A DESCIDA DO ESPÍRITO SANTO

 

A descida do Espírito San­to é o cumprimento da promes­sa de Deus e marca o início da era da salvação, que terminará com a vinda de Cristo.

 

"E eu, em verdade, vos ba­tizo com água, para o arrepen­dimento; mas aquele que vem após mim é mais poderoso do que eu; não sou digno de levar as suas sandálias; ele vos bati­zará com o Espírito Santo e com fogo" (Mt 3.10).

 

Atos 2 registra a data da inaugu­ração da Igreja com sinais sobrenaturais que têm impressionado o gê­nero humano através dos séculos. A manifestação das línguas tem sido objeto de extensos debates. A expe­riência vivida pelos apóstolos nessa ocasião foi um fenômeno completa­mente novo. A Noiva de Cristo atra­vés dos séculos vem exprimentando essas experiências pentecostais.

 

DIA DE PENTECOSTE

 

1. "Cumprindo-se o dia de Pentecoste" (v. 1). Pentecoste (Nm 28.26) era uma das três principais festas judaicas, instituídas por Deus, através de Moisés. Páscoa (Lv 23.4-8) e Tabernáculos (Lv 23.34) são as outras duas. Essas festividades sole­nes eram significativas e apontavam para o Messias.

 

a) Páscoa. Era a comemoração da saída dos filhos de Israel do Egi­to, também chamada de Festa dos Pães Asmos ou Ázimos (porque nela o pão era sem fermento), comemo­rada ainda hoje pelos judeus. Para nós, ela se cumpriu no sacrifício de Jesus, pois o cordeiro pascal, descri­to em Êxodo 12.3-8, apresenta os requisitos encontrados em Cristo.

 

b) Festa dos Tabernáculos. Cha­mada em hebraico de "Sucot", co­memora o período em que os filhos de Israel viveram em cabanas no de­serto, quando saíram do Egito (Lv 23.33-43). Era a última festa do ano e durava oito dias. Era uma festivi­dade alegre (Lv 23.40). Está mencionada em Jo 7.37-39. Ela repre­senta o gozo e a alegria dos crentes. O quadro profético ainda não se cumpriu: será no Milênio.

 

c) Pentecoste. É uma palavra gre­ga que significa "quinquagésimo", porque essa festa era celebrada 50 dias após a Páscoa (Lv 23.15,16). Chamada em hebraico de "Shavuot", plural de "shavua", significa "semana", mas é também conhecida como a Festa das Primícias, pois co­incidia com o fim da colheita de tri­go. O nome "Festa de Pentecoste" ficou assim conhecido, por ser rea­lizada no quinquagésimo dia após a Páscoa.

 

2. Reunidos no mesmo lugar (v.1). Havia quase 120 discípulos, incluindo as corajosas e heroínas pes­soas anônimas que tiveram partici­pação efetiva na obra de Deus (At 1. 15). O local era o Cenáculo, em Jerusalém (At 1.13), onde perseve­ravam "unanimemente em oração e súplicas" (At 1.14). À luz do con­texto, "reunidos no mesmo lugar" fala de unanimidade de propósito, esperando a promessa do Pai.

 

A VINDA DO ESPÍRITO SANTO

 

1. Barulho vindo do Céu (v.2). Vento e fogo são dois dos símbolos do Espírito Santo (Mt 3.11; Jo 3.8). A manifestação divina ligada ao fogo era comum no Antigo Testamento, tanto para trazer juízo (Jl 2.3), como para iniciar uma nova era ao povo de Deus (Êx 3.1,2).

 

2. Línguas repartidas como que de fogo (v. 3). Isso fala das diversidades de línguas. O fogo é a garantia de que Deus estava nesse negócio, visto que para os judeus a manifestação divina estava ligada ao fogo (Êx 3.2, 3; 19. 16-20; 1 Rs 18. 38; Lc 9.54).

 

3. "Todos foram cheios do Es­pírito Santo" (v.4). Nenhum dos patriarcas e profetas viveu essa expe­riência, embora alguns deles falassem desse evento mais como algo ainda para o futuro, pois, na época do Antigo Testamento, o Espírito Santo atuava sob medida.

 

a) Nomes do Espírito Santo no Antigo Testamento. O Espírito San­to está presente em todo o Antigo Testamento, a partir de Gn 1.2, de maneira expressa, pois, como ter­ceira Pessoa da Trindade, Ele está onde surge o nome de Deus. A ex­pressão "Espírito Santo" só aparece três vezes na Antiga Aliança (Sl 51.11; Is 63.10,11).

 

b) Divindade e personalidade no Antigo Testamento. É apresentado como Deus pessoal no Antigo Tes­tamento: "O Espírito do Senhor fa­lou por mim, e a sua palavra esteve em sua boca, disse o Deus de Isra­el..." (2 Sm 23.2,3).

 

c) Obras do Espírito Santo no Antigo Testamento. Atuou na cria­ção do Céu e da Terra (Gn 1.2; Sl 104.30) e do homem (Jó 33.4). Ins­pirou os profetas do Antigo Testa­mento (2 Pe 1.19-21). Por essa ra­zão, o profeta era chamado de "ho­mem do Espírito" (Os 9.7).

 

d) O Espírito Santo no Novo Tes­tamento. O homem do Antigo Tes­tamento desconhecia a experiência pentecostal, pois a descida do Espí­rito Santo foi para que ficasse conos­co "para sempre." Era a promessa de Jesus para a Dispensação da Igre­ja (Jo 14.16).

 

e) "Cheio do Espírito Santo". O que significa ser "cheio do Espírito Santo"? É uma figura de linguagem. Significa que alguém abriu espaço em sua vida, para que o Espírito Santo possa operar sem restrição.

 

FALAR LÍNGUAS

 

1. "Começaram a falar em ou­tras línguas" (v. 4). Era Babel às avessas. Naquela torre, ninguém se entendia, pois um não compreendia o que o outro dizia (Gn 11.7-9). Em Jerusalém, no Pentecoste: "cada um os ouvia falar na sua própria língua" (v. 6).

 

a) O duplo milagre. Essas lín­guas não eram da Terra. A palavra "línguas", nos versículos 3 e 4, é glossa. (grego). Mas o vocábulo "língua", nos versículos 6 e 8, é dialektos, (grego). O que isso signi­fica? Que o milagre foi duplo: Os discípulos falaram línguas desconhe­cidas (glossa), e cada representante dessas 17 nações ouvia-os em sua própria língua (dialektos).

 

b) Língua do Céu. Língua estra­nha não é o mesmo que língua estrangeira, a qual há sempre quem possa entender, mas a língua estra­nha só compreende quem o Espírito Santo revelar. Disse o apóstolo Pau­lo: "Porque o que fala língua estra­nha não fala aos homens, senão a Deus; porque ninguém o entende, e em espírito fala de mistérios" (1 Co 14.2).

 

c) Exemplo prático. John L. Sherrill, em seu livro Eles Falam em Outras Línguas, pp. 153-155, afirma que apresentou a seis linguistas (três deles da Universida­de de Colúmbia) fitas de vozes de pessoas que falavam em línguas, que ele gravou em cultos pentecostais. Um deles era técnico no estu­do de estruturas linguísticas. Ao ouvirem essas fitas, não puderam identificar coisa alguma dessas lín­guas. Disseram que eram línguas estruturadas, embora não as iden­tificassem.

 

2. Línguas como evidência do batismo no Espírito Santo. Ter o Espírito Santo não é o mesmo que ser batizado no Espírito Santo. Os discípulos, mesmo antes do Pente­coste, já tinham o Espírito Santo (Jo 20.22). O batismo no Espírito Santo é um revestimento de poder que ca­pacita o crente a fazer a obra de Deus, principalmente, para fazer missões (At 1.8; Lc 24.49).

 

a) Como se sabe que alguém foi batizado no Espírito Santo? A evi­dência desse batismo é o falar lín­guas. No dia de Pentecoste eles fa­laram línguas (v. 4). Antes disso, ninguém tivera tal experiência. Na casa de Cornélio, como Pedro sou­be que o Espírito Santo desceu so­bre eles? "Porque os ouviam falar em línguas e magnificar a Deus" (At 10.46).

 

b) Perigo das inovações. Há igre­jas neopentecostais que não têm no­ção dessa evidência e confundem ter o Espírito Santo com o batismo no Espírito Santo. Ultimamente, estão inventando muitas práticas exóticas sem apoio bíblico. Eu já vi alguém dizer: "Eu falo línguas", e outra pessoa responder para ele: "Fale", e ele começar a falar. Há também pesso­as que querem ajudar Jesus fazer a obra: Falam línguas e mandam as pessoas que ainda não foram batiza­das imitá-las.

 

3. O batismo no Espírito Santo hoje (v. 38). Não há qualquer indicação no Novo Testamento de que a promessa do batismo no Espírito Santo seja algo meramente para o primeiro século, como defendem expositores antipentecostais. A pro­messa é para "tantos quantos Deus, nosso Senhor, chamar". Há registros de que ao longo da história do Cris­tianismo, diversos cristãos falaram línguas. Irineu, Agostinho, Lutero, Wesley e muitos outros. Com o avi­vamento do País de Gales, de Kansas e da rua Azuza, quase simultanea­mente, o fenômeno das línguas vol­tou a ser algo generalizado, e não meramente uma raridade.

 

CONCLUINDO

 

A promessa do Espírito Santo diz respeito, principalmente, aos "últimos dias", e não à era dos apóstolos. Além disso, Pedro, ao citar o profeta Joel, substituiu a expressão "derramarei o meu Es­pírito" por "derramarei do meu Espírito". Isso mostra que o Pen­tecoste foi o início da Dispensação do Espírito Santo, e que a efusão do Espírito seria na sua plenitude nos "últimos dias", os dias em que estamos vivendo.

 

1. Deus é fiel e cumpre tudo o que nos promete, apesar de muitos o considerarem tardio. Ele vaticinou o derramamento do seu Espírito sobre toda a carne, como declarou o pro­feta Joel, e, no tempo certo, no dia de Pentecoste, este evento tornou-se uma realidade em Jerusalém.

 

2. O batismo com o Espírito San­to é uma bênção celestial necessária aos cristãos que desejam ter uma vida vitoriosa. Por isso, quem ainda não o recebeu deve orar insistente­mente, pois Deus não faz acepção de pessoas e esta promessa é para to­dos os homens.

 

3. O crescimento da Igreja, na atualidade, é ocasionado pela atua­ção do Espírito Santo em nossos dias. Se desejamos mais conversões e a manifestação do poder de Deus, devemos buscar, insistentemente, os dons espirituais, tão necessários nes­te momento de incredulidade total.

 

Bibliografia E. Soares