé,
conseguimos ver a árvore dentro da semente. Você tem uma visão dela pelos olhos
da mente, porque identifica o potencial na semente. A mesma coisa ocorre conosco.
Deus nos criou para um propósito, e para Deus esse propósito já está terminado
porque Ele colocou dentro nós o potencial para cumpri-lo.
O
que vemos é uma semente, mas o que realmente está ali é uma árvore com frutos,
frutos com sementes, e sementes com muitas outras árvores, que formarão em uma
floresta. Nosso olhar vê uma semente, mas ali está uma floresta. Para
verdadeiros visionários, o mundo projetado por suas visões é mais real do que
a realidade concreta ao redor deles.
Conta-se
que quando a Disney World foi inaugurada, havia apenas um aparelho de diversão.
Walt Disney estava sentado em um banco, olhando fixamente para cima. Um dos
trabalhadores, que estava cuidando do gramado, passou por ele e perguntou:
“Como está, senhor?”. “Bem, obrigado” respondeu Disney, sem olhar para o homem,
e continuou olhando para cima. Então o homem disse: “Sr. Disney, o que o senhor
está fazendo?”. “Estou olhando para minha montanha. Vejo a montanha bem ali”,
ele respondeu.
Walt
contou aos seus arquitetos a respeito dessa montanha. Enquanto a descrevia,
eles escreveram o que ele falava, e, em seguida, elaboraram os projetos. Walt
morreu antes que a Space Mountain (Montanha Espacial) fosse construída,
portanto não chegou a vê-la edificada. Quando a Space Mountain foi inaugurada,
o governador e o prefeito estavam presentes, e a viúva de Walt também estava
lá.
Um
jovem levantou-se para apresentá-la e disse: “E uma pena que o Sr. Walt Disney
não esteja aqui hoje para ver esta montanha, mas estamos felizes pelo fato de
sua esposa estar aqui”. A Sra. Disney foi até o pódio, olhou para a multidão e
disse: Devo corrigir este jovem. “Walt já viu a montanha. É você que a está
vendo apenas agora”.
A
visão é a energia de uma liderança eficaz. Quando um líder vive a reclamar,
sente-se oprimido e cansado, é porque está sem visão. Quem tem visão vive por
ela, ela é sua força. Veja quão grande exemplo nos deixou Calebe, que após ter
visto e entrado na terra prometida, foi incluído no grupo dos insurretos de
Israel e condenado mesmo sem culpa a rodear o deserto por quarenta lastimosos
anos. Ele nunca se cansou, e quando chegou o fim daquele castigo, disse a Josué:
“E agora eis que o Senhor me conservou em vida, como disse; quarenta e
cinco anos são passados, desde que o Senhor falou esta palavra a Moisés,
andando Israel ainda no deserto; e agora eis que hoje tenho já oitenta e cinco
anos; E ainda hoje estou tão forte como no dia em que Moisés me enviou; qual
era a minha força então, tal é agora a minha força, tanto para a guerra como
para sair e entrar. Agora, pois, dá-me este monte de que o Senhor falou aquele
dia; pois naquele dia tu ouviste que estavam ali os anaquins,
e grandes e fortes cidades. Porventura o Senhor será comigo, para os expulsar, como o Senhor disse” Js 14. 10-12).
Um
líder precisa ter um destino, um lugar onde chegar. O
sentido de uma liderança é a vida. Pois um verdadeiro líder deve dar sentido à
vida de seus liderados. Barnabé incentivou os irmãos a permanecer no Senhor com
propósito, procurou instruí-los, e eles receberam o reconhecimento público de
que se pareciam com Jesus Cristo. Nada muda sem
liderança, nada acontece sem liderança, nada melhora sem liderança, nada se
corrige sem liderança. Os líderes não mantêm as coisas, eles as melhoram.
A
qualidade de um líder determina a qualidade do povo. Jamais devemos culpar o
povo pelo fracasso de nossa organização se somos os líderes. Quando melhoramos,
o povo também melhora, e se afundamos, o povo também
afunda. Por que o povo de Antioquia foi comparado a Cristo? Simplesmente
porque sua liderança se parecia com Cristo. Os líderes não gerenciam alvos,
eles projetam destinos. Não possuem visões ambiciosas, estão dispostos a
morrer por uma visão.
Na
verdade, não podemos acreditar na visão de quem não é capaz de morrer por ela.
Quem tem visão se torna um catalizador, sempre doa ao povo. Infelizmente,
muitos líderes fracassam porque dão ao povo sua personalidade e não sua visão.
Líderes passam, mas a visão é de gerações, não é pessoal, não é nossa, é para
os filhos que ainda não nasceram. O fracasso está em querer transferir ao povo
a nossa personalidade e não a visão que Deus nos deu. Porque na morte, tudo
morre sem a transferência.
O
que faz o bom pastor? O que disse Jesus? O bom pastor dá a vida por sua ovelhas. Será que suportamos ataques por causa da visão?
Seriamos nós como Calebe algum dia? Entenda: se não estamos
dispostos a morrer pela visão, ela não é visão, é apenas um emprego. A visão
dada por Deus sempre irá edificar o povo e nunca destruí- lo. Líderes que
espalham não são líderes. Líderes verdadeiros sabem reconhecer até seus
limites, sabem reconhecer quem irá além deles, sabem incentivá-los, sabem
prepará-los.
Quem
você está preparando para assumir seu lugar amanhã? Ninguém? Então você não é
líder. Líderes projetam outros líderes, sabem que não são eternos. Barnabé, preparou os crentes de Antioquia, a única igreja da Ásia
que nunca recebeu uma repreensão. Preparou Saulo, preparou João Marcos, isto é
ser líder. Líderes que têm visão sabem até onde podem ir, sabem seu tempo,
sabem que não podem fazer tudo sozinhos, sabem que são limitados.
Uma
vida sem visão é uma existência pobre. Sem uma visão do futuro, a vida perde o
seu significado. E a ausência de significado leva à falta de esperança. Sempre
que as pessoas estão desanimadas com a sua própria vida, elas podem se tornar
rancorosas em relação a tudo em redor. Elas se sentem como se estivessem
desperdiçando a vida e começam a viver vagamente. Não importa quanto dinheiro
uma pessoa tenha, qualquer um que viva assim é pobre.
É
profundamente desolador saber que, apesar de termos recebido uma visão
singular, muitos de nós acabamos enterrando nossos sonhos e nos conformando
com uma existência inferior, transformando-nos num cemitério do precioso
tesouro de Deus. Muitas pessoas passam a vida inteira se distanciando daquilo
que Deus planejou que elas fossem, porque nunca reconheceram quem são em
primeiro lugar.
Diz-se
que há três tipos de pessoas no mundo: Primeiro, há aquelas que parecem que
nunca percebem o que está acontecendo ao redor delas. Segundo, há aquelas que
perguntam: “O que acabou de acontecer?” E, terceiro, há aquelas que fazem as
coisas acontecerem. Qual dessas será você? Já se perguntou para que propósito
você foi criado? Já capturou a visão que Deus tem para
sua vida? Pessoas de visão nunca se deixam abater, sabe por quê? Porque estão
sempre no futuro. Nada aqui poderá detê-las.
Elas
não enfraquecem, não desistem em hipótese alguma. Elas são como Neemias,
jamais descem, jamais param o que estão fazendo quando são incomodadas por
pessoas que não têm o que fazer. Sabe de uma verdade? Quem não tem o que fazer
sempre vai querer que você faça o mesmo que ele. Seja
como Barnabé, veja, tenha sempre seus olhos no amanhã, sonhe e transforme em
realidade o que Deus já colocou em sua vida. A propósito, você é um líder?
AS TRÊS VISÕES DE BARNABÉ
E
chegou a fama destas coisas aos ouvidos da igreja que estava em Jerusalém; e enviaram Barnabé a Antioquia. O qual, quando chegou, e viu a
graça de Deus, alegrou-se, e exortou a todos a que permanecessem no Senhor, com
propósito de coração; porque era homem de bem e cheio do Espírito Santo e de
fé. E muita gente se uniu ao Senhor. E partiu Barnabé para Tarso, a buscar
Saulo; e, achando-o, o conduziu para Antioquia. E sucedeu que todo um ano se reuniram naquela igreja, e ensinaram muita
gente; e em Antioquia foram os discípulos, pela primeira vez, chamados cristãos
(At 11. 22-26).
OLHOU PARA A IGREJA E VIU A GRAÇA DE DEUS
Barnabé
era um homem de qualidades combinadas. Um homem de bem, cheio do Espírito
Santo e acima de tudo, cheio de fé (At 11.24). Um homem de grande sensibilidade
espiritual para conhecer coisas divinas. Assim que chega à Antioquia e olha
para a igreja ali estabelecida vê a graça de Deus e se alegra (At 11.23).
O
que Barnabé contemplou é o que todo homem espiritual sabe existir na igreja do
Senhor, uma graça sobrenatural que nos alegra. Todavia, para os espirituais
isso é notório e verdadeiro, mas não para os que estão de fora. Sabemos que
essa graça impactante está na igreja, mas necessita estar incorporada não no
templo, mas na vida de cada membro que a compõe.
Essa
glória vista por Barnabé necessitava impregnar a vida daqueles membros para que
os de fora fossem contagiados por ela também. Barnabé era o homem escolhido
para conduzir Antioquia a um nível de unção diferente e contagiante naquela
região. Então, de modo especial, ele sente que sozinho não poderia e, embora,
fosse um homem de grandes qualidades, necessitava da ajuda de alguém que
rompesse com o natural. Assim, ele tem uma segunda visão: descer a Tarso em
busca de Saulo para que se una a ele nesse propósito.
BARNABÉ NÃO TEMEU SER SUPERADO
O
que hoje para muitos é um risco, significou foi o
sucesso da igreja que estava em Antioquia. Barnabé não viu Saulo como alguém
que fosse superá-lo e tomar seu lugar. Em primeiro lugar ele pensou no bem
estar da igreja, dando-lhe o melhor. Pensou legitimamente no Reino e não em
sucesso ministerial. Viu Saulo como um aliado na tarefa de elevar a performance
espiritual daquele povo e assim, glorificar o nome do Senhor naquela região.
Barnabé
reconheceu suas limitações. Sabia que a obra de Deus não se faz somente por que
se é bom, cheio do Espírito Santo e por fé. Ela se faz com unidade e
determinação. Pois ainda que tenhamos todos os dons nada se deve fazer de forma
egoísta. É preciso aprender que outros precisam brilhar e brilhar através de
nós.
Barnabé
foi uma ponte para o ministério de Saulo. Ele era o líder da obra, mas a
sabedoria para moldar aquele povo estava sobre Saulo. É neste momento que surge
a sua terceira visão.
A VISÃO DO FUTURO
Em
Saulo havia algo que não havia em Barnabé, como em todos nós existe algo que
não existe em outros. Mas Barnabé pensou no futuro de seu povo e não em seu
sucesso como pastor de Antioquia.
Ele
olhou para Saulo e viu o futuro, viu uma igreja estruturada e juntos formaram
uma equipe sobrenatural. Saulo foi o instrumento que conduziu os crentes de
Antioquia ao exercício da Palavra. Durante todo um ano, eles se ampararam da
tarefa de ensinar. O resultado foi tão surpreendente que a graça que Barnabé
havia visto na igreja impregnou de tal modo a vida dos
crentes que, ao passar pelas ruas, eles foram confundidos com miniaturas de
Cristo.
Essa
dupla não formou grandes homens, crentes famosos, formou pequenos Cristos. Em
Antioquia eles foram pela primeira vez reconhecidos, não como
seguidores de Cristo, mas como réplicas menores daquele a quem serviam.
Infelizmente, hoje, criamos não miniaturas de Cristo, mas homens que se acham
deuses e donos de uma igreja pela qual jamais teriam a capacidade de morrer.
QUE VIU BARNABÉ?
1
— Que nem tudo o que valorizamos como bom está em cima. É necessário descer
para Tarso, é necessário olhar para baixo. Que tal descer?
2
— Existem muitas peças que foram ungidas para grandes obras, mas que precisam
ser elevadas. Não foram ainda utilizadas. Estão ainda embaixo esperando que
surja um Barnabé para lhes estender a mão.
3
— O medo de serem superados impede que levantemos aqueles que avançarão mais do
que nós. Barnabé foi a ponte para Saulo desenvolver seu
ministério. Ser ponte é saber se colocar embaixo, muitos não observam a ponte,
mas o que está sobre ela. Barnabé soube ser ponte, você saberá?
4
— Não importa ser bom e ter muitas qualidades no Reino de Deus, o importante é
saber se relacionar, unir forças e trabalhar, não para si; mas para que o Reino
se desenvolva.
5
— Todo Saulo precisa de um Barnabé. Alguém que lhe estenda a mão, que lhe dê
espaço para trabalhar e que apoie suas ideias. Saulo encontrou,
você também encontrará. No Reino ninguém é ungido para não se movimentar. Na
hora certa Deus enviou Barnabé, na hora certa a mão que precisamos se
estenderá.
Bibliografia Pr
Abner Ferreira