Lição 13
26 de Junho de 2011
A luta contra todas as sortes de vícios
Texto Áureo
"Finalmente,
irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é
de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que
ocupe o vosso pensamento". Fp 4.8
Verdade Aplicada
Há práticas que são
legais e não se caracterizam como contravenções penais, mas nem sempre a lei
está de acordo com os princípios bíblicos.
Objetivos da Lição
► Deixar claro que os vícios prejudicam e
escravizam o homem.
► Conscientizar de que o corpo do salvo é
habitação do Espírito Santo.
► Orientar que existe saída para as pessoas
viciadas que confiarem em Jesus.
Textos de Referência
Dn
6.4 Então os presidentes e os sátrapas procuravam ocasião para acusar a Daniel a respeito
do reino; mas não puderam achá-la, nem culpa alguma; porque ele era fiel, e não
se achava nele nenhum erro nem culpa.
2
Co 5.17 E, assim, se alguém está em Cristo, é
nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas.
Ef
4.22 No sentido de que, quanto ao trato
passado, vos despojeis do velho homem, que se corrompe segundo as
concupiscências do engano.
Ef
4.24 E vos revistais do novo homem, criado segundo Deus, em justiça e
retidão procedentes da verdade.
Vícios
Um
Estudo Sobre as Manifestações do Pecado
(Imperdível, leia até o final)
Esboço
I.
Listas de Vícios
II.
As Características do Pagão
III.
Empregando o Método da Pêntada
IV.
A Maior Lista de Vícios dos Evangelhos Sinópticos
V.
Os Vícios Como Obras da Carne
VI.
Os Vícios de II Tm 3:2-4: as Características dos
Homens dos Últimos Dias
VII. O Vício do Ódio
VIII. O Vício da Idolatria
IX.
O Mundanismo
I. Listas de Vícios
O estoicismo romano utilizava listas de vícios e virtudes para ensinar
seus princípios éticos. Estas listas foram, às vezes, construídas sem qualquer
desígnio especial, mas, outras vezes, em pêntadas
alternativas de vícios e virtudes. Outros métodos foram empregados, talvez por
razões de estilo literário ou para facilitar a decoração das listas, como, em
tempos modernos, crianças na Escola Dominical decoram os Dez Mandamentos. A
ética é o estudo da conduta ideal, e é impossível alcançar este ideal
sem saber o que fazer e o que evitar. Ensinos sobre vícios e virtudes nos
ajudam a determinar os elementos desejáveis e indesejáveis de ação moral. O
Apóstolo Paulo emprestou este método de ensino do estoicismo romano, obviamente
achando que tinha algum valor para o homem espiritual. Demonstrou, com estas
listas, a seriedade do pecado, e ilustrou a profundidade do estado pecaminoso
do homem. Longe de Cristo, o homem é, verdadeiramente, cheio de vícios.
Estudando o pecado. Alistando e examinando os
muitos vícios dos homens, aprendemos muitas coisas sobre a própria natureza e manifestações
dos pecados.
II. As Características
do Pagão:
Rm 1:23 ss
Por haverem desprezado o conhecimento de Deus. Paulo continua, neste ponto, a sua descrição acerca da mentalidade pagã,
que rejeitava o conhecimento inerente do verdadeiro Deus, substituindo esse
conhecimento pela idolatria, o que resulta nas degradações morais que o
apóstolo ventila. A palavra grega, nesse caso, significa pleno conhecimento, no
dizer de Vincent, in loc: «Não
pensam esses homens que vale a pena conhecer a Deus. Pode-se comparar
isso com I Ts 2:4... Não permitem eles que a revelação
rudimentar, dada pela natureza, se desenvolva até o pleno conhecimento».
Disposição mental reprovável. Literalmente
traduzida do grego, essa expressão significaria «não passam no teste».
Trata-se de uma espécie de atitude mental que não pode ser aprovada por Deus,
ficando subentendida uma atitude pervertida, à qual falta razão e bom senso. É
uma atitude que rejeita o conhecimento inerente e que prefere criar absurdos.
No original grego há um jogo de palavras, posto que o vocábulo que descreve
como os homens desprezam o conhecimento de Deus também é usado em outra forma
(a mesma raiz vocálica é empregada) para descrever a atitude mental a que Deus
os entregou. É por esse motivo que Alford (in
loc.) traduz: «Posto que reprovaram o conhecimento
de Deus, Deus os entregou a uma mente reprovada». Também poderíamos traduzir
essa sentença por: «Visto que eles desprezaram o conhecimento de Deus, Deus os
entregou a uma mente desprezível»; ou ainda: «Visto que não aprovaram o
conhecimento de Deus, Deus os entregou a uma atitude mental reprovável». E isso
serve de demonstração da lei da colheita segundo a semeadura. Os homens recebem
exatamente aquilo que semeiam.
Os
Vícios dos Pagãos
Rm 1:29: estando cheios de toda a injustiça,
malícia, cobiça, maldade; cheios de inveja, homicídio, contenda, dolo,
malignidade;
Os adjetivos aqui utilizados, isto é, cheios e possuídos, demonstram
claramente que o caso é maligno, característico do paganismo, agravado e
contínuo, e não algo cometido ocasionalmente. Observemos que «toda» sorte de
injustiça é que os caracteriza.
1. Injustiça. Essa palavra mui provavelmente é usada como termo geral para descrever o
cabeçalho da lista. Sumaria a disposição mental característica que leva os
homens a perpetrarem muitos tipos de maldades contra os seus semelhantes,
maldades essas descritas a seguir.
«É o egoísmo, entronizado contra todo o direito alheio». (Newell, in loc).
«Trata-se de todo o vício contrário à justiça e à retidão». (Adam Clarke,
in loc).
2. Malícia. Temos aqui a atitude mental de quem se deleita com a ruína, com o
desconforto, com o infortúnio alheio; é uma atitude odiosa, que se deleita na
perversidade. É o desejo de prejudicar, a malignidade de espírito que produz
uma vida cancerosa. É a opressão do homem contra o homem.
3. Avareza. Representa o «eu» entronizado, o egoísmo total, — a mais completa
desconsideração para com os direitos dos outros, que deseja todos os benefícios
apenas para si mesmo. Está em pauta o amor intenso ao lucro, a qualquer preço,
o gênio de uma alma perenemente insatisfeita com o que já possui, numa atitude
extremamente materialista, que expulsa todos os motivos mais elevados. Esse
pecado é invariavelmente classificado entre os piores vícios, porquanto é a
própria antítese da piedade. Consiste em fazer do
próprio «eu» um deus, conferindo a si mesmo o que pertence somente a Deus e aos
nossos semelhantes (ver Jr 22:17; Hb 2:19; Mc 7:22; Ef 5:3; Cl 3:5 e II Pe 2:3,
que são versículos bíblicos que abordam esse pecado). A passagem de Cl 3:5
define esse erro como «idolatria», porquanto se trata
de um desejo pervertido de obter coisas, de desejar anelantemente
as possessões materiais, como se a posse das mesmas pudesse satisfazer à alma,
ficando assim criado um «deus» das riquezas. Sócrates comparava o homem avarento a um vaso todo
esburacado. Sem importar o quanto fosse derramado em tal vaso, ele sempre
desejava mais, jamais ficando cheio ou satisfeito. As almas dos
ignorantes, no dizer de Platão, são esburacadas. (Ver Górgias, 493).
4. Maldade. Temos aqui a má vontade, numa atitude radical e essencialmente perniciosa.
É bem possível que essa palavra seja aqui usada em sentido passivo, indicando
um vício íntimo, que é a motivação por detrás das ações malignas mais francas.
Trata-se daquela malícia que abriga o desejo de prejudicar os outros.
5. Possuídos de inveja. Trata-se de um sentimento de ódio contra alguém que
nos é superior, quer em posição social, quer em qualidade de caráter, quer em
possessão material, que desejamos mas não podemos
obter. Assim é que lemos sobre Pilatos: «Pois ele bem percebia que por inveja
os principais sacerdotes lho haviam
entregue» (Mc 14:10). O Senhor Jesus era santo e bom, sem qualquer
mácula em seu caráter; mas o hipócrita não podia tolerar tal coisa. A inveja
consiste na tristeza de alguém em face do sucesso de outrem, bem como na
alegria quando outro incorre em erro ou é derrotado (ver I Co 13:6).
«(A inveja) é a dor sentida e a malignidade concebida em face da excelência ou da felicidade de
outrem». (Adam Clarke, in loc.).
«É a atitude errônea em face do conhecimento e da erudição superiores, em
face das riquezas ou prosperidade, em face da felicidade e da prosperidade
exterior de outros». (John Gill, in loc).
Os pagãos não somente tinham tal vício, mas eram também possuídos, pelo
mesmo, o que nos mostra que os vícios os controlavam e não eles os vícios.
6. Homicídio. Esta palavra, no grego, tem um som similar à palavra anterior, e sem
dúvida aparece na lista, nesta altura, simplesmente por esse motivo; e isso nos
mostra, conforme afirmam alguns intérpretes, que essa lista não pode ser dividida em categorias bem claras e definidas. É
simplesmente uma tentativa do apóstolo de fazer uma lista de um bom número dos
pecados que caracterizavam o paganismo, sem qualquer ordem especial ou sem
qualquer inter-relação entre esses pecados. Todos esses vícios caracterizam
ações antissociais, conforme vemos nos versículos vigésimo quarto a vigésimo
sétimo, que apresentam uma lista de pecados pessoais, morais. Só podemos fazer
essa divisão sobre os vícios humanos, mas qualquer coisa mais detalhada do que
isso tende para a artificialidade.
O homicídio é um ato da mais pura violência, que se deriva de uma
perversão íntima, inspirada por qualquer dos vícios anteriores. A inveja pode causá-lo;
a avareza também pode produzi-lo; a má vontade íntima, que abriga o desejo de
prejudicar a outros também pode ser sua fonte; e a malícia, que se deleita na
ruína do próximo, pode ser a sua base fundamental. O trecho de Mt 5:21-26 nos mostra que o ato de homicídio é mais do que
um ato desenfreado; pode ser também uma atitude interna, um sentimento de ódio
cultivado contra outrem. Muitos
daqueles que não ousariam matar a outro, mediante essa atitude íntima criticam
e prejudicam seus semelhantes com suas palavras, cometendo autênticos
assassinatos de caráter. Essa atitude é tão comum na igreja cristã que
se tornou proverbial; pois o que é mais comum do que se falar sobre as
«maledicências» das senhoras de uma igreja, quando elas se reúnem em grupo? E muita
gente boa é vitimada por esses homicidas morais.
Esse pecado se tem tornado tão generalizado que se tornou motivo de
piadas e palavras impensadas, em vez de ser severamente censurado. O ódio
íntimo contra outra pessoa é uma forma de assassinato; e quem não se tem
tornado culpado disso, numa ou noutra ocasião? E existem almas mais egoístas
que são continuamente culpadas desse pecado? (Que o leitor consulte o trecho de
Mt 5:21-26)
7. Contenda. Literalmente traduzida do grego, essa palavra significa o espancamento
produzido quando
de alguma desavença. «Verdadeiramente,
quão repleta de contendas é esta raça humana!» Newell.
No entanto, a mitologia grega criou desse vício uma deusa!
8. Dolo. Encontramos nesta palavra o espírito e a prática da mentira, da
falsidade, da prevaricação, da desonestidade. Essa palavra portuguesa se deriva
do verbo grego delo, que significa
«apanhar com uma isca», ou seja, enganar mediante falsificação. O Senhor Jesus
designou Natanael como «Eis um verdadeiro israelita em quem
não há dolo!» (Jo 1:47). Homens como Natanael
são extremamente raros. A sociedade humana virtualmente sobrevive em meio ao
ludibrio, especialmente no que diz respeito ao mundo dos negócios. Usa-se de
engano nas escolas, no comércio e nas relações pessoais que se baseiam na
confiança mútua; os homens preferem usar do ludibrio à honestidade; são
mentirosos no coração e são mentirosos com a língua.
9. Malignidade. Diz Adam Clarke (in loc), a respeito
disso: «Essa atitude consiste em aceitar tudo no pior
sentido... o que leva o seu possuidor a dar a
interpretação mais negativa a toda a ação. Aos melhores atos,
se dá o pior motivo». Trata-se de um sentimento especialmente
pernicioso, sendo uma perversão do espírito que se deleita na maldade e que a
vê em tudo, mesmo onde ela não existe. É indicação de uma disposição
totalmente maliciosa.
Rm 1:30:
sendo murmuradores, detratores, aborrecedores de Deus, injuriadores,
soberbos, presunçosos, inventores de males, desobedientes aos pais;
10. Difamadores. O vocábulo grego
produz um som sibilante, que provavelmente era produzido em imitação àqueles
que habitualmente se mostram caluniadores. O som sibilante sugere o sibilo da
serpente, porquanto a língua ferina com grande frequência tem sido assemelhada
aos ataques furtivos e repentinos das serpentes venenosas. O pecado aqui
referido é aquele cometido pelos «caluniadores em secreto», e o versículo
trinta começa a falar sobre os «caluniadores». O fato é que os «caluniadores»
não são melhores do que os difamadores. São igualmente peçonhentos e
destruidores em seus ataques. O termo usado neste vigésimo nono versículo se
refere àqueles que secretamente se dirigem a alguém, transmitindo-lhe alguma
informação que supostamente é só para esse alguém. Mas, ao assim fazerem,
atacam difamadoramente o
caráter de outro, em sua reputação, lançando dúvidas sobre a sua honestidade ou
outra virtude, procurando armar um escândalo qualquer.
11. Caluniadores. Essa palavra designa
aqueles que fazem, aberta e publicamente, aquilo que os «difamadores» fazem em
segredo, na surdina. O termo usado no presente versículo significa «falar
contra», subentendendo, normalmente, os acusadores falsos ou caluniadores. O
leitor pode examinar o trecho de I Pe 2:12, onde se
comenta sobre o uso dessa palavra.
12. Aborrecidos de Deus, indica aqueles que
desafiam abertamente a toda autoridade, não temendo nem a Deus e nem aos
homens. E embora supostamente cônscios do desprazer divino, não se deixam
refrear por tal conhecimento. Odeiam a todos os objetos sagrados, e
ridicularizam daqueles que creem em Deus e na alma. São totalmente profanos, e
ainda se ufanam disso. Demonstram seu ódio pelas coisas sagradas porque, no
íntimo, odeiam a Deus. Essa rebelião contra Deus, que caracteriza a todos os
corações não convertidos, domina tais pessoas completamente. Servem tais
indivíduos de suprema ilustração da verdade que «o pendor da carne é inimizade
contra Deus, pois não está sujeito à lei de Deus, nem mesmo pode estar» (Rm
8:7). São pessoas que não mostram apenas uma irreligiosidade passiva, mas são
antes ativas e declaradamente profanas. No dizer de Adam Clarke (in loc): «Parece ser esse o toque de acabamento de um
caráter diabólico».
13. Insolentes. Essa palavra descreve
os homens que têm prazer em insultar e injuriar seus semelhantes. — Em sua
forma verbal, significa «tratar com injuriosa insolência». São os indivíduos
tempestuosos, turbulentos e abusivos de caráter. Conforme comentou John Knox (in loc.): «...uma
atitude desavergonhada que não se deixa vergar à atitude de reverência, nem se
humilha ante a própria conduta errada, nem restringe a sua própria conduta, sem
importar a consciência que porventura tenham da presença de Deus. Naturalmente,
daí se segue que se mostram altivos em suas relações com seus semelhantes,
porquanto são insolentes em sua atitude para com Deus, motivo também porque não
mostram qualquer senso de restrição em sua autoglorificação e
nos louvores com que favorecem a si próprios».
14. Soberbos, isto é, tomados de
orgulho altivo. É o vício de
caráter daqueles que louvam a si mesmos, demonstrando uma atitude exatamente
oposta à do Senhor Jesus, que disse: «Vinde a mim todos...
porque sou manso e humilde de coração...» (Mt
11:28-30). Em contraste com o Senhor Jesus, tais indivíduos estão tão repletos
de si mesmos que não têm espaço algum de sobra para a consideração sobre as
coisas relativas a Deus ou aos seus semelhantes. Gloriam-se em seus supostos
poderes e realizações, desprezando aos outros. Essa palavra se deriva de uma
combinação de palavras que tem o sentido de «brilhar acima». Querem que os
outros recebam suas palavras, como se fossem oráculos. Magnificam o espírito de
Satanás, e pregam na atitude de Nietzsche e de Trasímico,
que viveu muito antes deles, os quais diziam que «a força é o direito».
Não nos podemos equivocar quanto ao fato inegável de que uma geração
selvagem e descontrolada está entesourando para si a punição, talvez mesmo de uma
forma nacional e catastrófica, como uma guerra atômica, acompanhada da fome, da
miséria, das revoluções sociais e do destroçamento
econômico, que terá lugar nos últimos tempos. As tribulações pelas quais o
mundo passará, no inicio do presente século XXI, pelo menos em parte se deverão
à natureza descontrolada e desvairada da atual geração jovem, que não considera
coisa alguma sagrada. A lei da colheita segundo a semeadura é inflexível,
porquanto tudo quanto um homem semear, isso também ceifará.
15. Presunçosos. Essa palavra se
deriva, no original grego, do verbo que significa «supor», «tomar»,
«arrebatar», «agarrar», indicando uma atitude de vangloria, de egoísmo e de
arrogância.
16. Inventores de males. «São
os inventores de instrumentos destruidores, a exemplo de Alexandre o Grande.
São os inventores de novas modalidades de vícios morais, a exemplo de Nero, —que exibiu em espetáculo a tortura dos cristãos, em seus
jardins, tendo chegado ao extremo de convidar seus hóspedes a contemplarem tal
espetáculo. São aqueles que têm inventado costumes, ritos, modas, etc, de caráter destruidor. Entre esses podemos citar
aqueles que criaram certas cerimônias religiosas diferentes entre os gregos e
os romanos, como as orgias de Baco, os mistérios de Ceres, as lupercálias, as festas da Bona Dea...Multidões de cujas
maldades, na forma de cerimônias destruidoras e abomináveis, se encontram
sempre, por toda a adoração pagã» (Adam
Clarke, in loc).
17. Desobedientes aos
pais.
Temos
aqui um pecado tão moderno e comum em nossos dias, que nem choca mais os nossos
ouvidos. No entanto, tal pecado era extremamente chocante para os antigos
judeus, com seu código moral mui estrito em certos particulares, o que fazia
com que esse pecado fosse considerado por eles como uma falta gravíssima.
Literalmente traduzida, essa palavra grega significa «incapazes de serem persuadidos
pelos pais». A passagem de II Tm 3:1,2 revela-nos que
essa péssima característica humana seria própria dos últimos dias. Esse pecado
é uma maldição para o desenvolvimento harmonioso da família, estendendo-se à
comunidade inteira dos homens, servindo de verdadeira praga da sociedade. Um
dos poucos mandamentos vinculados a uma promessa é aquele que nos ordena
respeitarmos e honrarmos nossos genitores: «Honra a teu pai e a tua mãe, para
que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor teu Deus te dá» (Êx 20:12). E com isso podemos comparar o que diz o trecho de Pv 30:17: «Os olhos que zombam do pai, ou desprezam a
obediência da mãe, corvos do ribeiro arrancá-los-ão, e os pintãos
da águia os comerão».
Com frequência o
castigo é adaptado à natureza do pecado cometido; ocasionalmente, entretanto, o
castigo não tem conexão alguma aparente com o delito. Uma coisa é certa: nenhum
pecado deixa de receber a sua justa retribuição.
Rm 1:31:
néscios, infiéis nos contratos, sem afeição natural, sem misericórdia;
«Esta
passagem bíblica se aproxima de seu final inexorável. A bancarrota
completa do homem sem Deus fica demonstrada pelo seu fracasso intelectual, na
falta de lealdade às suas obrigações, no terreno da vontade e das ações, bem
como na ausência dos apegos emocionais mais simples e naturais. Neste ponto,
uma vez mais, a vida de sua própria geração ilustrava amplamente os males aos quais Paulo se referiu apenas de passagem. Visto que «a
afeição natural» se ausentara, tanto o divórcio como o infanticídio se tinham
tornado extremamente comuns. Quando o vínculo verdadeiro que deve unir homem e
mulher se afrouxa, nenhum outro laço é suficiente para mantê-los juntos; quando
aqueles que são responsáveis pela procriação dos filhos não se sentem obrigados
a aceitar nem mesmo a mais simples responsabilidade por eles, uma nova vida não
tem qualquer segurança, porque também não tem valor. Dois outros comentários
completam o delineamento oferecido por Paulo sobre a vida humana, quando os
homens tentam se separar de Deus. A amargura e o
ressentimento se cristalizam na forma de um endurecimento invencível, e as
fontes mais naturais da misericórdia se ressecam». (Gerald R. Cragg, in loc).
18. Insensatos. Alguns intérpretes
pensam que essa palavra envolve alguma forma de insensibilidade moral,
traduzindo-a por «sem entendimento moral». (Pode-se comparar isso com Mt 13:14,15; 19:23, 51). Na forma de adjetivo, pois, esse
vocábulo pode significar exatamente isso, a falta de entendimento sobre as
realidades divinas, a ausência de discernimento moral apropriado. E posto que
essa palavra foi usada aqui em um contexto teísta, e
posto não ser provável que o apóstolo Paulo quisesse dizer que tais pessoas não
tivessem compreensão sobre as realidades materiais, como as ciências, etc, é bem provável que devamos compreendê-la em sentido
religioso, ainda que, literalmente, tal vocábulo queira dizer, meramente,
«desconhecedores». Essa mesma palavra é usada no versículo
vigésimo primeiro, para indicar uma descrição sobre o «coração», isto é, um
«coração insensato», desconhecedor das realidades divinas».
19. Pérfidos, ou seja, sem «boa
fé», «infiéis», no sentido de que tais indivíduos não sentem obrigação alguma a
contratos ou acordos, pois as suas promessas são sem valor. Essa palavra indica
uma espécie de mentalidade de quem não tem a intenção de cumprir promessas,
votos ou pactos.
«Contratos comerciais
rompidos, tratados nacionais violados, confianças pessoais facilmente traídas,
tudo isso tem raiz nessa odiosa condição da alma» (Newell,
in loc).
«Assim como todo o
pacto ou acordo é feito como que na presença de Deus, assim também aquele que
se opõe ao ser e à doutrina de Deus é incapaz de sentir-se obrigado ante
qualquer aliança; não pode comprometer-se a uma determinada conduta» (Adam
Clarke, in loc).
20. Sem afeição natural. Essa falta de afeição
pode ser vista no caso das criancinhas abandonadas, em que os genitores não se
importam com o seu bem-estar; mas tal atitude cruel também pode ser percebida
na atitude de tantos filhos desumanos para com seus pais. Entretanto, essa palavra envolve relações mais amplas
contra a outra, já que os homens, simplesmente porque são seres humanos,
normalmente sentem interesse e cuidados pelos seus semelhantes. Por motivo
desses cuidados naturais é que se desenvolveram instituições como a educação,
os hospitais, os centros sociais e os governos justos, para nada dizermos a
respeito das instituições espirituais, como as escolas religiosas e as igrejas.
Alguns indivíduos, entretanto, são tão imperfeitamente desenvolvidos
espiritualmente que não se importam em prejudicar, física ou espiritualmente a
outros homens, ou mesmo a assassiná-los. É entristecedor e lamentável o fato de
que os maiores heróis da história humana também têm sido os seus mais fabulosos
homicidas, e não aqueles que têm realmente ajudado aos seus semelhantes a
progredirem de alguma forma. A história política pouco mais é do que a crônica
sobre as atrocidades que os homens têm cometido contra os outros homens. Todas
essas coisas lamentáveis servem de provas supremas da avaliação paulina sobre a
raça humana, quando vive longe de seu Deus.
«Deus
'deleita-se na misericórdia'; mas a 'desumanidade do homem contra o homem faz
milhões chorarem'.
Considerai: um Deus misericordioso! criaturas
destituídas de misericórdia!» (Newell, in loc).
«Os pagãos, de modo
geral, não sentem escrúpulos por exporem às intempéries (a fim de que morram),
as crianças que julgam não serem dignas de sobreviver, e nem sentem escrúpulos
por deixarem seus pais morrerem, quando se tornam idosos e não podem mais trabalhar».
(Adam Clarke, in loc).
O vocábulo grego aqui
utilizado significa, estritamente, «amor aos parentes de raça», com a
partícula negativa. Porém, provavelmente estamos corretos ao compreendê-lo no
sentido mais profundo do amor para com qualquer ser humano, porque todos os
homens, em certo sentido, o sentido físico, são nossos irmãos e, em outro
sentido, o espiritual, são nossos semelhantes.
21. Sem misericórdia. O original grego
significa exatamente isso: o negativo é prefixado à palavra «misericórdia».
Diz-se que Nero se divertia torturando insetos, arrancando-lhes as asas, as
pernas, etc, quando era criança. Na sua idade adulta
entretinha seus convidados, nos jardins de seu palácio, em Roma, com a tortura
e o assassínio de incontáveis cristãos. Foi ele o iniciador das primeiras
perseguições oficiais ferozes do império romano contra os cristãos. Não existem
muitos homens sem entranhas como Nero, mas até mesmo os indivíduos mais
excelentes podem descobrir, em si mesmos, especialmente
em explosões de ira, o ódio e a sanha destruidora, em lugar da gentileza e da
misericórdia. Até mesmo os chamados bons cristãos, às vezes, mostram-se tão
amargos em suas palavras que ferem aos seus semelhantes, incluindo nesses
ataques, não raramente, até mesmo as pessoas melhores e mais santas. A miséria
que o mundo sofre, por motivo da falta de compaixão é surpreendente, tendo
criado aquilo que os filósofos denominam de «problema do mal
moral», isto é, como se pode explicar a existência de tantos males à face da
terra, inspirados pela vontade humana?
Variante Textual. A palavra implacáveis
aparece também nesta lista, em alguns manuscritos posteriores, como Aleph(3), CD(3), KLP, no que são seguidos pelas traduções
AC,F,KJ e M. Todas as demais traduções, usadas para efeito de comparação nesta
enciclopédia, omitem tal palavra, seguindo a evidência textual superior, isto é, os manuscritos P(40), Aleph(l), ABD(l),
EG. Algum escriba deve ter aumentado levemente a lista de vícios já por si
devastadora, como uma característica humana perversa, de acordo com a
realidade dos fatos, pois a ideia da implacabilidade envolve um espírito maldoso,
tão vil e violento, que não aceita conciliação, mas sempre prefere a vindita, a violência e a injúria. Essa atitude é própria
daqueles que proposital e maliciosamente rejeitam a «paz». Ninguém pode
pacificar tal indivíduo, porquanto suas fibras íntimas foram entretecidas com a
própria fibra da vingança e da destruição. Tais pessoas não se interessam nem
pela reconciliação com Deus, e nem com os seus semelhantes.
Um missionário que
trabalhou há muitos anos atrás, R. H. Graves, que passou muitos anos na China,
narrou que um chinês, ao ler esse capítulo, declarou que o mesmo não poderia
ter sido escrito pelo apóstolo Paulo, mas somente por um missionário evangélico
moderno que tenha estado na China poderia fazê-lo. Contudo, o que alguém chegue
a dizer sobre a China pode ser aplicado ao mundo inteiro, porquanto Paulo
descrevia a natureza aviltada da raça humana inteira, quando se encontra afastada
de Deus. Mais adiante o apóstolo dos gentios haveria de mostrar como os homens
podem ser redimidos, até mesmo de um estado tão moralmente aviltado como esse.
Isso significa que há esperança para todos, porque se Deus pode corrigir tais
males, nada existe que ele não possa fazer.
Resultados
Rm 1:32:
os quais, conhecendo bem o decreto de Deus, que declara dignos de morte os
que tais coisas praticam, não somente as fazem, mas também aprovam os que as
praticam.
O Decreto de Deus
1. Deus determinou a ira
para a incredulidade e a rebelião (ver Rm 1:18).
2. Os homens
reconhecem intuitivamente esse decreto, da mesma maneira que reconhecem a Deus.
Certo homem dizia: «Temo que a Bíblia diz a verdade!».
O que ele queria dizer é: «Continuo em meu caminho de rebeldia;
a Bíblia diz: Haverás de colher o fruto de tuas ações. Espero, pois, que
a Bíblia esteja equivocada!» Ora, mesmo sem a Bíblia, os homens sabem que isso
expressa a verdade.
3. A opção é entre o
julgamento e o caos, pois se o bem não será galardoado e se o mal não será
punido, então este mundo se transforma em caos, porquanto opera sem razão e sem
alvo.
4. O homem, em sua
apostasia e em seus múltiplos vícios, desafia a Deus para que faça algo a
respeito. Mas, em seu coração, ele sabe que Deus o fará, em algum tempo, em
algum lugar. Sua alma talvez chegue mesmo a desejar essa providência divina,
inconscientemente, pois os juízos divinos armam o palco para o exercício de sua
misericórdia (ver Rm 8:32), sendo eles corretivos, e
não meramente retributivos (conforme aprendemos em I
Pe 4:6).
5. O homem pode
continuar a usar seu livre arbítrio para o mal, mas algum dia, Deus porá ponto
final em tudo isso. O julgamento divino é a única coisa capaz de retificar
novamente as tortuosidades tão laboriosamente criadas pelo homem. Assim sendo,
que venha o julgamento divino!
Aprovação social ao
pecado: os
homens aprovam os pecados alheios. O pecado é mutuamente aprovado.
1. Um homem pode
querer fazer muitas coisas — encorajado pela turbamulta, as
quais não realizaria doutro
modo. Isso se aplica ao caráter geral de sua vida. Um homem, aplaudido pela
multidão, é capaz de pôr em prática um vício qualquer. Os homens apreciam
praticar juntos os seus vícios e, com frequência, os mais horrendos pecados se
tornam formas de entretenimento.
2. Este versículo
ensina-nos como os homens «aprovam» os pecados de seus semelhantes. Por certo
isso os encoraja a prosseguirem. Essa «aprovação» (quase sempre mútua) serve de
uma espécie de desculpa psicológica para o erro. Eu faço isto ou aquilo; aquele
outro também o faz; portanto, deve ser algo que para nós está certo! Mas então
a consciência irrompe com o grito de Mentiroso!
3. Uma das mais
solenes declarações de Jesus é aquela que nos adverte de que aquele que
encoraja a outrem ao pecado, será mínimo no reino dos céus (ver Mt 5:19). É uma insensatez alguém pecar sozinho, de modo
proposital. É loucura encorajar outros a fazê-lo.
4. Quais são os
verdadeiramente grandes? São aqueles que obtêm a aprovação de outros no tocante
ao que fazem? Não. São aqueles que observam os mandamentos de Deus.
5. Podemos observar
que, em nossa época, até mesmo o terrorismo, os homicídios e a violência em
massa, são erros aprovados por certas organizações, e esses erros são mesmo
considerados ali como «causas santas». A ira de Deus fará reverter todos esses
juízos humanos pervertidos. Alguns homens caminham de cabeça para baixo no
teto, mas chamam-no de soalho.
«Que
tremenda descrição sobre este mundo de pecadores, desta raça de alienados da
vida de Deus, que estão em inimizade contra Deus e que vivem a contender uns
com os outros!
Mas todos estão em uma unidade infernal da maldade!» (Newell,
in loc).
III. Empregando o Método
da Pêntada: Cl 3:5 ss
«Paulo, em Cl 3:5 ss,
adota uma forma literária que não se acha em qualquer outra
porção de suas epístolas. Em vez de apresentar um catálogo geral de vícios
pagãos, conforme se vê em Rm 1:26-31 e Gl 5:19,21, ele
usa aqui o esquema artificial das pêntadas — duas de
vícios e uma de virtudes. Dificilmente isso teria sido de sua invenção, não tem
conexão necessária com qualquer coisa em seu próprio pensamento. É possível que
seus adversários, em Colossos, tivessem traçado esquemas similares, com base na
correspondência com os cinco sentidos, que constituiriam os apetites do homem
natural. Entretanto, visto que a mesma forma é usada na primeira epístola de
Pedro (notemos a pêntada de vícios em I Pe 2:1, e a pêntada de virtudes em
I Pe 3:8), provavelmente temos aqui uma convenção dos moralistas helenistas». (Beare, in loc). (Quanto a
essas pêntadas (grupos de cinco) ver o quinto
versículo (a primeira) e o oitavo versículo (a segunda). Notemos também o
décimo segundo versículo, onde há uma pêntada de
virtudes, perfazendo um total de três pêntadas).
O homem, seu próprio maior inimigo Há uma antiga lenda escocesa que conta
acerca de um
fazendeiro que se viu a braços com um horrível monstro destruidor. O monstro
derrubou seus celeiros, matou e espalhou seu gado, arruinou suas plantações e,
finalmente, matou seu próprio filho primogênito. Entristecido e irado, o que
venceu momentaneamente o seu terror, resolveu caçar o monstro e matá-lo. Assim,
em uma noite fria, se pôs de tocaia em uma ravina. A memória do que o monstro
fizera, conservava-lhe a coragem. Repentinamente,
ele ouviu suas passadas pesadas, que se aproximavam. Enfurecido, lançou-se para a frente, soltando um grito de guerra. Seu impulso lhe
deu uma vantagem temporária, e o monstro foi derrubado. Mas o monstro era mais
forte que o homem havia antecipado, e não demorou a revidar com golpes e
maldições. O fazendeiro começou a ser dominado, mas, em desespero de causa,
reiniciou a luta heroicamente, de tal modo que enfraqueceu o monstro.
Finalmente, o monstro foi subjugado. O fazendeiro puxou da espada e se preparou
para desfechar o golpe mortal. Nesse momento, um raio de luar incidiu sobre o
rosto do monstro. Horrorizado, o fazendeiro retrocedeu — o rosto do monstro era
o seu próprio rosto!
Pêntada de Cl 3:5
1. Prostituição. No grego é porneia. A melhor tradução aqui seria
«imoralidade», porque tal pecado não é apenas o tráfico comercial do sexo,
conforme a palavra «prostituição» significa para nós. A tradução «fornicação»,
que algumas versões usam, também não é boa, pois essa palavra tem o sentido,
hoje em dia, de pecados sexuais praticados antes do casamento. A palavra é
usada mui geralmente a fim de indicar todas as formas de pecado sexual, a
despeito do fato de que se deriva do vocábulo grego porne,
«prostituta». Trata-se do agir como uma prostituta, com sua mentalidade e
seu estilo de vida. Esse vício também figura em Ef 5:3,
2. Impureza. No grego é akatharsia, isto é, qualquer forma de
«impureza moral»; mas também está em foco qualquer impureza espiritual ou
física. No presente contexto, porém, mui provavelmente estão em foco as
impurezas sexuais, que corrompem o indivíduo, espiritual e fisicamente. Esse
mesmo vício também aparece em segundo lugar na lista de Ef 5:3, onde figura a
palavra «toda», isto é, toda a forma de «impurezas». Os pagãos se
caracterizavam por muitos vícios sexuais, que eram chocantes para a mentalidade
judaica, pelo que também em todas as listas de vícios, os pecados sexuais são
os mais atacados, e isso sob boa variedade de termos.
3. Paixão lasciva. No grego é pathos. Não se encontra na lista de vícios da
epístola aos Efésios. Tal vocábulo pode indicar anelos bons ou maus, dependendo
do modo como é empregado. Pode indicar uma emoção passiva ou ativa; mas,
usualmente, é usado para indicar paixões violentas e prejudiciais, que
irrompem na forma de cólera, de ira descontrolada. Também é usada essa palavra
em Rm 1:26, onde tem sentido sexual, isto é, «paixões
infames», como o homossexualismo ou a concupiscência desordenada. É bem
provável que o apóstolo dê aqui prosseguimento aos sentidos «sexuais» deste
versículo, o que aponta para paixões ilegítimas e descontroladas. Em Herm. 4,1,6, essa palavra é usada
para indicar uma mulher adúltera.
4. Desejo maligno. No grego é peithumia, acompanhada essa palavra do
adjetivo kaken, «maligno», palavra que
também não faz parte da lista de vícios da epístola aos Efésios. Indica todos
os «anelos» malignos e «desejos desviados». Tal palavra era usada positiva ou
negativamente; aqui temos o último caso, com o acréscimo da palavra «maligno».
Trata-se do desejo pelo que é proibido e pervertido, os
desejos insensatos (ver I Tm 6:9); as paixões da mocidade (ver II Tm 2:22); os
desejos dominadores, que levam a práticas pecaminosas (ver I Pe 1:14); as paixões
contaminadoras (ver II Pe 2:10), os desejos enganadores (ver Ef 4:22); os
desejos da carne (ver Ef 2:3; I Jo 2:16 e II Pe 2:11). Esses são outros
exemplos do uso dessa palavra no N.T.
5. Avareza. Trata-se do desejo de
possuir coisas pertencentes a outros, a cobiça pela fama, pelo lucro ou pelas
vantagens terrenas. Esse vício se encontra na lista de Ef 5:3,5,
no contexto semelhante. Entretanto, ali é ensinado que, entre os outros vícios,
nem deveríamos nomear tal coisa como característica de um «santo». O quinto
versículo, tal como o presente, identifica-o com a «idolatria». O trecho de Ef 4:19 também envolve essa palavra, onde se lê que é uma coisa
que não deveria caracterizar os que «aprenderam de Cristo». O indivíduo adora
àquilo que ama, seja o dinheiro, as vantagens sociais ou os prazeres. E isso se
torna o seu «deus», o seu ídolo, o que significa que suplanta o lugar de Deus
em sua vida. Os moralistas estoicos viam esse pecado como a fonte originária de
todos os males. O trecho de I Tm 6:16 expressa ideia
similar, embora ali o «dinheiro» seja o ofensor, isto é, apenas uma das várias
coisas que tornam um homem um idolatra. A equiparação da cobiça com a idolatria é correta, e
mostra que apesar de hoje em dia poucos adorarem ídolos de madeira e pedra,
contudo, quase todos os homens continuam sendo idolatras.
Cobiça.
1. Vem do coração
(ver Mc 7:22,23).
2. Embota o coração
(ver Ez 3:31 e II Pe 2:14).
3. É idolatria (ver
Ef 5:5 e Cl 3:5).
4. É uma raiz de
todos os males (ver I Tm 6:10).
5. Nunca se satisfaz
(ver Ec 5:10 e Hb 2:5).
6. É vaidade (ver Sl
39:6).
7. Não convém aos
santos, pois lhes é elemento deletério (ver Ef 5:3 e Hb 13:5).
8. É especialmente
errada nos ministros da palavra (ver I Tm 3:3).
O que é idolatria. Consideramos as ideias
abaixo.
Referências e ideias.
A idolatria:
1. A idolatria é
proibida (ver Êx 20:2,3 e Dt 5:7).
2. A idolatria
consiste em se prostrarem os homens perante imagens de escultura (ver Êx 20:5 e
Dt 5:9).
3. Consiste em
sacrificar perante imagens de escultura (ver Sl 106:38 e At 7:41).
4. Consiste em adorar
a outros deuses (ver Dt 3:17 e Sl 81:9).
5. Consiste em ir
após outros deuses (ver Dt 8:19).
6. Consiste em adorar
ao verdadeiro Deus por meio de alguma imagem de escultura, etc. (ver Êx 32:4-6
com Sl 106:19,20).
7. A idolatria é descrita
como uma abominação a Deus (ver Dt 7:25).
8. É odiosa para Deus
(ver Dt 16:22 e Jr 44:4).
9. É desprezível (ver
I Pe 4:3).
Pêntada de Cl 3:8
1. Ira. (Ver Ef 4:26). — Esta passagem é paralela a Ef 4:26,
e a maioria dos vícios também são referidos dentro da metáfora do «despir» do
mal e do «vestir» a nova natureza. O grego diz aqui «orge».
Esse vocábulo também figura em Ef 4:31. Significa
«ira», «indignação», sendo uma emoção alicerçada sobre uma disposição dura e
amarga. É uma das obras da carne, tal como o são todos
os outros vícios mencionados, tanto no quinto versículo como aqui (ver Gl
5:19,20).
«Melhor é o longânimo do que o herói da guerra, e o que domina o seu
espírito do que o que toma uma cidade» (Pv 16:32).
A ira consiste na
impaciência com o próximo, em que são usadas palavras de despeito, maculados
pelo egoísmo contra o próximo, — de mistura com sentimentos de superioridade e
de ódio.
«Há
quatro tipos de disposição. Em primeiro lugar, há aqueles que
facilmente se iram mas facilmente são pacificados;
esses ganham por um lado e perdem por outro. Em segundo lugar, há aqueles que
não se iram facilmente, mas só com dificuldade são pacificados; esses perdem
por um lado e ganham por outro. Em terceiro lugar, aqueles que dificilmente se
iram e facilmente se deixam pacificar; esses são os bons. Em
quarto lugar, há aqueles que facilmente se iram, e só com dificuldade se deixam
pacificar; e esses são os ímpios». (Midrash
hannalam, cap. v.ll).
«A ira começa com a
insensatez e termina com o arrependimento». (John Dryden).
«Temperamente:
qualidade que, nos momentos críticos, produz o aço da melhor qualidade e o que
é pior nas pessoas». (Oscar Hammling).
«A melhor resposta
para a ira é o silêncio». (Provérbio alemão).
«A resposta branda
desvia o Furor, mas a palavra dura suscita a ira» (Pv
15:1).
Referências e ideias.
A ira:
A ira é proibida (ver Ec 5:22 e Rm 12:19).
2. É uma das obras da
carne (ver Gl 5:20).
3. Caracteriza aos
insensatos (ver Pv 12:16).
4. É companheira da
crueldade (ver Gn 49:7).
5. Acompanha a desavença
e a contenda (ver Pv 21:19 e 29:22).
2. Indignação. No grego é thumos, alistado em Gl 5:20
como uma das obras da carne. Em Ef 4:31 também está
vinculada à palavra anterior, embora figure antes dela. Significa «paixão», «ira
apaixonada», «cólera», «explosão de ira». Talvez a primeira forma, «orge», fale de uma disposição fixa, ao passo que esta
última alude a manifestações súbitas, explosivas, embora os dois vocábulos, com
frequência, sejam meros sinônimos.
3. Maldade. No grego é kakia, palavra de mui lata aplicação, como
«depravação», «impiedade», «vício», «malícia», «má vontade», «malignidade». Por
ter um significado tão amplo, ao usá-lo. Paulo ataca grande variedade de
maldades. Inclui até mesmo a ideia de «prejudicar ao próximo» (Suidas), mas envolve até mesmo mais do que isso. É termo
empregado também em I Co 5:8; 14:20; Ef 4:31; Tt 3:3 e
I Pe 2:1. Aparece num total de onze vezes, nas páginas do N.T.
4. Maledicência. No grego é blasphema, a fala abusiva contra Deus ou
contra os homens. A linguagem abusiva contra Cristo também é assim chamada (ver
Mt 27:39 e Mc 15:29). (No tocante a tal abuso contra o
nome de Deus, ver Rm 2:24; II Clemente 13:2; I Tm 6:1
e Ap 1:36). Trata-se da difamação, da injúria contra a reputação alheia, contra
a calúnia, conforme se vê em I Co 4:13 e At 13:44 e
18:6, onde é usada acerca dos homens.
5. Linguagem obscena
do vosso falar.
No
grego temos uma única palavra, aischrologia,
que significa «linguagem obscena» ou «linguagem abusiva». Provavelmente se
deve compreender aqui por «linguagem abusiva», devido à sua conjunção com a
«ira» e a «indignação». O termo grego aischros
significa «feio», «vergonhoso», «vil», «aviltante». Esta é a sua única
menção em todo o N.T. Algumas traduções preferem traduzi-la por «abuso de boca
suja», que retém tanto a ideia de profanação como a ideia de obscenidade,
juntamente com a ideia de abuso.
É da abundância do
coração que a boca fala. Um homem, em uma explosão de ira, revelará a condição
de seu coração, o que pode ser aquilatado pelo tipo de linguagem que emprega. A
carnalidade se expressa mediante linguagem imunda, abusiva e iracunda, conforme
se pode verificar todos os dias, na sociedade humana.
Notemos a importante
adição do trecho de Ef 4:29, após as palavras «palavra
torpe», a saber: «...unicamente a que for boa para edificação, conforme a
necessidade, e assim transmita graça aos que ouvem». Essa adição mostra o uso
que os crentes devem fazer da faculdade da fala, em contraste com a linguagem
dos incrédulos.
«Talar
é fácil'.
'Palavras, palavras, nada senão palavras'. 'Ele é apenas um falador'. Essas
afirmativas ilustram a depreciação comum da importância da fala. Porém, haverá
coisas no mundo mais poderosas em favor do bem ou do mal, do que as palavras? A
fala é a faculdade que distingue o homem dos animais. É o sinal da
personalidade. O autoconsciente se manifesta somente pela fala. O pensamento é
impossível sem palavras, que enfeixam ideias. As ações são antecedidas pelo
pensamento. Conforme diz Heine: 'O pensamento antecede à ação, como o relâmpago
antecede ao trovão'. Mas o pensamento é impelido pela sugestão verbal. Toda a
cooperação entre os seres humanos depende, para seu sucesso, da comunicação
verbal... A solidariedade cultural de um grupo se alicerça sobre uma linguagem
comum. O caráter é revelado pela própria maneira de falar, '...porque
a boca fala do que está cheio o coração' (Lc 6:45). Assim
sendo, Tiago (no terceiro capítulo de sua epístola) não está grandemente
equivocado quando dá tanta ênfase à língua». (Easton, referindo-se ao
trecho de Tg 3:2).
IV. A Maior lista de
Vícios dos Evangelhos Sinópticos
Comparando-se a lista de pecados,
em Mt 15:19-20 com aquela exposta por Marcos, nota-se
que Marcos (7:21,22) apresenta uma lista mais completa. Mateus se refere a
«falsos testemunhos», que Marcos nem menciona; porém, Marcos declara os
seguintes pecados: «...avareza, malícia, dolo,
lascívia, inveja, soberba e loucura», os quais não foram registrados por
Mateus. Portanto, teremos de acompanhar aqui palavra por palavra das que foram
empregadas por Marcos, dando-lhes as explicações correspondentes:
1. Maus desígnios. —Os atos perversos se
originam dos pensamentos. Alguns relacionam esses «maus desígnios» aos
pensamentos pervertidos dos homens que criaram as «tradições» religiosas que
suplantaram as leis morais de Deus. Essa ideia talvez esteja incluída, mas a
intenção foi de sentido geral, isto é, designa toda a esfera de pensamentos
pervertidos que criam, em última análise, os atos pecaminosos. John Gill (in
loc.) diz: «Todas as imaginações iníquas, os raciocínios carnais, os desejos
pecaminosos e as invenções maliciosas estão incluídos aqui».
2. Prostituição ou fornicação.
Pecados sexuais dos solteiros. Essa palavra pode ser sinônimo
de «adultério», e também pode significar pecados sexuais em geral; mas,
pelo fato de também haver «adultério» na lista, provavelmente o autor sagrado
falava do pecado dos solteiros ou da impureza de modo geral, sem qualquer
relação ao estado civil das pessoas em questão.
3. Furtos. Apropriação indébita
de objetos alheios. Essa ação pode ser praticada de modo violento, por ludibrio
ou por desonestidade.
4. Homicídios. Arrebatamento da vida
humana intencionalmente, pela própria mão ou por mão alheia. Talvez Jesus
quisesse incluir aqui os atos que não vão além da intenção, mas que têm a mesma
natureza daqueles que são realizados, conforme se aprende em Mt
5:21,22.
5. Adultério. Esta palavra sempre significa
os pecados sexuais dos casados. Novamente é possível que Jesus quisesse incluir
aqui a ideia não somente do ato em si, conforme vemos em Mt
5:27,28.
6. Avareza. Amor ao dinheiro;
desejo maior pelas coisas materiais do que pelas espirituais, o que resulta em
uma vida dirigida por princípios materiais, ou pelo materialismo. Ver o
manifesto de Jesus contra o materialismo, em Mt
6:25-34.
7. Malícias. Ódio, atos violentos,
maldade.
8. Dolo. Engano ou ludibrio
mediante artifícios; desonestidade por palavra ou ação. O caçador procura uma
vítima por meio de uma isca.
9. Lascívia. Palavra de derivação
incerta no original. Frequentemente tinha o sentido que lhe damos atualmente;
mas, no grego clássico, indicava um tratamento violento para com os outros, falta
de respeito. No N.T. é usada com a ideia de satisfação sexual sem restrições. A
palavra pode incluir a ideia de desvios sexuais.
10. Inveja. Literalmente, «mau
olhado» e, portanto, «inveja» (segundo as traduções AA, AC e IB) é a
interpretação correta dessa palavra. Trata-se de uma atividade maliciosa, que
procura causar malefício ao próximo, especialmente por motivo de inveja de suas
riquezas ou bens, e com a intenção de roubar-lhe os mesmos. O trecho de Mt 20:15 se utiliza dessa palavra: «Porventura não me é
lícito fazer o que quero do que é meu? Ou são maus os teus olhos porque eu sou
bom?» Por conseguinte, o sentido da palavra «inveja», neste caso, é a sua forma
mais virulenta.
11. Blasfêmia. Linguagem injuriosa,
usada contra Deus ou contra os homens (ver Mt 12:31).
12. Orgulho próprio. A ideia inerente ao
vocábulo grego, é a de alguém que ergue a cabeça acima
da dos demais. Está em vista um coração altivo contra Deus e contra os homens.
Essa é uma palavra rara no N.T. O adjetivo cognato aparece em Rm 1:30 e II Tm 3:2.
13. Loucura. Literalmente, «falta
de bom senso»; mas é usada com frequência no sentido de insensatez. Prática de
atos ilógicos, desarrazoados. Pode ser realizada por palavras ou por atos. Esse
vocábulo também é raro no N.T., porquanto figura somente em II Co 11:1,17,21 e neste trecho do evangelho de Marcos. Em Pv 14:18 e 15:21 é interpretado como um tipo de loucura que
se constitui da ausência de temor a Deus, a louca paixão da impiedade.
14. Falsos testemunhos. O evangelho de Mateus
acrescenta este pecado à lista apresentada por Marcos. Consiste em dar falso
testemunho aos outros ou a respeito de outros, em conversa pessoal ou em
tribunal de justiça; mentiras particulares e públicas.
Treze vícios aparecem na lista de Mc 7:21,22, ao
passo que Mateus contém apenas sete pecados. A adição de «falsos testemunhos», pelo
autor deste evangelho, foi tomada de empréstimo dos dez mandamentos. Outras
listas de vícios e virtudes são dadas em Rm 1:29-31 e
Gl 5:19-23. Tais listas são mais
características da filosofia popular greco-romana do que das ideias religiosas
dos judeus.
As Coisas que
Contaminam o Homem:
Mt 15:20
São estas as coisas
que contaminam o homem; mas o comer sem lavar as mãos, isso não o contamina.
«São estas as cousas
que contaminam o homem». Jesus repete o seu argumento de forma abreviada e enfática.
O Senhor demonstrou diversas coisas que quebram os mandamentos de Deus, como:
1. Maus desígnios,
que de algum modo quebram a qualquer dos mandamentos.
2. Homicídios, que
quebram o sexto mandamento.
3. Prostituição e
adultério, que quebram o sétimo mandamento.
4. Furtos, que
quebram o oitavo mandamento.
5. Falsos testemunhos,
que quebram o nono mandamento.
6. Blasfêmias, que
quebram o terceiro mandamento.
Todas essas coisas
contaminam o indivíduo, tornando-o indigno de participar da adoração a
Deus, pessoal ou publicamente. E essa contaminação é autêntica, porquanto procede
do coração, que indica o homem real, interior, que é sede de seu caráter,
mas que não tem qualquer vinculação com as coisas externas, como a lavagem ou
não das mãos. Jesus fez a antítese entre «mãos» e «coração». As coisas das
«mãos» (que são físicas) não contaminam o homem; mas as coisas do «coração»
(que são espirituais) é que, sendo moralmente erradas, certamente contaminam o
homem. Esse tipo de moralidade é para nós um conceito comum, o
qual aceitamos sem fazer qualquer objeção. Porém, para os judeus daquele
tempo era uma ideia revolucionária, pois eles viviam sob a influência de
indivíduos que enfatizavam, ato o extremo da tolice,
as exigências inerentes às leis cerimoniais.
V. Os Vícios como
Obras da Carne:
Gl 5:18-21
Esses vícios mui naturalmente se dividem em quatro
categorias:
1. Pecados sensuais,
vs. 19.
2. Pecados de
superstição ou religião falsa, vs. 20.
3. Pecados de mau
temperamento, vss 20,21.
4. Pecados de várias
formas de excessos, vs. 21.
1. Prostituição. A tradução imoralidade
ficaria muito melhor aqui, como tradução do termo grego porneia,
visto que o termo «prostituição» dá a entender o tráfico comercial do sexo.
O sentido original desse vocábulo podia realmente ser traduzido por
«prostituição», visto que ela se deriva da raiz grega «porne»,
que significa «prostituta». No entanto, o substantivo «prostituição»
gradualmente foi assumindo um significado mais lato. O termo básico, no grego,
é paralelo a «permeni», que significava «vender», o
que alude ao comércio que as mulheres faziam e fazem do sexo. Porém, a tradução
imoralidade indica todas as formas de pecado de natureza sexual.
Algumas versões dizem
aqui fornicação; mas essa tradução também é inadequada, porquanto
atribuímos a esse termo a ideia de pecados sexuais anteriores ao casamento.
Todavia, a fornicação e a prostituição são tipos de imoralidade. Na realidade,
a palavra grega aqui usada pode indicar até mesmo o «adultério», isto é, o
pecado sexual entre pessoas casadas com outras. Os chamados «cultos de
fertilidade», que havia nos dias de Paulo, glorificavam todas as modalidades de
imoralidade, transformando-as em atos de devoção religiosa. O dinheiro que as
prostitutas religiosas profissionais recebiam de suas nefandas atividades nos
templos pagãos, era empregado para o sustento e a expansão de formas de
adoração idolatra; por isso mesmo era natural que os judeus sempre tivessem
associado a idolatria e pecados sexuais de muitas
variedades. A idolatria, pois, era encarada como a raiz da imoralidade sexual. Somente na cidade de Corinto,
mais de mil prostitutas religiosas infestavam os seus vários templos pagãos.
(Ver o trecho de Rm 1:18-27, onde Paulo denuncia
abertamente os pagãos, por sua imoralidade). Entre as muitíssimas razões pelas
quais não deveríamos participar de tal forma de pecado, destacamos aquela que
aparece em I Co 6:13-20 e 10:1-13, a saber, tais
pecados são uma violação de nossa relação e de nossa comunhão com Cristo.
2. Impureza. No original grego, é akatharsia, que significa, literalmente,
«impureza», «imundícia», refugo, ainda que, figuradamente, indicasse imoralidade,
vício, «impureza nas questões sexuais». Tal vocábulo era empregado para
indicar uma ferida suja, na carne, ou a depravação moral do espírito, a iniquidade,
embora não necessariamente de ordem sexual. Porém, neste contexto, certamente
Paulo tinha em mente as impurezas sexuais praticadas com tantas variedades
indefinidas. Os vícios sexuais estão em foco, como a homossexualidade, o abuso
das funções sexuais que corrompem o indivíduo a ponto de torná-lo
espiritualmente imundo. Essa mesma palavra era utilizada para indicar a
«impureza cerimonial», na versão da Septuaginta, do A.T., adquirida mediante o
toque em um cadáver, em um leproso, em um animal proibido, etc. As impurezas sexuais nos tornam
imundos; e isso é o que Paulo enfatiza aqui, sem especificar nenhuma forma
particular de vício.
3. Lascívia. No grego, aselgeia, que significa «licenciosidade», sensualidade
exagerada. Está em pauta a conduta assinalada por indulgência sexual
irrestrita, por violência e voluntariedade pervertida. No grego clássico tal
palavra não tinha, necessariamente, uma conotação sexual; porém, visto que ela é agrupada com outros vocábulos que têm tal sentido, e por
ter tal sentido comum, nos escritos de outros autores, é altamente provável que
Paulo tenha continuado a frisar pecados sexuais, embora agora o faça sob a luz
daqueles que são exageradamente sensuais, violentos, que abusam da
moralidade pública e privada. No texto de Ef 4:19,
vemos que aqueles que destroem completamente
a consciência, tendo-a «cauterizada», entregando-se ao «deboche», aos pecados
sexuais exagerados (a mesma palavra é usada naquele texto), entregavam-se à
«lascívia».
4. Idolatria, vs. 20. Os judeus
consideravam esse pecado como o motivo básico da corrupção do homem, aquele que
aliena o homem de Deus, servindo, dessa forma, de alicerce para todos os demais
pecados (ver Rm 1:18-32).
«Típica da guerra
incansável do judaísmo contra a idolatria destaca-se a epístola de Jeremias,
que descreve os ídolos como poeira, como ninhos corroídos de morcegos, de aves
e de gatos; não sendo deuses sob hipótese alguma, mas
antes, obras das mãos dos homens, impotentes e inúteis como um espantalho em um
pepinal. A história de Bel e o
Dragão amontoa derrisão e ridículo contra Esculápio, o deus pagão da
cura, onde Daniel aparece como alguém que abateu sua serpente ao dar-lhe a
fórmula prescrita de piche, gordura e cabelos! Os gentios inteligentes admitiam
que os ídolos não são os próprios deuses, mas
insistiam que os representavam. Os cristãos primitivos replicavam que esses
supostos deuses e senhores não são senão demônios (ver I Co 8:4-6 e 10:19-21). A idolatria, portanto, era uma 'obra da carne'.
Mediante a idolatria a natureza humana não regenerada cria suas divindades
segundo a imagem humana e conforme os desejos humanos, edificando uma teologia
capaz de racionalizar a maneira como os pagãos viviam e como tencionavam
continuar vivendo. Por todo o decurso da história da
humanidade a sua forma mais sutil e perigosa tem sido sempre o estado da
adoração ao próprio 'eu'». (Stamm, in loc).
5. Feitiçarias,
é tradução do termo
grego pharmakeia, alusão ao uso de
drogas de qualquer espécie, benéficas ou venenosas. Visto que as feiticeiras e
bruxas usavam drogas em seus ritos, essa palavra veio a designar a prática da
feitiçaria, da mágica, das bruxarias e de todas as formas de encantamento. A
lei de Moisés mostrava-se extremamente severa nesse particular, exigindo a pena
de morte para aqueles que praticassem ou participassem de tais coisas. As
Escrituras do A.T. e os comentários sobre as mesmas denunciam os egípcios, os
babilônios e os cananeus pela prática de todas essas atividades. — (Ver At
13:6; 19:15,19 sobre a «mágica»).
A experiência mostra-nos que tais práticas, embora em muitos casos sejam
fraudulentas, não deixam de ter certo poder; e não há que duvidar que espíritos
malignos, de vários níveis do mundo espiritual, algumas vezes se envolvem
nessas manifestações, outorgando aos homens os seus desejos, mas furtando-lhes
o controle sobre o mal, sobre as poluções morais e reduzindo-os a estados mais
profundos ainda de inimizade contra Deus. Nos tempos de Paulo essa prática era
evidentemente comum na Ásia Menor. É desnecessário é dizer que, sob as mais
variegadas formas, a bruxaria continua bem viva no nosso mundo moderno.
6. Inimizades. No grego, echthrai, ou seja, «ódios», «inimizades», uma
palavra usada no plural, indicando muitas modalidades de ódios, contra Deus e
contra os homens. Essa emoção é o oposto exato do amor, pois, em vez de buscar
o benefício e o bem-estar do próximo, busca prejudicá-lo, almejando a sua
destruição; e assim fica exibido um caráter profano, visto que Deus é amor. As
inimizades geram as hostilidades de todas as formas.
7. Porfias. É a tradução do
vocábulo grego «eris», «desavença», «contenda».
Trata-se da atitude mental hostil, que cria problemas os mais inesperados entre
as pessoas, resultando em dissensões e divisões. É a mesma coisa que a
«discórdia», a «querela», a «briga». É caracterizada essa atitude pela ambição,
desatenção, enfeiamento e derrisão.
Mais corretamente, facções.
Derivado de erithos, «servo
alugado». Erithia era, primariamente,
«trabalho por contrato» (ver Tobias 2:11).
8. Ciúmes. No grego, «zelos»,
variegadamente traduzida por «emulações»,
«invejas». Mas o termo também tinha um sentido positivo, como «zelo», «ardor».
Porém, é óbvio que, neste caso, está em foco um desejo intenso pela vantagem
pessoal, com a degradação das realizações e qualidades dos outros. Naturalmente,
a inveja é uma forma maligna de egoísmo, de par com uma avaliação inferior
sobre o valor alheio, que deseja o mal ao próximo, e não o seu bem. Nos
escritos clássicos podia significar uma paixão nobre, uma emulação que
impulsionava à obtenção de coisas melhores, um sentimento ardoroso para com
outrem, em contraste com o vocábulo «phthonos», isto
é, «inveja». Porém, até mesmo nesses escritos clássicos por muitas vezes esses
dois termos gregos são meros sinônimos.
9. Iras. No grego, thumoi, «iras», «raivas», uma palavra usada
no plural. Esse termo indica a «alma», o «espírito», o «coração», e daí se
derivaram as ideias de «coragem», de «mau temperamento», de «ira». É bem
provável que Paulo quisesse destacar aquelas explosões de ira, que criam
sentimentos de hostilidades contra nossos semelhantes. Também podia indicar
«ardor» ou «paixão», mas a simples ira é o significado natural aqui. Tal
vocábulo era usado tanto para Deus como para os homens (ver Ap
14:10,19; 15:1, etc). Indicava tanto a indignação divina
como a fúria de Satanás (ver Ap 12:12). Apontava para
a ira dos homens (ver Lc 4:28; At 19:28; II Co 12:20 e
Cl 3:8). Essa emoção é causa de muitos conflitos pessoais, domésticos e
religiosos. É o contrário da ação benigna do Espírito Santo. Tal emoção solapa
e destrói o espírito de amor cristão. Transforma em adversários aqueles que
deveriam amar-se mutuamente.
10. Discórdias, no grego eritheiai, que quer dizer «facções»,
«espírito partidário». Trata-se de uma das formas pela qual se manifesta o
egoísmo, o que causa divisões e partidarismos (ver Rm 16:17).
Originalmente, esse vocábulo indicava a ideia de «trabalhar em troca de
salário»; mas posteriormente degenerou em seu sentido, passando a indicar a
feitura de algo com propósitos egoístas, com espírito de facção. Na passagem de
Fp 2:3 aparece como aquilo que faz oposição direta à mente de Cristo. É a
«explosão egoísta», que provoca contendas e divisões.
11. Dissensões. No grego original é dichostasiai, ou seja, «sedições»,
«levantes». Podiam ser de natureza política, social ou particular. Paulo quis
indicar aqui as várias querelas entre irmãos, que ameaçavam a unidade do corpo
de Cristo. (Comparar com o trecho de Rm 16:17, onde
Paulo nos adverte contra as dissensões, que são provocadas por aqueles que
servem a si mesmos, e não a Cristo Jesus).
12. Facções, no grego, aireseis, cuja tradução mais literal seria
«heresias», mas que, neste trecho bíblico, bem provavelmente indica «espírito
faccioso», porquanto sua aplicação a doutrinas «não ortodoxas» é de
desenvolvimento posterior, que não se encontra nas páginas do N.T. A raiz do
termo grego indica a ideia de «escolher», pelo que também airesis
é uma «escolha», uma «preferência». Na linguagem filosófica, denotava a
tendência demonstrada por uma escola de pensamento qualquer. As diferenças de
opinião podem ser úteis ou destrutivas, dependendo de sua natureza tão somente.
Porém, as ideias e as ambições rivais tendem para a formação de partidos ou
divisões no seio do cristianismo. Essa é a atitude que Paulo condena neste
ponto. Paulo condena aquela rivalidade baseada no egoísmo, o que produz tais
divisões. Ver o trecho de At 24:14, onde esse vocábulo
denota um «grupo» ou «seita». Na passagem de At 24:5, essa palavra indica a
«seita dos nazarenos». Já em Mart. Pol. Epil. 1, esse vocábulo é empregado para designar uma «heresia»,
tal e qual o termo é usado hoje em dia. Porém, isso já depois do período
apostólico, depois da escrita do N.T. (ver I Co 9:19 e
II Pe 2:1, quanto a outras passagens neotestamentárias
que têm essa palavra).
13. Invejas, (v. 21). A palavra
grega é phthonoi. Deve-se notar o
plural que denota várias modalidades de desejos invejosos. Tal vocábulo também
podia significar «malícia» e «má vontade». Todos os homens estão familiarizados
com as ações malignas provocadas pelos homens, quando se deixam arrastar por
tais paixões. Os trechos de Mt 27:18 e Mc 15:10 dizem
que por inveja é que os adversários do Senhor Jesus o entregaram a Pilatos.
«É
a dor sentida e a malignidade concebida, à vista da excelência ou da
felicidade.
É a paixão mais vil e a menos passível de cura, dentre todas quantas desgraçam
ou degradam a alma decaída (ver sobre Rm 13:13)».
(Adam Clarke, in loc).
«Uma aflição inquieta
tortura a mente, entristecida ante o bem alheio, porque alguém se encontra em
igual ou melhor situação». (John Gill, in loc).
14. Bebedices. No grego, é methai, que significa «bebida alcoólica» e
«alcoolismo», causado pelo uso excessivo de bebidas. — A forma plural bem
provavelmente indica aquilo que realmente se verifica, a saber, a «repetição»
do estado de bebedeira. A bebedeira é um excesso extremamente prejudicial ao
corpo, o que seria suficiente para levar essa condição a ocupar lugar entre as
obras da carne. Porém, conforme é fato bem conhecido, o alcoolismo também leva
o indivíduo a diversos outros vícios, porquanto remove as inibições naturais,
deixando-o livre para praticar coisas degradantes. Essa circunstância faz da
bebedeira algo ainda mais culposo, como uma das manifestações carnais. As obras
da carne, mencionadas no décimo nono versículo deste capítulo (vários excessos
de ordem sexual), são encorajadas pelo alcoolismo, conforme é o caso das
«farras», o último vício aludido nesta impressionante lista.
15. Glutonarias. Originalmente, essa
palavra indicava, no grego, um cortejo festivo, em honra ao deus pagão do vinho, Dionísio.
Era uma refeição e um banquete festivos; mas com frequência seus participantes
perdiam o domínio próprio e tudo se transformava em ocasião de glutonaria e
bebedeiras, de orgia das piores. Assim essa palavra veio a indicar «glutonaria»
e «orgia», sendo possível que a lista de vícios, preparada por Paulo, quisesse
nos levar a compreender ambos esses sentidos da palavra. As traduções modernas
escolhem um ou outro desse significado.
Dioniso (Baco) era adorado com os
excessos
sexuais próprios desse culto, com a
bebedeira, com a glutonaria, com os excessos; e os que tais coisas
praticavam racionalizavam, tal como se verifica hoje em dia, que nada se fazia
de errado com tais atos, apelando para uma ou para outra desculpa. A «adoração
ao deus» era boa, segundo pensavam, a despeito das maldades que daí resultavam. O conceito de «liberdade» era identificado com o
«direito» de participar de tais festividades, acompanhado da imunidade da
censura pública. E hoje em dia, por semelhante modo, muitas pessoas identificam
a «liberdade» com o direito de praticar excessos, e ainda exigem os seus
«direitos» de fazerem o que bem lhes pareça. Essa atitude tem invadido até mesmo
a igreja cristã (ver I Co 11:21), mas Paulo via uma
cura para tais excessos com a intervenção decisiva do Espírito de Cristo, em
substituição ao espírito do deus Dionísio.
Lista
Representativa
«cousas semelhantes a
estas». Paulo
não afirma ter apresentado uma lista completa de vícios que condenam a alma.
Antes, expõe-nos uma lista representativa, uma indicação dos tipos de coisas
que destroem a vida espiritual.
Consequências da Prática dos Vícios
Não herdarão o reino de Deus os que tais coisas praticam. E usado aqui o
particípio presente (no original grego) do verbo «praticar», mui provavelmente
a fim de indicar uma ação contínua. Assim sendo, a ideia de «prática» destaca o
sentido almejado. Vinculado ao artigo definido como está,
o particípio presente indica «aqueles
que se entregam à prática». Se um ato ocasional qualquer de tais vícios,
impedisse de ser alguém membro do reino celeste, virtualmente ninguém estaria
qualificado para fazer parte do mesmo. Por outro lado, o sistema da graça
divina, longe de encorajar a prática do pecado, ou de desculpá-lo, depois de
haver sido praticado, assevera claramente que o poder do Espírito Santo deve
ser tão real que a atitude do vício seja substituída pela atitude própria de
Cristo. A totalidade da mensagem distintiva do cristianismo depende da
realidade da presença do Espírito de Deus no íntimo do crente, do que resultam
a conversão genuína e a transformação moral. Ora, se essa transformação for
real, então não haverá a prática de tais vícios. O crente desfrutará de vitória
sobre toda a forma de vício. Em caso contrário, será um crente somente de
profissão doutrinária, e não como uma realidade espiritual. Essa é a crua e
dura verdade que o apóstolo dos gentios ensina aqui.
Reino de Deus. Neste ponto, essa
expressão é equivalente a vida eterna conforme
também se dá com frequência no evangelho de João. Não está em foco algum reino
político a ser estabelecido quando da «parousia» (segundo advento de Cristo).
Mas essa «vida eterna», sem dúvida alguma, é vista como algo que será
inaugurado pela «parousia».
VI. Vícios de II Tm
3:2-4.
As
Características dos Homens dos Últimos Dias
1. Egoístas. No grego é philautos, que literalmente poderia ser
traduzido como «amantes de si mesmos». Aristóteles (de Repub.),
refere-se a esse defeito de caráter mui corretamente, ao dizer: «Não se
trata tanto do amor próprio, mas de amar indevidamente, tal como o amor às
possessões materiais». Portanto, trata-se de um mal, de um vício. O fato de que
devemos «amar ao próximo como a nós mesmos» mostra-nos que o amor próprio é
natural, algo perfeitamente esperado. Mas é quando amarmos a nós mesmos, com
exclusão do próximo, que teremos cometido o mal aqui condenado. Essa palavra se
encontra somente aqui, em todo o N.T., sendo uma das cento e
setenta e cinco palavras peculiares às «epístolas pastorais».
2. Avarentos. No grego é philarguros, que literalmente significa «amantes da prata», isto é, «amantes do dinheiro».
Esse vocábulo é usado somente aqui e em Lc 16:14, em
todo o N.T. O «amor ao dinheiro» é uma forma de «avareza», que, por sua vez, é
uma forma de idolatria (ver I Tm 6:10 quanto ao «dinheiro» como uma das raízes
de todos os males).
Os pequenos deuses. Até mesmo os homens
que não fazem e nem servem a ídolos de madeira, de pedra ou de metal, têm os
seus deuses, que são eles mesmos ou certas coisas. O indivíduo egoísta, faz do seu próprio «eu» um deus. E o cobiçoso tem como seu
deus o dinheiro, as possessões materiais. Há também aqueles cujo deus são os prazeres carnais (ver os versículos quarto a sexto de
II Tm 3 e também Ef 5:3). O amor ao próprio «eu» e o amor ao dinheiro servem de
substituições ao amor a Deus, fazendo do próprio «eu» o centro do universo; e
isso é idolatria.
3. Jactanciosos. No grego é alazon, que significa «presunçoso»,
«arrogante». Sua raiz é «ale», que quer dizer «perambulação». Era palavra usada
para indicar a atitude mental enlouquecida ou distraída. Os «vagabundos»
geralmente eram indivíduos de vil caráter, fingidos, impostores; e assim a
forma verbal dessa palavra veio a indicar os «fingidos», os enganadores; e, em
sua forma nominal, veio a indicar os «jactanciosos», que proferiam coisas
altissonantes sobre eles mesmos, mas que era apenas pretensão (ver o trecho de
Rm 1:30 quanto a essa palavra que aparece na lista de
vícios ali existente). Em todo o N.T. aparece somente em Rm 1:30
e nesta passagem.
4. Arrogantes. No grego temos o
termo uperephanos, que significa
«altivo», «orgulhoso». Na literatura bíblica tal palavra é usada somente em mau
sentido, ainda que nos escritos clássicos algumas vezes figurasse com o sentido
de «magnificente», «nobre». Sua forma verbal significa «brilhar mais que algo»,
«mostrar-se conspícuo». Aqueles homens, pois, se fariam conspícuos através do
louvor próprio, desconsiderando a outros que, supostamente, seriam menos
importantes do que eles mesmos. Esse vocábulo aparece por cinco vezes nas
páginas do N.T., a saber, aqui e em Lc 1:51; Rm 1:30;
Tg 4:6 e I Pe 5:5.
5. Blasfemadores. No grego é empregado
o termo blasphemos, aquele que profere
palavras abusivas e degradantes. Sua forma verbal pode significar «falar com
profanação», como quem degrada algum objeto sagrado. No presente contexto, não
há que duvidar que devemos pensar nessa significação.
Os gnósticos diminuíam a pessoa de Cristo e a doutrina cristã, a fim de exporem
suas doutrinas; por conseguinte, eram indivíduos blasfemos, mesmo que assim não
tencionassem ser. Essa palavra também figura por cinco vezes no N.T., aqui e em
At 6:11,13; I Tm 1:13; II Pe 2:11.
6. Desobedientes aos
pais.
(Ver
o trecho de Rm 1:30 que também tem esta expressão numa
longa lista de vícios. A falta de amor aos pais, além de total desconsideração
para com sua autoridade, é própria do «paganismo»; mas igualmente caracteriza
aqueles que repelem a autoridade de Deus, na «apostasia». (Comparar com I Tm
1:19 onde se fala sobre os «parricidas e matricidas»). Na passagem de Tt 1:6 é
exigido dos «pastores» que eles criem seus filhos sob sujeição.
7. Ingratos. No grego é acharistos, «sem gratidão», forma privativa
de charidzomai, «ser grato», «ser
agradecido». Esse pecado também é atribuído aos pagãos, em Rm 1:21. A apostasia, portanto, será o levantamento do espírito
pagão mais depravado, que não terá respeito por qualquer objeto sagrado, e que
se mostrará totalmente deletério em seus intuitos e em sua atuação. Nas páginas
do N.T., essa palavra só se encontra aqui e em Lc 6:35.
8. Irreverentes. No grego é anosios, que quer dizer «sem santidade», ou
seja, «iníquo», sem restrição na maldade praticada. Temos aqui a forma
privativa de «osios» que significa «sancionado»,
«aprovado pelas leis da natureza», e que fazia contraste com ieros, que significava «santo».
9. Desafeiçoados. No grego é astorgos, isto é, «sem afeição natural», palavra
usada somente aqui e em Rm 1:31, onde o apóstolo
descreve os pagãos apóstatas (ver Rm 1:31). Trata-se da forma privativa de «stergo», verbo que indica «amor mútuo» entre pais e filhos,
entre reis e seus súditos. A apostasia, que é a rebeldia descontrolada contra
Deus, arruína até mesmo os sentimentos humanos naturais, transformando as
pessoas em subseres humanos. Tal vocábulo se encontra
somente aqui e em Rm 1:31.
10. Implacáveis. No grego é aspondos, que também aparece na lista de
vícios de Rm 1:31, mas em nenhuma outra porção do N.T.
Essa palavra significa «irreconciliável». Trata-se da forma privativa de «sponde», «libação», algo oferecido aos deuses. E visto que
tal palavra geralmente estava vinculada à feitura de tratados, naturalmente,
veio a envolver a ideia de reconciliação, em que duas partes interessadas
mostram o desejo de viver em paz, expressando tal desejo por meio de um voto.
Mas algumas pessoas, invadidas por grande amargor de espírito, e sem respeito
por seus semelhantes, não se sentem nunca aplacadas.
11. Caluniadores. No grego é usado o
termo diabolos, um dos títulos dados a
Satanás, que destaca seu caráter de «caluniador» (ver II Tm 2:26).
Estão aqui em foco as pessoas que procuram prejudicar a seus
semelhantes com palavras cortantes, que normalmente envolvem o exagero nas
informações, distorcendo a verdade até o ponto da mentira desavergonhada. Tais
pessoas não somente entram em choque com os seus semelhantes, mas também gostam
de propagar as dissensões, lançando uns contra os outros. Promovem querelas
devido à sua malignidade. Essa palavra
figura por 38 vezes no N.T.
12. Sem domínio de si. No grego temos akrates, que significa «sem
autocontrole», inclinados para a «autoindulgência». Essa palavra é a
forma privativa de kratos, isto é,
«poder». Portanto, estão em pauta os que «não têm o poder de controlar a si
próprios». A perversão moral leva o indivíduo a esse extremo, porquanto essa
perversão leva o homem a formar hábitos tão arraigados que sua fibra moral é
destruída. O resultado final é um «escravo» das paixões e concupiscências, um
homem «viciado» em muitas práticas daninhas. Essa palavra grega é usada
exclusivamente aqui, em todo o N.T.
13. Cruéis. No grego é anemeros, ou seja, «selvagem», «brutal».
Indica alguém privado de emeros, que
significa «manso», «domesticável» (no caso de animais irracionais). Este é o
único lugar, em todo o N.T., onde essa palavra é empregada, pelo que se trata
de uma das cento e setenta e cinco palavras dessa
categoria, nas «epístolas pastorais».
14. Inimigos do bem. No grego temos uma
única palavra, aphilagathos, forma
composta da forma privativa de «amar» e da palavra «bom». Portanto, são
indicados aqueles que não têm amor natural pelo que é bom. Todavia, isso é
deixado indefinido neste ponto, talvez indicando o «bem de todas as espécies»,
— que tem origem em Deus, que é o «summum bonum». Tais indivíduos farão oposição a Deus e a todas as
suas manifestações. Essa palavra se encontra somente aqui, em todo o N.T,
embora sua forma positiva, isto é, «amantes do bem», se encontre em Tt 1:8,
como sua única outra ocorrência. Ambas as formas aparecem entre os cento e
setenta e cinco termos peculiares das «epístolas pastorais».
15. Traidores. No grego é prodotes, que figura por três vezes nas páginas do
N.T., isto é, aqui e em Lc 6:16 e At 7:52. Significa
exatamente isso, «traidor», «traiçoeiro». Em Lc 6:16
tal termo alude a Judas Iscariotes, o principal
apóstata do N.T.
16. Atrevidos. No grego temos propetes, usado somente aqui e em Atos 19:36, e que se refere a uma pessoa «ousada». Deriva-se de
uma raiz que significa «cair para diante», «inclinar-se para
a frente». Sua forma verbal, propipto,
significa «cair para a frente» ou «lançar-se para
a frente». Esse atrevimento pode ser nas palavras ou nas ações. São pessoas
ousadas quando se entregam à maldade, visto que estão debaixo da influência de
paixões descontroladas (ver os trechos de Pv 10:14;
13:3 e Siraque 9:18).
17. Enfatuados. No grego é tetuphomenos, forma participial perfeita de tuphoo, «orgulhar-se», «mostrar-se
arrogante». Essa palavra é usada somente aqui e em I Tm 6:4, ou seja, é um dos cento e setenta e cinco vocábulos que figuram
somente nas «epístolas pastorais». «Tuphos» significa
«fumaça», «nuvem», «neblina». Tais indivíduos, pois, andam «nebulosos de
orgulho». Seu bom senso está obscurecido pelo orgulho, por seu senso de elevada
importância pessoal.
18. Amigos dos
prazeres, mais do que amigos de Deus. No grego é philedonos,
forma composta encontrada exclusivamente aqui, em todo o N.T. O autor
sagrado das «epístolas pastorais», muito aprecia as formas compostas. Está aqui
em foco o «hedonismo», que indica aquela filosofia que exalta os «prazeres»
como o sumo bem e o alvo de toda a existência. Alguns indivíduos religiosos,
infelizmente para eles, se deixam dominar por essa filosofia; e mesmo que não o
façam em seu credo, fazem-no como prática da vida diária. Vejamos os
contrastes: no segundo versículo, «amantes de si mesmos» e «amantes do
dinheiro»; no terceiro versículo, «inimigos do bem»; e agora, «amigos dos
prazeres», mas «inimigos de Deus». (Ver igualmente II Tm 2:3, onde se lê
«Participa dos meus sofrimentos...»; I Tm 6:18,
«...pratiquem o bem...»). Quanto àqueles indivíduos, cujas atitudes são
previstas, os «prazeres» se tornarão o seu deus. No mundo de hoje em dia não há
deus mais servido do que esse, pois seus adoradores são bilhões. Ver a passagem
de I Tm 5:6 quanto ao fato de que a pessoa que vive «nos prazeres» embora viva, está morta. Ali a alusão é aos pecados sexuais.
Não há que duvidar
que o aspecto sexual desses «prazeres» faz parte do pensamento do presente
versículo, ainda que sua referência seja mais ampla do que isso. O sexto
versículo deste capítulo mostra-nos que vários dos mestres falsos eram
sedutores que também se deixavam seduzir, eram prostitutos amadores,
evidentemente se prostituindo com elementos femininos das igrejas locais. Mui
provavelmente eram os libertinos gnósticos. É interessante que, normalmente, a
ética do gnosticismo se inclinava para pontos extremos, ou para o lado da
libertinagem, ou para o lado do ascetismo severo. Os trechos de I Tm 4:3 e Gl 2:16,17,20 e ss se
referem ao tipo de gnosticismo ascético. Os seus defensores criam que o corpo é
a sede do pecador, porquanto participa da matéria, que seria totalmente incapaz
de redenção. Razões Apresentadas Como
Desculpas pela Imoralidade
1. Aqueles que
preferem levar vidas imorais, sempre podem encontrar razões para assim agirem.
Os mestres gnósticos procuravam justificar suas vidas pútridas, declarando que
o corpo físico por si mesmo é um mal. Segundo diziam, o corpo participa da
matéria, que é má em si mesma; e, assim sendo, não importaria o que um homem
faz através de seu corpo. Na verdade, segundo diziam eles, é conveniente que o
homem abuse de seu corpo, porquanto esse abuso contribui para a destruição do
corpo; e essa destruição é um bem, pois assim o espírito se liberta.
2. Hoje em dia, como
sempre sucedeu, é comum ouvir-se a corrupção ser definida em nome da liberdade.
Alguns indivíduos se consideram livres, quando praticam qualquer ato
maligno que desejam fazer. São esses os que andam ao contrário, dependurados de
cabeça para baixo no teto. Jactam-se daquilo que praticam de vergonhoso; sua
liberdade é a pior espécie de escravidão.
Os indivíduos
viciados como que buscam derrubar a Deus de seu trono,
preferem fazer de coisas temporais, e até mesmo pecaminosas, o grande
objetivo de sua vida. Esquecem-se os tais que Deus é o summum
bonum, a fonte originária de toda a vida, como também
o seu alvo colimado (ver I Co 8:6).
VII. O Vício do Ódio: II Jo 2:9
Aquele que diz estar
na luz, e odeia a seu irmão, até agora está nas trevas.
O veneno do ódio. «A
pessoa que não ama não sabe que não é amorosa; imputa a outros as falhas de si
mesma.
Também não sabe o desastre inevitável a que sua maneira de andar a leva. Em
certo sentido, anda nas trevas, porque as trevas a cegaram; em outro sentido,
ela está cega, porque tem andado nas trevas. Aquele que se recusa a ver,
finalmente não pode mais ver. O ódio constante destrói progressivamente a
capacidade para o bem. Finalmente (segundo fica implícito no décimo versículo),
faz outros tropeçarem. O ódio enerva outros e os faz revidarem; a vindita com frequência
prejudica aos inocentes; a vingança envenena os motivos que se veem nos outros; a hipocrisia do crente que diz que anda na
luz, mas odeia a seu irmão, é um opróbrio para a igreja, repelindo ao
inquiridor sincero e edificando aos cínicos. O ódio pode prejudicar os tecidos
do corpo e induzir enfermidades. Um médico diz que meia dúzia de palavras
amargas fazem a própria pepsina do estômago perder seu
efeito. O ódio desequilibra e inflama a mente. Subverte o pensamento, transformando-o
em paixão e mina o julgamento inteligente. Um comentador fez a seguinte
paráfrase: 'ele... anda nas trevas; não pode pensar
direito'» (C.H. Dodd, in loc).
Assim como o
verdadeiro amor consiste no altruísmo verdadeiro, assim também o ódio consiste
no egoísmo agudo. Quase todos os problemas humanos podem ser traçados
até alguma forma de egoísmo. O amor produz harmonia; o ódio tem na discórdia a
sua própria natureza. A ciência médica sabe bem que nossas emoções afetam a
saúde. Aquele que odeia estará, naturalmente, sujeito a várias doenças,
porquanto seu sistema físico entrará em mal
funcionamento. Até mesmo as enfermidades, como câncer, podem ter causas
psíquicas.
VIII. O vício da
Idolatria
1. Todos os homens
são idolatras! Alguns adoram ídolos, imagens, figuras de madeira ou metal,
etc. Mas todos os homens, praticamente, adoram o dinheiro ou a si mesmos.
2. A idolatria, com frequência,
está vinculada ao adultério, e isso é uma excelente colocação, pois a idolatria
é o adultério espiritual, por causa do que os votos mais sagrados são quebrados
e desprezados.
3. A idolatria é a
alteração proposital da imagem de Deus, na imagem de alguma coisa, material ou
mental, para em seguida haver a adoração dessa nova imagem. É bem possível que
certas imagens representem forças satânicas e que, através dessas imagens,
essas forças estejam recebendo honradas que pertencem —
exclusivamente — a Deus. Também podemos levantar ídolos no próprio
coração (ver Ez 14:3,4), mesmo que não os guardemos em
nichos, em nossos lares.
4. A idolatria é uma
abominação (ver I Pe 4:3), e não traz qualquer
proveito (ver I Juí. 10:14).
5. Deus aborrece a
idolatria (ver Jr 44:4), sendo uma das grandes características daqueles que se
olvidam de Deus (ver Jr 18:15), e, por conseguinte,
que se desviam dele (ver Ez 44:10).
6. Por causa da
idolatria, muitos se esquecem de Deus totalmente (ver Jr 16:11).
7. Pecadores
obstinados são entregues por Deus à idolatria (ver Dt 4:28).
8. A idolatria exclui
o indivíduo da glória celeste (ver I Co 6:9,10).
IX. O Mundanismo: I Jo 2:15
Não ameis o mundo,
nem o que há no mundo. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele.
O amor, é a força mais poderosa do mundo. Todos os homens amam
alguma coisa. Até o egoísmo é um tipo de amor, isto é, o amor excessivo do
próprio ser, que existe sem ser contrabalançado pelo amor a outros. A grande
maioria dos homens ama o mundo bem mais do que o bem, a justiça, e a
espiritualidade.
O amor intenso. A verdadeira
espiritualidade exige um intenso amor às coisas espirituais. Mas, o homem
comum, só ama intensamente o mundo físico e material. Os objetos deste amor são
três:
1. Coisas que
pertencem as sensações físicas, a
concupiscência da carne. O sexo é o rei de quase qualquer lugar.
2. Os desejos dos
olhos. Os homens procuram as vantagens do mundo, as coisas materiais,
possessões, riquezas, confortos, abundância física. Os homens têm uma cobiça
gloriosa, para a qual, gastam tudo que têm.
3. A soberba da
vida: posições na sociedade (ou na igreja!), fama, glória, vantagem social,
poder político, exaltação.
A Natureza dos
Vícios Mundanos
1. Transgridem contra a lei de Deus (ver I Jo 3:4).
2. Possuem conexões
metafísicas, a saber, a criação e estimulação de Satanás e suas forças
perniciosas (ver I Jo 3:8). O pecado jamais é meramente o ato de um indivíduo
isolado.
3. Não fazer o que
devemos, constitui um vício (ver Tg 4:17).
4. A falta de fé
inspira os vícios (ver Rm 14:23).
5. Os vícios se
originam no coração do homem (ver Mt 15:19).
6. Conduzem à morte
espiritual (ver Rm 6:23).
Bibliografia: I
IB HA LAN NTI